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“EU, ENFERMEIRO”: enfermeiros relatam desafios e gratidão nos cargos de liderança do HUAP
Estar em cargos de liderança é sempre um desafio para os profissionais, ainda mais no ambiente hospitalar. É o caso de alguns enfermeiros do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP/Ebserh), que chefiam unidades assistenciais, como Ambulatório, Centro Cirúrgico e Emergência. A série “Eu, Enfermeiro” traz, em novembro, um pouco sobre essa rotina e a importância do enfermeiro neste tipo de atuação. O apoio vem da Divisão de Enfermagem, que entende a função como administrativa, mas unida ao cuidado indireto e à assistência:
- O modelo de gestão da Ebserh é muito inclusivo e permite que, de forma muitiprofissional, várias categorias profissionais possam assumir funções gerenciais. Muitas vezes, achamos que a burocracia é algo distante do cuidado. Mas não, ela está diretamente ligada. Entendemos a implantação das unidades como um grande avanço de gestão. E o enfermeiro tem a visão do todo, podendo gerir os profissionais, mas sempre com o objetivo do cuidado. O usuário é o nosso foco. -, comenta a Chefe da Unidade de Assistência Integrada, enfermeira Viviane Martins.
Há cerca de quatro meses, a enfermeira Cecília Teixeira recebeu o convite para chefiar a Unidade de Ambulatório. No Antônio Pedro desde 2003, ela considera que seu conhecimento de 18 anos de HUAP faz com que tenha muito a entregar, ainda mais considerando que atua em cargos de liderança desde 2010. O passo inicial quando aceitou o desafio foi fazer um diagnóstico situacional da unidade, que não existia até então.
- Primeiro precisei me ambientar para depois iniciar um plano de trabalho. Eu vou trabalhar em cima da metodologia PDCA, que é administrativa. Além disso, vou trabalhar a partir de indicadores de saúde, que é por onde conseguirei traçar metas para resolução dos problemas. Quando eu faço o diagnostico, já começo a ver por qual caminho eu seguirei. Como tenho experiência prévia em gestão, consigo entender que a teoria é diferente da prática, e isso é o que vou utilizar para gerenciar todas as situações -, esclarece a enfermeira.
O fato de a equipe ser multiprofissional não é um problema para Cecília, pelo contrário. Ela pretende usar isso como um facilitador, levando o ‘know how’ da enfermagem para aplicar dentro da realidade de trabalho de cada um. “A nossa formação se difere das outras áreas de saúde, porque visa mais a orientação e a prevenção, junto à assistência. Além disso, o enfermeiro trabalha em diversos setores e está acostumado a solucionar conflitos. Eu amo o que eu faço, e isso é meio caminho andado para você se sentir realizado”, finaliza.
No Centro Cirúrgico, foco é em trabalho de gestão aliado ao assistencial
Odilon Branco é chefe da Unidade de Centro Cirúrgico desde meados de 2020. Ele atua no HUAP há 19 anos, tendo passagem por diversos setores do hospital, inclusive em cargos de gestão. Segundo Odilon, além da responsabilidade com os pares, que são os enfermeiros e técnicos de enfermagem, também existe a função de chefiar a área médica. Para Odilon, essa bagagem mais administrativa é fundamental para que hoje ele esteja na chefia de uma unidade tão importante:
- Meu período de trabalho no Antônio Pedro foi sempre com bastante visão, tanto assistencial, quanto administrativa. Mas acho que o enfermeiro não consegue ser um profissional administrativo sem ter o olhar para o assistencial. Afinal, o foco é sempre no paciente. Eu tenho um desejo muito grande no meu dia a dia de estar próximo ao usuário. Isso é primordial para mim. Ser enfermeiro é assistir. Não tenho como fazer a parte administrativa sem entender o processo de trabalho.
O enfermeiro chama o cargo de “grande desafio” por dois motivos. O primeiro foi por não ter a vivência cirúrgica. E o segundo foi por se tornar uma referência administrativa. O foco do trabalho é no processo único para o usuário SUS. A proposta é trazer melhoria tanto ambiental, quanto de convivência entre os colaboradores. E mesmo após pouco mais de um ano, Odilon já teve retorno sobre sua atuação na chefia:
- O reconhecimento profissional é muito importante. Cheguei em 2020 e com um mês mais ou menos eu já tinha recebido feedback de pessoas que perceberam a mudança com a presença de uma pessoa com visão diferenciada. Esse triângulo que a gente tem que atender (usuário, profissional e instituição), deve ser acompanhado de equilíbrio emocional e estrutural. Dessa forma, não fica tendencioso para um lado ou para o outro.
Mapeamento do serviço é chave para construir trabalho de gestão na Emergência
No HUAP desde 2018, o enfermeiro André Brites entrou na Unidade de Urgência e Emergência e de lá não saiu até o momento. Há dois meses, ele recebeu o convite para ser chefe no local e ficou surpreso por ser o escolhido. Honrado por ter sido lembrado pela governança, o profissional explica que tem muito apoio tanto da Gerência de Atenção à Saúde, quanto da Divisão de Enfermagem. De acordo com André, a Emergência precisa ser reestruturada no seu serviço.
- O chefe atua como gestor da equipe multiprofissional, e isso é bastante desafiador. Eu quero fazer um trabalho de construção, buscando solucionar os problemas que temos hoje, propondo indicadores, trazendo um mapeamento de quais serviços temos e chegando a resultados. É a partir disso que conseguiremos traçar um plano de trabalho. Meu objetivo é fazer uma gestão colaborativa, ouvindo as demandas dos profissionais que estão na ponta e dando identidade à Emergência, com busca de melhoria da assistência aos pacientes -, complementa o enfermeiro.
Unidade de Comunicação Social (UCS)