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INTEGRAÇÃO
Doença de Parkinson tem acompanhamento humanizado no Huap
Equipe da Neurologia do Huap com o professor Marco Antônio (ao centro)
A doença de Parkinson é o segundo distúrbio neurodegenerativo mais comum, após o mal de Alzheimer. Ela se caracteriza por problemas motores, como tremores, lentidão ou rigidez dos movimentos, além de outros sintomas, como, por exemplo: doenças de saúde mental, constipação intestinal e, em fases mais tardias, a diminuição da capacidade de raciocínio e memória. Mais comum em pessoas idosas, acima dos 60 anos, mas não exclusivo dessa faixa etária, estima-se que, no Brasil, mais de 200 mil pessoas tenham a doença, que deve dobrar até 2030, segundo pesquisas brasileiras, uma vez que, com o envelhecimento da população, a sua incidência aumenta e, como não possui cura, sua permanência também.
Apesar de ser uma doença degenerativa do sistema nervoso central, o Parkinson possui tratamentos medicamentosos e até cirúrgicos que ajudam o paciente a minimizar os sintomas e melhoram a sua qualidade de vida e sociabilidade. No Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap/UFF) é feito um trabalho transdisciplinar que abrange não só a neurologia, mas também outras áreas para melhor atender ao usuário do SUS durante o seu tratamento. “Pessoas com doenças de Parkinson não podem ser exclusivamente tratadas pelo neurologista, embora ele seja fundamental, elas precisam ser reabilitadas, por exemplo, por um fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e uma equipe de enfermagem”, explica o professor Marco Antônio Araújo Leite, médico neurologista e coordenador do Ambulatório de Distúrbios do Movimento do Huap.
Nesse quadro transdisciplinar, uma peça fundamental é o acompanhamento psicológico, em que as informações coletadas pelo profissional, no que diz respeito a funções psicológicas - como memória, atenção, controle motor, raciocínio e outras funções – além das características sociais, econômicas e familiares do paciente, contribuem para o diagnóstico mais preciso, orientando os médicos da área em questão sobre o atual estado do paciente. O neuropsicólogo e coordenador do Serviço de Avaliação Neuropsicológica (SeANp) no Huap, Elton Matsushima, acredita que abordagens transdisciplinares apresentam os melhores resultados no tratamento do Parkinson, “essa visão permite uma atenção integral à saúde dos pacientes, uma vez que não se concentra exclusivamente na doença, mas em como os diferentes aspectos da vida dessa pessoa interagem com suas patologias e suas condições de vida e integração social”. Elton ressalta a importância de um atendimento mais humanizado também na avaliação dos responsáveis que acompanham esses pacientes. “Muitas vezes essas pessoas têm sua saúde prejudicada, em função do estresse e da responsabilidade no dia a dia. Nosso serviço no Huap, atendo a isso, colabora para que este cuidador ou familiar também receba a atenção necessária à sua saúde mental”.
No que diz respeito ao tratamento clínico da doença, o Huap é o único da Região Metropolitana II que faz uso da toxina botulínica em adultos pelo SUS a fim de minimizar os sinais do Parkinson. A residente do terceiro ano da Neurologia, Náiade Couto, conta como aprender essa técnica no HU é muito importante para a sua formação e prática clínica. “Melhorar a contração involuntária de um paciente com Parkinson ajuda na sua qualidade de vida tanto para locomoção quanto para realizar os afazeres domésticos, porque esse distúrbio neurológico atrapalha muito os movimentos”.
Tratamento cirúrgico
Alguns usuários do SUS que possuem a Doença apresentam um quadro clínico em que poderão ser encaminhados para a cirurgia, essa avaliação do paciente é feita, no Huap, numa ação conjunta entre a neurologia e a neurocirurgia. “A cirurgia não é indicada para qualquer paciente que possui a doença. A primeira coisa que se faz é tratar com medicamento, a operação cirúrgica é o último estágio da cadeia”, afirma o professor e neurocirurgião Bruno Lima Pessoa. Em caso cirúrgico, no Huap, é feita a ablativa, que consiste em realizar uma pequena lesão térmica no local do circuito cerebral que contém alteração a fim de diminuir os tremores e a rigidez. Para o Chefe da Neurocirurgia do Huap, professor José Alberto Landeiro (foto abaixo ao centro), o ganho que o público do hospital universitário teve, desde que a cirurgia ablativa surgiu, foi extraordinário, “as complicações são mínimas e a melhora do paciente é enorme, ele recomeça a vida, principalmente os mais jovens, que vão entrar no mercado de trabalho”.
Existe, ainda, uma neurocirurgia no tratamento da doença em que é utilizado um marca-passo cerebral, um procedimento de alto custo, ainda não praticado pelo SUS. Entretanto, o neurocirurgião Bruno, ressalta que às vezes a técnica ablativa (microlesões) é a melhor opção: “para um paciente que tem pouca instrução ou idade avançada para manipular o instrumento, recarregar a bateria ou que mora longe e não pode ter um acompanhamento mensal, a cirurgia ablativa é mais interessante”. Outro exemplo seria no caso de pacientes que realizam movimentos de alto impacto, o professor comenta sobre uma vez em que operou um maratonista que, por estar sempre em exercício, não poderia utilizar o marca-passo.
Eventos e Pesquisas
Além do cuidado clínico e cirúrgico, no que diz respeito à Doença de Parkinson, o Hospital Universitário Antônio Pedro, por ser um local de estudo e desenvolvimento científico, também possui áreas de pesquisa que visam a melhora do paciente e aperfeiçoamento das técnicas. A neurologia, por exemplo, realiza reuniões mensais abertas ao público, no Maquinho (na Boa Viagem) com grupos de pessoas com a doença, além de seus familiares, cuidadores e até mesmo alguns profissionais que atuam na área assistencial, para discutir temas cotidianos relacionados ao Parkinson, como saúde sexual, condução de veículos e outras temáticas.
A neurocirurgia do hospital universitário, em Niterói, possui um projeto em parceria com a faculdade de engenharia elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) para o desenvolvimento do sistema TREMSEN, que consiste no desenvolvimento de uma luva com sensores fixados capaz de calcular a velocidade dos tremores do paciente. Outra iniciação científica da UFF é o Lead DBS, um software livre capaz de calcular onde o campo magnético do marca-passo está estimulando no cérebro, possibilitando, assim, a certeza de que o eletrodo e o seu campo magnético gerado estão no local correto. Para o Gerente de Ensino e Pesquisa do Huap, professor Rubens Cruz Filho, as pesquisas realizadas no HU favorecem na formação profissional dos residentes e aprimoram os estudos na saúde que poderão ser aplicados para beneficiar a população. “Por ser um hospital universitário, o ‘Antônio Pedro’ tem um papel importante na formação rigorosa dos seus profissionais na assistência, no desenvolvimento de técnicas e nas suas aplicações na sociedade. Todos esses estudos têm como interesse levar resultados à população para auxiliar no tratamento da saúde dos pacientes”, conclui o professor.
Sobre a Rede Hospitalar Ebserh
O Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap/UFF) faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde abril de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.
Bolsista: Anna Luiza Amorim
Unidade de Comunicação Social (UCS)