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TECNOLOGIA
Serviço de Fonoaudiologia do HC-UFU integra equipe de pesquisa sobre efeitos da covid-19 na saúde auditiva de bebês e crianças
As pesquisadoras Vivian Azevedo, Isabela Miranda e Lucila França Foto: Cristiano Sobrinho - Unidade de Comunicação Social HC-UFU/Ebserh
Noventa e cinco crianças de 6 meses a 2 anos de idade, filhos de mães que tiveram covid-19 durante a gestação, estão sendo acompanhadas pelo Serviço de Fonoaudiologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU/Ebserh) para avaliar possíveis impactos na saúde auditiva durante o desenvolvimento nos primeiros anos de vida. Este estudo faz parte de uma pesquisa desenvolvida por meio de uma parceria da UFU com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e busca dados sobre o impacto da doença que, por ser nova, ainda traz diversos desafios para a ciência.
Assim que nasceram, as crianças que participam deste estudo foram submetidas ao Teste do Pezinho normalmente e, além das análises que já são realizadas no teste, ainda foi avaliada a presença de anticorpos contra o SARS-CoV-2 no sangue dos bebês. A presença de anticorpos indica que houve aquisição de imunidade passiva ou transmissão vertical durante a gestação. Todos os bebês avaliados neste teste seguiram para a próxima fase da pesquisa que irá acompanhá-los pelos próximos dois anos.
Uma das responsáveis pela pesquisa na UFU, a professora Dra. Vivian Mara Gonçalves de Oliveira Azevedo, docente da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FAEFI-UFU) explicou que um dos objetivos é descobrir dados novos sobre a doença. “Em princípio queríamos descobrir se as crianças já nasceram com anticorpos contra o SARS-CoV-2. Agora nosso objetivo é saber se o vírus tem neurotropismo [tendência para atacar ou afetar o sistema nervoso] por isso vamos acompanhar as crianças por dois anos e avaliar os efeitos que podem ocorrer nesse tempo”, explicou a pesquisadora.
Serviço de Fonoaudiologia no HC-UFU é referência
Ainda com poucos estudos, e quase nenhum conclusivo sobre as implicações da doença no desenvolvimento infantil, a equipe de pesquisa encabeçada na UFU pela Dra. Vivian Azevedo, busca respostas que possam contribuir com o diagnóstico precoce de doenças. Desta forma, para fazer o acompanhamento da evolução da saúde das crianças, o Serviço de Fonoaudiologia do HC-UFU/Ebserh, referência na atenção à saúde auditiva para uma população de mais de três milhões de pessoas na região, foi convidado a fazer parte do grupo e realizar os testes auditivos nas crianças.
A fonoaudióloga e coordenadora do Serviço de Fonoaudiologia no HC-UFU/Ebserh, Lucila de França Martins Oliveira, explicou que este acompanhamento é fundamental pois é nessa fase do desenvolvimento infantil que ocorre o processo de aquisição de linguagem. “Nosso intuito é conscientizar para a prevenção e diagnóstico precoce. Se a criança tem perda auditiva nesta fase da vida, todo o desenvolvimento pode ficar comprometido”, explicou.
São feitos quatro testes simples para avaliar a capacidade auditiva dos bebês. Um deles já é conhecido pelas mães como “Teste da orelhinha” e é realizado rotineiramente nos primeiros dias de vida do recém-nascido. "Basicamente, um aparelho é colocado na orelhinha do bebê e após poucos segundos traz os resultados na tela", explicou a fonoaudióloga Isabela Assunção Miranda, membro da equipe de pesquisadoras.
“É muito gratificante para nós do HC-UFU fazer parte deste estudo. Diariamente já realizamos avaliações audiológicas em crianças e adultos e, poder contribuir com as novas descobertas desta pesquisa é, sem dúvida, uma grande conquista para todos nós” contou Lucila de França.