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ACOMPANHAMENTO
Dia Mundial da Saúde Mental mostra importância do ato de cuidar e de acolher
Na semana em que se celebra o Dia Mundial da Saúde Mental (10), o assunto fica ainda mais em voga. A data marca a importância de se cuidar e cuidar do outro, acolhendo quando necessário. O Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) conta com a Unidade de Atenção Psicossocial, responsável por realizar um acompanhamento multiprofissional e integral dos usuários, buscando o gerenciamento do cuidado. Dessa forma, o paciente será atendido adequadamente e com uma linguagem única de propostas. E esse trabalho também é feito com os profissionais do hospital, através de encaminhamento pela Medicina do Trabalho.
- Saúde mental é a base de tudo. Os pacientes chegam por causa de uma doença física, mas temos que lembrar que uma boa porcentagem das doenças físicas é causada por algum tipo de estresse. Então, antes de adoecerem mentalmente, muitas vezes eles já adoeceram fisicamente. Às vezes, o paciente tem uma questão que pode ser resolvida apenas com psicoterapia. Mas, quando não, se ele desenvolve um transtorno mental maior, que precise de uma medicação, fazemos o acompanhamento psiquiátrico -, esclarece a psiquiatra do hospital, Paula Vigne.
O atendimento de saúde mental a pacientes dentro do Antônio Pedro é dividido em dois tipos: ambulatorial e de internação. Nos ambulatoriais, são atendidos apenas pareceres de outras especialidades, já que não há ambulatório aberto para a rede. Então, o paciente procura um médico específico para tratamento de uma doença física, e o profissional que o atende, notando algo que demande atenção por parte da Psicologia ou da Psiquiatria, o encaminha. A psicóloga do HUAP, Ana Paula Brandão, explica como funciona:
- Nesses casos, vem um pedido de um médico por interconsulta. Fazemos uma avaliação e, quando necessário, oferecemos acompanhamento psicoterápico. Aqui, não recebemos pacientes com queixa exclusiva de questões relacionadas à doença mental. Em geral, eles chegam para investigação ou tratamento de alguma doença importante e isso gera um desconforto emocional com o qual não sabem lidar, o que pode ser prejudicial, inclusive, ao tratamento. Ainda mais que o HUAP é um hospital de alta complexidade, com casos difíceis e que geram uma dor ainda maior.
Já no caso dos internados, o processo é diferente e tem a atuação do Serviço Social. É feito um acompanhamento para entender a realidade daquele paciente, suas questões, a situação socioeconômica e como funciona sua rede de apoio. De modo geral, o atendimento é feito na beira do leito. É algo pontual, que pode ou não ser acompanhado posteriormente. A partir da avaliação dos assistentes sociais, pode se entender a necessidade de atendimento psicológico ou psiquiátrico. A assistente social do HUAP, Thereza Cristina Andrade, enfatiza que saúde não é só ausência de doença:
- O contexto em que o paciente vive serve para nossa orientação. Às vezes, principalmente no atendimento a usuários em situações socioeconômicas mais vulneráveis, percebemos questões que geram na vida deles um sofrimento psíquico. E quando observamos que ele precisa de uma avaliação, acionamos a Psicologia e/ou Psiquiatria. A partir dali, elas vão direcionar da melhor forma. Em algumas situações, a atenção dada naquele momento é suficiente, em outras é preciso acompanhar por um período maior. Nós atuamos no sentido de orientar e garantir os direitos.
Como cuidar de quem cuida?
Quando falamos nos profissionais que atuam no ambiente hospitalar, a psiquiatra Paula comenta que eles chegam por pedido da Medicina do Trabalho, que atua na USOST do HUAP. O médico identifica um problema no ambiente laboral daquele colaborador e faz o encaminhamento à Psicologia e à Psiquiatria, que fazem o atendimento e direcionam ao acompanhamento necessário. Não existe uma porta de demanda espontânea nesses casos, apenas no psiCOVIDa, criado durante a pandemia. Para a psicóloga Ana Paula, os profissionais são diariamente confrontados com a dor do outro, tornando-se muito difícil ficar totalmente neutro.
- De alguma forma, você acaba se envolvendo, torcendo pelos pacientes, perdendo outros, lembrando situações parecidas que você viveu... Isso tudo mobiliza bastante todos nós. Com a pandemia, vimos um agravamento das ansiedades de quem trabalha no contexto hospitalar. No início, a maior demanda que recebemos no psiCOVIDa era de quem trabalhava aqui, não de pacientes. Porque, naquele primeiro momento, as pessoas estavam muito aflitas, sem saber como ia progredir e como se proteger. Tudo era novidade. Tornou-se ainda mais importante ter esse cuidado com quem cuida -, finaliza.
Unidade de Comunicação Social (UCS)