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TRANSPLANTE
Médicos são treinados para melhorar captação de órgãos
VITÓRIA (ES) - Profissionais de todo o estado vieram ao Hucam-Ufes (Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes) participar do Curso de Capacitação de Médicos para Determinação de Morte Encefálica. Saber diagnosticar esta condição é indispensável para o funcionamento do protocolo de doação de órgãos e, não à toa, o curso foi uma iniciativa do Proadi-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde) do Ministério da Saúde e da CET (Central Estadual de Transplantes) do Espírito Santo.
As aulas foram ministradas por uma equipe do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, composta por quatro médicos e dois enfermeiros. Cerca de 60 pessoas foram capacitadas, entre médicos do Hucam e de outras instituições, nos dias 27 e 28 de novembro.
A morte encefálica é a cessação completa de todas as atividades cerebrais e um dos requisitos para que possa haver doação de órgãos. A enfermeira Ana Paula Beje Smiderle, coordenadora da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott), explica mais:
“Morte encefálica é o mesmo que morte, a única diferença é que o paciente está mantido por aparelhos que fazem a expansão do tórax para a respiração e por drogas vasoativas, que fazem o coração continuar batendo e manter a pressão arterial até a família decidir se vai ou não doar os órgãos”
Depois que o processo de certificação de morte encefálica é concluído, o atestado de óbito é finalmente emitido. A partir de então, a autorização da família para doação dos órgãos é outra etapa indispensável. “Quando a família desconhece o desejo do doador, fica para ela mesma a responsabilidade de doar ou não. É uma responsabilidade muito grande para esse momento, que é um momento de tristeza, com muita dor da perda.” Afirmou a coordenadora da Cihdott, que defende a importância em manifestar para a família a vontade de ser doador, como ocorreu no caso do apresentador de TV Gugu Liberato, morto em novembro depois de um acidente doméstico. Estima-se que seus órgãos e tecidos poderão beneficiar cerca de 50 pessoas.
Mudança
Em 2017, o critério para a definição de morte encefálica mudou. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução ampliando as especialidades que estão habilitadas a fazer essa determinação. Por isso, o Ministério da Saúde por meio da Sistema Nacional de Transplantes (SNT) tem investido em promover cursos de capacitação para aumentar a agilidade do diagnóstico.
Pelas normas anteriores, a morte encefálica deveria ser diagnosticada por dois médicos, sendo que um deveria ser obrigatoriamente neurologista, e o outro não necessitava de habilitação específica. Pela nova resolução, os dois médicos precisam ser qualificados, e um deles deve possuir alguma dessas especialidades: medicina intensiva adulta ou pediátrica, neurologia adulta ou pediátrica, neurocirurgia ou medicina de emergência.
Além de ter uma dessas especialidades, é considerado qualificado o médico que tenha no mínimo um ano de experiência no atendimento a pacientes em coma, tenha acompanhado ou realizado pelo menos 10 determinações de morte encefálica ou tenha realizado curso de capacitação, como o que foi oferecido no Hucam-Ufes.
O que é a Cihdott e como ela trabalha no hospital?
A Comissão Intra-hospitalar de Doação de órgãos e Tecidos para Transplante é formada por médicos, enfermeiros, assistentes social e psicólogo. O principal objetivo segundo a coordenadora Ana Paula é “viabilizar a doação de órgãos para as famílias que desejam fazê-la”. Para tal, a comissão realiza trabalhos educativos dentro e fora da instituição, orienta profissionais de saúde, e instrumentaliza a captação do órgão. Integrantes da Cihdott também são responsáveis pela comunicação com a família e por todo o acompanhamento do paciente que fará a doação.
Vocabulário
Intensivistas: é um médico especializado no atendimento de pacientes críticos, na maioria das vezes na unidade de terapia intensiva.