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SAÚDE DA MULHER
Ações para colaboradoras e pacientes dão dicas sobre saúde
Profissionais do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH) realizaram diversas ações referentes à saúde da mulher dirigidas a funcionárias e pacientes das unidades do hospital para lembrar o Outubro Rosa.
Sobre a temática “câncer”, foram ministradas as palestras “Câncer de pele e a importância da fotoproteção” e “Outubro Rosa, vida colorida” exclusivamente para as colaboradoras do hospital nas Unidades Dom Bosco e Santa Catarina. Segundo a enfermeira do setor de Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho do HU-UFJF Taisy Sampaio, os encontros têm como objetivo abordar temas relevantes na área da saúde, por meio de atividades educativas, a fim de promover o autocuidado.
Durante o encontro, a dermatologista Annair Freitas do Valle chamou a atenção das mulheres presentes sobre a importância da detecção precoce do câncer de pele: “Quanto mais precocemente for detectado, maiores serão as chances de cura. É preciso estar atento a todo tipo de alteração percebida na pele, seja o surgimento de uma pinta, mancha, feridas que não cicatrizam, ou mesmo a evolução, (aumento) de uma pinta que o indivíduo possui desde o nascimento. O ideal ao perceber essas alterações é procurar um profissional médico, com o propósito de investigar o caso,” explica.
A médica lembrou que o sol é importante para a nossa saúde, porém devemos tomar cuidado com a exposição inadequada, pois as radiações infravermelhas e ultravioletas (UVA e UVB) são perigosas. Tal processo pode não ser percebido de imediato, os resultados são cumulativos, a radiação recebida até os 20 anos de idade acompanha a pessoa pelo resto da vida. Os danos imediatos são as queimaduras, processos inflamatórios da pele que causam dor e ardência, desidratação, insolação associado a sintomas como cefaleia, náuseas e vômitos. Já as complicações a longo prazo são envelhecimento precoce da pele, que pode levar a formação de manchas, ressecamento e surgimento de linhas de expressão.
Annair Freitas chama atenção para as formas de proteção: “É preciso usar o protetor solar diariamente com fator igual ou maior que 30, independentemente da cor da pele e do clima, faça sol, chuva ou em dias nublados. Para a absorção de vitamina D (essencial para o organismo), basta expor-se ao sol, nos horários permitidos, durante 15 minutos, três vezes por semana. Não se pode esquecer do uso de protetor labial, aplicação de fotoprotetor nas áreas não expostas, como a parte de trás das orelhas e, na cabeça, para os casos de homens calvos”.
O segundo momento do encontro foi conduzido pela ginecologista e obstetra do HU-UFJF Aline Franco, que discursou sobre a importância da prevenção do câncer de mama por meio do rastreio ou método investigativo. A médica falou sobre a necessidade de dialogar sobre essa temática com colaboradores do hospital: “A ideia é conscientizar os profissionais de saúde e fomentar ações de autocuidado. Devido à rotina intensa do dia a dia, eles esquecem de cuidar da própria saúde. Além disso, colaboradores tornam-se multiplicadores desta ação e passam a transmitir o que aprenderam para familiares e amigos. Devemos orientar as mulheres a todo tempo, não somente em outubro, mês dedicado à prevenção do câncer de mama, mas sempre que tivermos a oportunidade", completa Aline.
A ginecologista lembra que o Ministério da Saúde (MS) recomenda que a mamografia de rastreamento (exame realizado quando não há sinais suspeitos) seja ofertada para as mulheres de 50 a 69 anos a cada dois anos. Assim, aumentam as chances de cura se algum tipo de anormalidade for detectada no início. Porém, se determinada irregularidade for percebida, o exame deve ser executado em qualquer faixa de idade.
Importante destacar que os estudos da medicina para a área de tratamento do câncer de mama evoluíram muito. Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são altas e giram em torno de 96%, mas isso só ocorre quando o controle, ou seja, o método de rastreio é realizado corretamente. Por isso, é imprescindível que as mulheres realizem o exame de mamografia a partir dos 40 anos, pois existe maior probabilidade para a ocorrência da doença a partir dessa idade. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece o exame e alerta para a importância do check-up. Em alguns casos, pode haver algum nódulo imperceptível ao toque (com menos de um centímetro), sendo detectado apenas com a mamografia.
