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OUTUBRO ROSA
Prevenção do câncer de mama envolve hábitos de vida saudáveis e exames de rotina
Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre a prevenção ao câncer de mama. O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/Ebserh) desenvolve uma série de ações para lembrar a data. A seguir, as médicas Estela Laporte e Aline Coelho esclarecem sobre prevenção e tratamento do câncer de mama.
Estela Laporte – mastologista do HU-UFJF
Como as mulheres podem se prevenir do câncer de mama?
O câncer de mama é uma doença de causa multifatorial, ou seja, vários eventos estão envolvidos no desencadeamento da doença. Fazer mamografia, por exemplo, diminui a mortalidade por câncer de mama quando faz diagnóstico precoce da doença, e deve ser realizada de rotina em mulheres dentro da faixa etária preconizada. Mas a mamografia não evita que a doença ocorra, assim como nenhum outro exame de imagem de mama o faz.
Atualmente muito se fala em prevenção, e para isso é necessário adotar algumas medidas. Hábitos alimentares, incluindo o consumo de álcool e sedentarismo levam ao sobrepeso; logo, atuar nesses fatores de risco modificáveis contribui na prevenção do câncer de mama.
O ideal é manter uma alimentação rica em alimentos de origem vegetal e com boas fontes de proteínas, e pobre em alimentos ultraprocessados, com gordura saturada e cheios de açúcar. O consumo de bebidas alcoólicas está envolvido no desenvolvimento de diversos tipos de câncer, incluindo o de mama, e há uma relação direita com o tempo de exposição e a dose ingerida. Quando se trata de prevenção, não há níveis seguros de ingestão.
A atividade física regular ajuda na regulação hormonal e na manutenção do peso corporal. Cada vez mais se tem evidências da atividade física como fator protetor, tanto no desenvolvimento do câncer de mama, quanto na redução do risco de recidiva nas pacientes que já passaram pela doença. A prática de pelo menos 30 minutos diários é uma recomendação bem difundida, mas existem evidências de que mesmo por menos tempo há benefício.
O sobrepeso é um fator de risco importante, principalmente na pós-menopausa, por aumentar os níveis de estrogênio circulantes, sendo assim uma condição importante a ser evitada quando estamos falando em prevenção de câncer de mama.
A partir de um diagnóstico de câncer de mama, o que a mulher deve fazer?
Receber um diagnóstico de câncer de mama não é uma situação fácil, mas não deve ser encarado como uma sentença. Na maioria das vezes, os casos são curáveis, tendo relação direta com o diagnóstico precoce da doença. Quanto mais cedo o tumor for diagnosticado, maiores as chances de cura e preservação da mama, refletindo na autoestima da paciente e na forma como ela encara a doença.
Frente um diagnóstico, a paciente deve procurar suporte para realizar o tratamento necessário. Na grande maioria das vezes, ela já costuma estar vinculada a um serviço, que identificou o exame alterado e solicitou a biópsia. Esse mesmo serviço realiza o tratamento ou encaminha a outro que o faça.
Acredito que a melhor forma de ajudar a paciente a passar pelo tratamento seja de modo multidisciplinar, pois assim se promove um maior acolhimento num momento difícil, e de grande fragilidade emocional. O ideal é que além da equipe médica que irá fazer o tratamento cirúrgico, oncológico e radioterápico, conte também com outros profissionais como enfermagem, técnico de enfermagem, nutricionista, fisioterapeuta e psicólogo, por exemplo.
Um suporte emocional, com reabilitação pós-cirúrgica precoce e orientações nutricionais são de inestimável benefício para essas pacientes, pois conseguem retornar às suas atividades diárias mais rapidamente e com menores chances de sequelas tanto físicas quanto emocionais.
Entrevista – Aline Coelho – mastologista do HU-UFJF
Como as mulheres podem se prevenir do câncer de mama?
Temos três formas de prevenir o câncer em si: prevenção primária, prevenção secundária e prevenção terciária.
A prevenção primária são hábitos de vida (não ingestão de bebida alcóolica, não fazer uso de hormônio por muito tempo (e, quando fizer, ser o mais idêntico possível ao do organismo), ter uma vida mais tranquila e uma alimentação saudável, já que a obesidade e o sedentarismo são fatores de risco para o câncer de mama.
A prevenção secundária envolve o diagnóstico do câncer o mais precoce possível: fazer mamografia anualmente. O ideal é a parir dos 40 anos, mas o SUS libera para rastreio, que é quando a paciente não sente nada, a partir dos 50 anos.
Já a prevenção terciária, que é prevenir para que o câncer de mama seja o mais localizado possível e não complique evitando metástase. O que mata não é o câncer de mama em si, mas as suas complicações: as metástases pulmonares, viscerais (fígado, pulmão), as metástases ósseas e até cerebrais.
A partir de um diagnóstico de câncer de mama, o que a mulher deve fazer?
A partir do diagnóstico do câncer de mama, que pode ser por core biópsia (coleta de material da mama por meio de uma agulha) ou cirurgia, é importante saber qual o tipo de tumor da paciente.
Alguns tumores respondem à cirurgia e outros, à quimioterapia. Por via geral, quando a gente mantém a mama, a paciente vai fazer radioterapia depois do tratamento. O tipo de quimioterapia, e se vai precisar ou não, vai depender de exames de patologia, a chamada imunoistoquímica, para saber qual tipo de receptor esse tumor tem e o tipo de remédio, de quimioterapia de bloqueio que a mulher vai fazer posteriormente. Então, nem sempre o diagnóstico de câncer de mama vem acompanhado de quimioterapia ou radioterapia, depende do tumor, se tem comprometimento nos linfonodos. Dessa forma, é todo um planejamento diferenciado e individualizado feito para cada paciente.