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MÊS DA MULHER
Atendimento beneficia pacientes com alto risco de câncer de mama
Ambulatório pioneiro na região oferece exames de alta complexidade, como a ressonância magnética
Publicado em
22/03/2019 15h17
Atualizado em
31/10/2022 08h26
A promoção da saúde da mulher é um dos objetivos do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH). Por isso, a instituição oferece atendimento diferenciado à população, amparando mulheres que possuem alta probabilidade de diagnóstico de câncer de mama no futuro. O ambulatório de alto risco é um dos pioneiros em Minas Gerais, e disponibiliza, além do acompanhamento médico, o agendamento de exames para complementar a mamografia, como a ressonância magnética.
De acordo com o mastologista Bruno Laporte, responsável pelo ambulatório, são consideradas pacientes de alto risco aquelas que têm predisposição genética para a doença. “São mulheres com histórico familiar de câncer de mama de primeiro grau, como mãe, avó, tia, antes dos 50 anos”, esclarece. Outros fatores são o histórico de câncer de ovário, diagnóstico de lesões pré-câncer ou realização de radioterapia no tórax entre 10 e 30 anos, devido a linfoma. “Por conta disso, elas têm até 80% de chance de desenvolver câncer de mama na idade futura”, acrescenta o médico.
Por isso, o HU-UFJF/EBSERH disponibiliza exames mais completos. “A mamografia, sozinha, é insuficiente para as pacientes de alto risco. O ideal é associá-la à ressonância magnética”, destaca o mastologista. Uma paciente habitual faz a mamografia a partir dos 50 anos; nas pacientes de alto risco, o ideal é iniciar a prevenção a partir de 25 ou 30 anos, a depender do caso, de acordo com o médico.
Diagnóstico e autoconhecimento
O responsável pelo ambulatório de alto risco defende que toda mulher deve passar por um processo de autoconhecimento para saber se ela se enquadra no quadro de alto risco em câncer de mama. “Toda mulher, a partir dos 25 anos, precisa conversar com os familiares para saber da sua origem. Assim, ela vai ter um ponto inicial para se cuidar mais e realizar melhor o tratamento, se for o caso”, acentua Bruno Laporte.
Uma das primeiras pacientes do ambulatório de alto risco, Mônica Almeida, de 51 anos, concorda com o especialista. Ela foi diagnosticada com a primeira alteração na mama em 2017. “Eu sabia que existia um histórico familiar de câncer de mama. Minha mãe e minha tia tiveram. Porém, acabei caindo no senso comum de fazer somente a mamografia e não investigar a fundo”, explica.
Mônica foi encaminhada para o ambulatório do HU pela Unidade Básica de Saúde, e hoje é acompanhada pela equipe do Hospital Universitário. “Cuidem-se, mulheres. Procurem conhecer a história familiar, amem-se. Porque o diagnostico não é brincadeira, mesmo com suporte psicológico. Isso me afeta muito, mesmo depois da reconstrução da mama. A nossa saúde deve ser nossa prioridade”, aconselha.
Os encaminhamentos para os atendimentos gratuitos no HU-UFJF/EBSERH são realizados pelas Unidades Básicas de Saúde.
Câncer de mama
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de câncer de pele não melanoma, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No país, esse percentual é de 29%.
Para Bruno Laporte, vários fatores contribuem para o surgimento da doença, como a qualidade de vida, alimentação, controle de peso e controle da ingestão de álcool. O grupo de alto risco corresponde a 10% dos casos de câncer de mama em mulheres, decorrentes de questões hereditárias genéticas.
Bolsista: Franciane Freitas.