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ENFERMAGEM
“EU, ENFERMEIRO”: humanização além do trabalho técnico no cuidado com a saúde da mulher
O Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) busca sempre fazer um serviço humanizado e com acolhimento durante e após o contato com os usuários, principalmente quando o assunto é saúde da mulher. A unidade é referência neste tipo de atendimento. Na série “Eu, Enfermeiro” de hoje trazemos o trabalho de enfermeiros alinhados com esse objetivo de cuidado mais próximo com as pacientes do hospital. No apoio a esses profissionais, há a Divisão de Enfermagem, empenhada em construir, junto à gestão do hospital, uma assistência cada vez melhor.
- A Divisão de Enfermagem, pensando na busca contínua pela melhoria assistencial e na humanização junto à mulher, faz a integração do enfermeiro dentro da área de saúde no processo assistencial. Nosso objetivo é dar suporte técnico, psicológico, humanizado e específico no atendimento e no acolhimento da mulher que chega ao HUAP. Porque esse trabalho deve ser único -, comenta a Chefe da Divisão de Enfermagem do hospital, Fabiana Braga.
A Maternidade do HUAP atende cerca de 50 pacientes por mês, tendo foco em casos de gravidez de risco, como mulheres com hipertensão, diabetes, adolescentes, entre outras, ou quando se diagnostica alguma alteração no feto. O enfermeiro André Guayanaz, que trabalha há 18 anos no hospital, a partir de 2016, levou algumas ideias de mudanças para a Divisão de Enfermagem, que começaram a ser implantadas já naquele ano no hospital, como a inserção do acompanhante durante o parto, além da inclusão de métodos não farmacológicos.
- Aqui não entrava acompanhante, então começamos a inseri-lo, abrindo para os pais no parto e pós parto. Além disso, agora temos banho quente, banheira, banqueta e bola, a fim de ampliar as possibilidades para a grávida durante o parto. Elas podem comer durante o trabalho de parto, que antigamente também não podia. As pacientes, hoje, têm um ambiente melhor para parir. São pequenas coisas que fazem a diferença -, afirma André, que é Coordenador da Assistência de Enfermagem do setor e que vai iniciar, em breve, um trabalho de pré-natal no ambulatório.
De acordo com André, humanizar é dar informações à paciente. Por isso, é preciso dizer a ela cada momento pelo qual vai passar durante o parto, tirando todas as dúvidas e explicando que aquilo que ela está passando é normal, para que não se desespere. “Eu tento fazer esse ambiente o mais acolhedor possível até o momento do nascimento, como deixar a luz como a gestante preferir ou colocar música se ela gostar. A mulher tem que escrever uma história boa dessa gestação. Se você não cria um ambiente propício, a recordação desse momento vai ser estressante”. O enfermeiro pontua que, hoje, elas saem mais satisfeitas e felizes, principalmente por conta da informação.
“O meu trabalho é ser um ouvido, é acolher a paciente”
Na Mastologia do HUAP, esse acompanhamento mais próximo à paciente dura cerca de um mês. E a enfermeira Ana Bruno faz questão que este tempo seja o mais acolhedor possível para a mulher. Em 2017, quando começou a reestruturar o setor de cirurgia feminina, viu de perto pacientes com câncer de mama. Após o evento de outubro rosa daquele ano, iniciou conversas sobre o trabalho de humanização e cuidado com a mulher. O convite para ir para a Mastologia veio em seguida.
- A Fabiana Braga e o André Valejo, que era Chefe da Mastologia na época, pediram que eu fosse para o setor. Ainda que minha praia fosse a cirurgia, resolvi aceitar esse desafio, porque, muitas vezes, é difícil o enfermeiro se inserir em certos grupos. Não quis perder essa oportunidade. Eu sentia falta de orientação e direcionamento para as pacientes. Então, comecei a acompanhar e me inteirar, seguindo a linha de trabalho do cuidado e do acolhimento individualizado -, explica Ana, que atua no HUAP há 36 anos.
O trabalho é não só no hospital, como também à distância. O celular se torna o meio de comunicação entre enfermeira e pacientes. Ana assegura que cada caso é bem particular, mas que, em todas as situações, ela fica próxima a essas mulheres. O acolhimento é feito seguindo o fluxo de atendimento. Primeiro chegam para confirmar a suspeita de câncer. Após o diagnóstico, passa por um processo que vai gerando ansiedade nas pacientes. Nesse momento, há a tensão de se livrar do tumor, e, por este motivo, o apoio da enfermeira é fundamental.
- O meu trabalho é ser um ouvido, é acolher a paciente. Eu me conecto desde o ambulatório e pego o telefone delas para que tirem dúvidas. São muitas informações que recebem aqui, e depois em casa surgem novos questionamentos. No período de internação, eu acompanho a chegada de cada uma, e, no dia seguinte à cirurgia, faço a orientação da alta. Quando completa um mês, elas vão para a Oncologia, que é outra realidade. Eu queria ter perna para seguir com elas depois que saem da Mastologia. Só que são muitas e acabo me perdendo delas -, complementa a enfermeira.
Histórias que marcaram os enfermeiros
Alguns casos marcaram os dois profissionais nesse trabalho de humanização. André recorda uma gestante que precisou de uma boa conversa e tranquilidade para que seu bebê conseguisse nascer. Ana lembra a paciente que decidiu não fazer uma cirurgia de mama, pois estava grávida e não queria arriscar. Nas duas situações, o acompanhamento próximo dos enfermeiros fez toda a diferença para o desfecho positivo. Esses momentos mostram, ainda, que é preciso identificar o que a mulher realmente necessita e deixa-la como protagonista da sua história.
- Cheguei a um plantão e me informaram que a paciente estava em trabalho de parto, dizendo que não aguentava mais e que só aceitava fazer cesárea. Resolvi conversar e entendi que, na cabeça dela, não ia ter como ser parto normal. Ela estava travada, com contrações irregulares e, assim, realmente não ia sair, mesmo com o bebê já lá embaixo. Eu disse à paciente que faríamos a cesárea, então a levantei, levei para o chuveiro e a tranquilizei. Durante o banho, em 30 minutos, o bebê nasceu. Quando o maqueiro chegou, ele já estava mamando -, conta André.
- Teve um caso de uma gestante que chegou ao HUAP com câncer de mama. A mama cresceu monstruosamente e ela não queria operar enquanto estava grávida. Ela teve o neném muito bem e, posteriormente, conseguiu fazer a mastectomia. Um tempo depois, ela reconstruiu a mama e está muito feliz. Isso tem dois anos. Por várias vezes, foi solicitado que fizesse a cirurgia, mas ela não queria, ou seja, pôs a conta e risco. Nem sempre dá certo, nem sempre dá tempo. No caso dela, ainda bem que deu -, conta Ana.
*Outros profissionais que também fazem trabalhados importantes voltados para a saúde da mulher: Enfermeiras Maria Bertilla e Raquel Lima, no Banco de Leite; Enfermeira Renata Loureiro e Técnica em Enfermagem Márcia Alves, no Ambulatório de Ginecologia, Pré-natal e Puerpério.
Unidade de Comunicação Social (UCS)