Notícias
Nutricionista do HU-UFSCar explica sobre transtornos alimentares
Estima-se que mais de 70 milhões de pessoas sejam afetadas por um transtorno alimentar, incluindo anorexia, bulimia, transtorno de compulsão alimentar, dentre outros. Estes transtornos têm a maior taxa de mortalidade de qualquer doença psiquiátrica, segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria.
Confira mais sobre o tema com a nutricionista do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), Elaine Gomes da Silva. O HU-UFSCar, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realiza eventualmente atendimento de pacientes com transtorno alimentar, por meio do Ambulatório de Nutrição, com auxílio da psiquiatria e de médicos clínicos e envolve, além dos profissionais, docentes da UFSCar, estudantes e residentes médicos e multiprofissionais. Além dos casos graves, através da internação, em decorrência dos transtornos alimentares.
Quais transtornos alimentares são mais comuns?
Transtornos alimentares consistem em alterações graves do comportamento alimentar que se caracterizam por alterações no modo como as pessoas se alimentam. Este comportamento tem o objetivo da perda de peso, imagem corporal, e prática de atividade física. Os transtornos alimentares mais comuns são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP). Além desses, também observamos com frequência o transtorno alimentar restritivo/evitativo (TARE), mais prevalente em crianças e adolescentes, e outros quadros como o purgativo sem compulsão, a ortorexia entre outros comportamentos alimentares desadaptativos. Cada um desses apresenta manifestações clínicas específicas, mas todos caracterizam-se por um sofrimento psíquico e prejuízo funcional.
Quais tipos de transtornos alimentares levam a quadros mais graves?
A anorexia nervosa é considerada o transtorno alimentar com maior risco de complicações graves, incluindo desnutrição severa, distúrbios hidroeletrolíticos e cardiovasculares, além de apresentar uma das maiores taxas de mortalidade entre os transtornos psiquiátricos. Em muitos casos, a internação hospitalar é necessária para manejo clínico intensivo e reabilitação nutricional.
A bulimia nervosa está associada a vômitos autoinduzidos frequentes ou uso crônico de laxantes e diuréticos, também pode demandar internação devido a complicações metabólicas, como hipocalemia severa.
Já o transtorno de compulsão alimentar periódica tende a apresentar gravidade clínica em função das comorbidades associadas, como obesidade grave, diabetes tipo 2 e depressão, podendo requerer internação em alguns casos específicos.
A vigorexia, também chamada de transtorno dismórfico muscular, é uma condição psicopatológica caracterizada por uma preocupação obsessiva com a aparência física, especialmente com o tamanho e definição muscular. Indivíduos com esse transtorno tendem a se ver como pequenos ou insuficientemente musculosos, mesmo quando possuem uma musculatura bem desenvolvida. Trata-se de um subtipo do transtorno dismórfico corporal (TDC), descrito no DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).
No caso de internação, como é feito esse acolhimento?
O acolhimento em internação para transtornos alimentares deve ser feito em ambiente especializado, com protocolos estruturados para suporte clínico, nutricional e psicossocial. O objetivo principal é garantir segurança clínica, estabilizar o estado nutricional e iniciar intervenções terapêuticas intensivas.
O processo inclui:
- Monitoramento constante da segurança do paciente, sinais vitais, exames laboratoriais e peso corporal.
- Plano alimentar progressivo, elaborado por nutricionista especializado, respeitando a tolerância fisiológica, risco de síndrome de realimentação, dentre outras alterações clinicas
- Psicoterapia individual e em grupo, voltada para motivação à mudança e enfrentamento dos sintomas.
- Acompanhamento psiquiátrico para avaliação e manejo de comorbidades como depressão, ansiedade e risco suicida.
- Acompanhamento clínico para avaliação e manejo das alterações clínicas, distúrbios hidroeletrolíticos comuns nestas condições.
- Apoio familiar e planejamento da alta com estratégias de continuidade do cuidado ambulatorial.
A internação deve ser entendida como um recurso terapêutico temporário dentro de um plano de cuidado longitudinal, não como um fim.
Existe tratamento eficaz para transtornos alimentares?
Sim, existem tratamentos eficazes para os transtornos alimentares, baseados em uma abordagem multiprofissional. O acompanhamento psicológico é essencial, com destaque para a psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC), que tem forte evidência na redução dos sintomas alimentares e melhora do funcionamento global.
Além do psicólogo, a equipe deve incluir nutricionista, psiquiatra, médico clínico, e quando necessário, enfermeiros, fisioterapeutas e outros profissionais. O nutricionista atua no manejo nutricional individualizado, respeitando o estágio do transtorno, promovendo a reeducação alimentar e contribuindo para a normalização do comportamento alimentar.
A família também é parte central do processo terapêutico, especialmente em adolescentes.
Rede Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar) faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde outubro de 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.