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Hucam e outros hospitais da Rede Ebserh realizam mutirões de colonoscopia para pacientes agendados
Equipe observa monitor com imagens captadas de aparelho de colonoscopia durante mutirão realizado em 24 de março
Brasília (DF) - Março recebe a cor Azul-Marinho como símbolo para o combate ao câncer colorretal, o terceiro tipo mais prevalente na população brasileira, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). O principal exame para diagnóstico e prevenção da doença é a colonoscopia, que permite avaliar toda a extensão do intestino grosso percebendo possíveis lesões. Durante este mês, em incentivo à campanha, os Serviços de Endoscopia de quatro hospitais gerenciados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) estão promovendo mutirões do exame, adiantando pacientes já agendados, portanto, diminuindo o tempo na lista de espera.
No Ceará, nos dias 11 e 18 de março, 36 pacientes do Hospital Universitário Walter Cantídio, do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, puderam realizar o exame. No dia 23, a ação foi realizada no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), com 22 colonoscopias feitas, além de palestra e outras ações educativas sobre os riscos da doença, prevenção, diagnóstico e tratamento. No Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), o mutirão beneficiou 32 pacientes, no dia 24. E, encerrando a série de mutirões, o Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), em Niterói (RJ), programou para os próximos dias 30 e 31, o exame para 40 pessoas.
Como se caracteriza o câncer colorretal?
O médico gastroenterologista do CH-UFC Fred Olavo Aragão explica que o câncer colorretal recebe esse nome porque pode acometer diferentes segmentos do intestino grosso (chamado de cólon) e o reto. As principais causas da doença correspondem, principalmente, ao histórico familiar de presença desse tipo de câncer, além do consumo excessivo de carne vermelha e processada, diabetes mellitus e resistência insulínica, tabagismo, alto consumo de álcool e sedentarismo. Por isso, a melhor forma de combate ao câncer de intestino é ter uma rotina de exercícios físicos e alimentação saudável, principalmente com boa ingestão de água e rica em grãos e fibras, que atuam na melhoria do trato intestinal.
Francisco Borges, de 65 anos, foi um dos beneficiados pelo mutirão no Ceará. Ele conta que sempre fez exames de rotina para cuidar de sua saúde. No resultado mais recente do exame de fezes, foi detectado sangue oculto, circunstância que levou à indicação médica da colonoscopia para uma investigação mais precisa. Ao saber que o agendamento do exame foi adiantado graças ao mutirão, Francisco revelou que foi um alívio para ele e para sua família, porque o diagnóstico seria mais rápido.
Diagnóstico precoce salva
Como rastreio, a colonoscopia é o exame padrão-ouro de investigação do câncer colorretal e deve ser realizado periodicamente a partir dos 45 anos. Segundo a médica gastroenterologista do Huap-UFF Thaís Guaraná, ele pode ser indicado antes para pessoas com casos desse tipo de câncer na família. A especialista ressalta que a campanha Março Azul-Marinho põe em evidência o exame, proporcionando à população mais informações sobre a doença: “As pessoas precisam saber que existe prevenção, que é possível realizar medidas de ajuste no estilo de vida e também há exames preventivos para que, quando o paciente tenha risco da doença, a gente possa detectar as alterações numa fase inicial em que o tratamento é feito de uma forma simples, sem maiores riscos e sem aumento da mortalidade”, ressaltou.
Este é um tipo de câncer com boas chances de cura, especialmente se for diagnosticado precocemente, destacou Esteban Sadovsky, médico gastroenterologista do Hucam-Ufes. Por isso, alertou o especialista, é tão importante avaliar quando não há ainda sintomas da doença, por meio do exame de sangue oculto nas fezes e, principalmente, da colonoscopia de forma preventiva para observar se há presença de lesões ainda benignas (pólipos), antes que evoluam para o câncer. Durante este exame, é possível retirar essas lesões iniciais. Quando o tumor já existe, o tratamento pode incluir a cirurgia para remoção e a possibilidade de radioterapia e de quimioterapia. Cada caso é avaliado pelo especialista para a melhor indicação de tratamento.
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.
Por:
Marília Gabriela Silva Rêgo, com revisão de Moisés Holanda