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DIAGNÓSTICO PRECOCE
HU-UFJF realiza mutirão de colonoscopia
Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) com sintomas sugestivos de Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa, como diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso, presença de sangue ou muco nas fezes, foram convidados a participar de um mutirão de colonoscopia no sábado, dia 23 de setembro, com objetivo diagnóstico.
O Mutirão de Rastreio de Doença Inflamatória Intestinal contemplou 22 pacientes e aconteceu das 7 às 18 horas, no Centro Cirúrgico do Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF, sob gestão da Ebserh). Trata-se de uma ação conjunta com a Organização Brasileira de Doença de Crohn e Colite ( GEDIIB ), entidade não governamental que promove ações em várias cidades brasileiras além de estudos para diagnóstico e tratamento multidisciplinar sobre doença inflamatória intestinal.
Como explica a responsável técnica pelo Serviço de Endoscopia do HU-UFJF, a médica Laura Halfeld, o objetivo foi conscientizar a população sobre a doença e auxiliar no diagnóstico. O evento mobilizou vários setores do Hospital Universitário, a exemplo de médicos preceptores e residentes dos Serviços de Gastroenterologia, Endoscopia e Anestesiologia e equipe de Enfermagem, além da médica Eloá Morsoletto, que coordena a área de Endoscopia do GEDIIB.
A paciente Malvina de Lourdes Gonçalves, 66 anos, estava na lista do mutirão. Ela chegou às 7 no HU e saiu às 11h. Convive com a Doença de Crohn há 35 anos e faz o tratamento no HU há cinco anos. “Eu agradeço muito estar aqui, onde encontrei os médicos, os enfermeiros, são todos muito gente boa”, afirma.
A médica Liliana Chebli, professora da disciplina de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da UFJF, coordenadora do Ambulatório de Doença Inflamatória Intestinal e sócia titular do GEDII, explica a dimensão da iniciativa para os pacientes do SUS: “é uma ação muito importante, porque pegamos os pacientes que estavam na lista de espera de colonoscopia no SUS com suspeita de doença inflamatória intestinal. Eles foram triados a partir de sintomas como diarreia, dor abdominal, sangramento nas fezes, emagrecimento, exame de fezes e agora complementamos com colonoscopia. Foi ótimo, porque também já descobrimos lesões pré-neoplásicas, que foram retiradas, e confirmações de doença inflamatória intestinal”.
A especialista observa um aumento dos casos de doença inflamatória intestinal na população. Embora a Doença de Crohn seja genética, alguns gatilhos podem desencadear a entrada em atividade, como tabagismo, uso de muito antibiótico e infecção intestinal. Não tem como prevenir, mas controlar, assegura Liliana. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor o tratamento, que é feito com comprimidos, imunossupressores e imunobiológicos. A depender da gravidade, o paciente faz uso da medicação por toda a vida, tudo fornecido pelo SUS.
Fotos: Exame sendo realizado e, da esquerda para a direita, as médicas Liliana Chebli, Eloá Morsoletto, Laura Halfeld, o residente Antonnielle Fernandes e o enfermeiro Christoff Valério
A médica Eloá Morsoletto, do GEDIIB, veio de Curitiba para o mutirão. Ela reforça o objetivo do mutirão de prevenir a doença a partir do diagnóstico precoce: “A pessoa com doença intestinal inflamatória tem o sistema imunológico diferente, e a qualquer momento pode aparecer um gatilho para desenvolver a doença. O mais comum é isso acontecer no adulto jovem, da segunda à quarta década de vida, mas pode aparecer em criança e, num segundo grupo que engloba o idoso, na quinta e sexta década de vida”.
Ela destaca dois problemas comuns para o diagnóstico e tratamento. O primeiro é a dificuldade dos jovens procurarem atendimento quando apresentam sinais de problema. “A doença tem uma característica, que são as crises, e nós médicos chamamos de atividade inflamatória. Ela vem e de repente melhora sozinha, e a pessoa acha que não era nada demais, apenas uma infecção intestinal ou hemorroidas. Depois tem outra crise, faz úlceras que vão sendo cicatrizadas e deformando o local”, explica.
Outra dificuldade é a demora em se ter o encaminhamento para um serviço especializado. Às vezes, o paciente fica dois, três anos com sintomas, aguardando. Se começar o tratamento precoce, tem menos complicações, menos hospitalização e cirurgia. Os médicos dos postos de saúde têm que ser alertados e os pacientes com sinais devem procurar atendimento o mais rápido possível, frisa.
“A gente se mobilizou para estar aqui neste sábado, porque tivemos a dimensão da importância que era poder contribuir com os pacientes em relação a dar uma celeridade na fila de exames”, afirma o enfermeiro Christoff Valério, chefe da equipe de enfermagem da Endoscopia. “Sabemos o quanto o mutirão pode impactar no dia a dia dos pacientes, então todo mundo se dispôs e ficou bem animado com a possibilidade de conseguir adiantar um diagnóstico e o tratamento o quanto antes, para garantia de melhor qualidade de vida. Somos oito da equipe de enfermagem aqui hoje, da Endoscopia e do Centro Cirúrgico, além de profissionais médicos, da Farmácia, Higiene e Limpeza, foi uma força tarefa de vários setores em prol do mutirão. Por volta de 20 a 25 pessoas envolvidas”, acrescenta.
O residente de Endoscopia Digestiva Antonnielle Fernandes trabalhou pela primeira vez em um mutirão de exames no HU. Para ele, é uma oportunidade de conseguir fazer um rastreio de uma doença muito silenciosa e pouco diagnosticada. “Com o mutirão, a gente abrange o maior número de pacientes com sintomas e que têm dificuldade de acesso ao exame de colonoscopia, fazemos o rastreio para diagnosticar precocemente e começar o tratamento”, conclui.
Sintomas:
. Diarreia;
. Cólica abdominal;
. Febre;
. Sangramento retal;
. Perda de apetite e perda de peso;
. Dores articulares;
. Lesões na pele;
. Lesões da região anal, incluindo hemorroidas, fissuras, fístulas e abscessos.
Diagnóstico:
. O diagnóstico da Doença de Crohn é feito, basicamente, por meio de exames de imagem (raio X, endoscopias) e exames de sangue.
Tratamento:
. O tratamento deve ser feito em etapas. Existe um sistema de mensuração da atividade da doença baseado no número de evacuações, dor abdominal, indisposição geral, ocorrência de fístulas e de manifestações patológicas à distância, que permite classificar a doença em leve, moderada ou grave. Se a doença é leve, o clínico apenas acompanha a evolução do paciente.
Toda a terapêutica, porém, se volta para reprimir o processo inflamatório desregulado. Os medicamentos disponíveis atualmente reduzem a inflamação e controlam os sintomas, mas não curam a doença.
Dieta na Doença de Crohn
Apesar de a alimentação não ser a causa dessa doença, é fato que alimentos suaves e brandos agridem menos que os alimentos condimentados ou ricos em fibras, principalmente quando a doença está na fase ativa.