Logo, a consulta ao mastologista é importante para a mulher. A mastologia é uma especialidade que se dedica ao estudo, prevenção, diagnóstico e tratamento das glândulas mamárias. O profissional irá fazer um levantamento do histórico familiar da paciente e realizar testes genéticos, com o intuito de verificar se a pessoa é propensa a desenvolver a doença. Em casos específicos, é recomendado que se façam exames de rastreio de seis em seis meses.
Saberes e papéis femininos
Além das palestras ministradas pelas dermatologistas e ginecologistas, outro encontro, uma roda de conversa, reuniu colaboradoras do HU para discutir a respeito das representações do feminino na sociedade.
O encontro aconteceu na Unidade Dom Bosco e foi conduzido pela enfermeira obstetra e professora do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) Geísa Sereno. Intitulado “Dialogando sobre os Saberes Femininos”, o objetivo do encontro foi discutir, juntamente com enfermeiras, médicas, estudantes e pessoas interessadas na área, sobre os deslocamentos do feminino e os diversos papéis e lugares da mulher na sociedade contemporânea. Temas como dupla jornada de trabalho, sexualidade, atuação profissional e maternidade foram abordados no decorrer da palestra.
O diálogo se baseou em três pilares: o pessoal, o profissional e o familiar. A partir desses temas, foi possível compreender como o papel desempenhado pela mulher vem ganhando novos significados ao longo do tempo. A palestra também falou a respeito do lugar do corpo feminino sob uma perspectiva histórica, explicando as diversas relações sobre as quais tal corpo foi submetido e como isso foi se ressignificando ao longo do tempo. Além disso, destacou-se como as posições ocupadas pela mulher se modificaram a partir de diversas questões como a inserção no mercado de trabalho, a conquista de direitos, a independência financeira, entre outros motivos que contribuíram para a remodelação de tais construções.
Ao longo da conversa, houve uma dinâmica mediada pela palestrante, que consistia em definir qual o significado de ser homem e mulher na sociedade atual, abrindo um espaço de discussão sobre as construções sociais e os papéis desempenhados por ambos.
Aprender brincando
Para pacientes do HU, a última semana do Outubro Rosa teve um jogo de perguntas e respostas sobre saúde da mulher, organizado por membros da Liga Acadêmica de Ginecologia e Obstetrícia nas salas de espera dos ambulatórios da Unidade Dom Bosco. Os estudantes de medicina apresentam afirmativas – reais ou falsas –, e as pacientes participantes respondem tratar-se de uma verdade ou um mito. O objetivo da ação é conscientizar a respeito do câncer de mama, de sua prevenção, e refutar alguns mitos que são espalhados, principalmente nas redes sociais, promovendo a educação em saúde.
Além da referida doença, foram abordadas questões acerca do câncer de colo de útero, infecção urinária e saúde da mulher em geral. A estudante de medicina Ana Isabel Ladeira afirma que, dentre as questões levantadas, uma das que mais chamam a atenção das participantes é a de que o desodorante aerosol causaria câncer: “essa informação foi difundida, e muitas pessoas pensam ser verdade, mas é um mito”. Outro ponto polêmico é sobre a realização de ducha vaginal – a lavagem do canal vaginal com uma solução de água e antisséptico. A também estudante de medicina Maria Clara Moreira explica que a prática acaba provocando o efeito contrário, pois “favorece a multiplicação de bactérias, podendo gerar infecções, não sendo, assim, um método saudável”.
Segundo as integrantes da Liga, a difusão dessas informações leva as mulheres a se preocuparem mais com a própria saúde. De acordo com Maria Clara, o público tem participado e reagido intensamente: “As mulheres têm comentado que aprendem bastante com a ação. Muitas coisas abordadas aqui quebram com o que pensavam antes, isso elas acham interessante”, conclui a estudante.
Bolsistas: Jacqueline Silva, Camila Wendling e Leandro Carneiro.