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CAMPANHA
Janeiro Roxo: Conscientização e Combate à Hanseníase
Arte: Leidiane Campos
No Brasil, a Lei nº 12.135/2009 instituiu o último domingo do mês de janeiro como Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase e, desde 2016, por iniciativa do Ministério da Saúde, o mês de janeiro ganha a cor roxa para organizar ações nacionais de conscientização e prevenção contra a doença que, ainda cercada de preconceitos, tem cura e é tratada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com Isabela Maria Bernardes Goulart, médica e coordenadora do Centro Nacional de Referência em Hanseníase e Dermatologia Sanitária (CREDESH) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada, principalmente, por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae ou “Bacilo de Hansen”, que afeta os nervos periféricos, a pele e outros órgãos.
“A forma de transmissão mais importante para a saúde pública é a transmissão pelas vias aéreas superiores, por meio de gotículas da respiração de pacientes das formas clínicas mais avançadas e sem tratamento”, explica a médica.
Entre os sintomas mais frequentes de hanseníase destacam-se: dormências, formigamentos que costumam ser descritos como “coceiras que não melhoram ao coçar”, sensação de choque e picadas no trajeto dos nervos dos braços, pernas e face, dificuldade de fechar os olhos totalmente e fraqueza muscular, podendo chegar à atrofia de músculos das mãos, pés e olhos.
“Além disso, na área dermatológica, há a presença de manchas esbranquiçadas, avermelhadas e placas com relevo vermelho-violáceas em qualquer local do corpo; caroços e nódulos, às vezes indolores, semelhante a queloides. Também ocorrem lesões que se parecem com erisipela nas pernas, úlceras que não cicatrizam, bolhas que aparecem e o paciente não sabe como surgiram e, na maioria das vezes, são decorrentes de tocar em superfícies quentes, receber vapor quente levando a queimaduras”, ressalta Isabela.
O tempo entre o contágio e o surgimento dos sintomas é longo e pode variar de três a sete anos, com relatos de períodos de incubação ainda maiores. No entanto, quando a doença é tratada, para de ser transmitida, então não há necessidade de isolar o paciente. Já em casos de diagnóstico tardio, a hanseníase gera sequelas que podem ser permanentes. “Os riscos incluem deficiências físicas e deformidades, aumento da morbidade e mortalidade”, aponta a coordenadora.
Atualmente, o tratamento disponível para a doença é a poliquimioterapia (PQT), que combina três antibióticos: rifampicina, clofazimina e dapsona. O esquema terapêutico é oferecido gratuitamente pelo SUS e está disponível no HC-UFU, que conta com o CREDESH, um dos seis centros especializados em hanseníase do país e o único em Minas Gerais.
“Uma das principais atuações do CREDESH é garantir o suporte técnico na qualificação das equipes municipais para que elas possam manter em evidência as discussões sobre hanseníase, bem como a importância da rede de atenção no cuidado aos pacientes, no que tange às várias especialidades médicas e vigilância qualificada de contatos”, assinala a médica. “O CREDESH/HC-UFU assume seu protagonismo nas ações que estão mobilizando a organização da RAS-Hanseníase no SUS, apesar das demandas serem cada vez mais desafiadoras, o que pede soluções que priorizem um olhar de compromisso, competência e compaixão para que os direitos dos pacientes sejam plenamente garantidos. Seguiremos como um Centro de Referência estratégico do Ministério da Saúde em busca da excelência em assistência à saúde, ensino, extensão, pesquisa e inovação, para trazer benefícios à população afetada por hanseníase e impactar os indicadores e o controle da hanseníase no Brasil”, completa.
Assis Rodrigues Gomes (33), paciente do HC-UFU, foi diagnosticado com hanseníase em 2019, quando ainda morava no Ceará. “Fiz tratamento por 12 meses, mas não fui curado”, relata. “Em 2021, eu já estava morando em Uberaba e tive fortes reações. Foi aí que fui transferido para o Credesh de Uberlândia, onde venho me tratando até hoje”, conta.
Acompanhado por Isabela Goulart, Assis se sentiu tão comovido com a atenção e o carinho por parte da médica, que escolheu o nome da própria filha em homenagem a ela. “O profissionalismo da Dra. Isabela me inspirou. Todos os cuidados que recebo no hospital significam muito para mim. Avalio meu tratamento para hanseníase lá como excelente”, compartilha o paciente.
Dados do último boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 22.773 novos casos de hanseníase foram diagnosticados no Brasil em 2023, um aumento de 4% em comparação com o ano anterior.
Para Isabela Goulart, os desafios no combate à doença são diversos:
“O agente etiológico Mycobacterium leprae (M. leprae) infecta, silenciosamente, as células dos nervos periféricos, as células da pele e outros órgãos, subvertendo as respostas imunológicas e, por isso, existem poucos sinais claros da doença que podem distinguir entre doença ativa e infecção, dificultando o diagnóstico precoce”, observa. “É a partir desse diagnóstico que se bloqueia a transmissão e se rastreia os indivíduos expostos para detectar aqueles que estão infectados e aqueles que estão com doença ativa. Há que se adotar uma vigilância de contatos ampliada, isto é, além de realizar o exame dermatoneurológico, aplicação da vacina BCG-ID naqueles com ausência de cicatriz vacinal e avaliação neurológica simplificada, é preciso avaliar os resultados da sorologia para detecção de anticorpos IgM anti-PGL-I e exames moleculares [DNA de M. leprae] para fortalecer o diagnóstico precoce, tratamento da infecção latente ou tratamento precoce em contatos familiares de hanseníase. O grande obstáculo para alcançarmos a verdadeira eliminação da hanseníase é oferecer educação em saúde sobre os novos conceitos da hanseníase à população mais exposta. Devemos diagnosticar precocemente a doença neural silenciosa e/ou infiltração insidiosa do bacilo em nervos e pele, e, para isso, é necessário identificar os contatos com infecção latente e afastar doença ativa por meio da qPCR, eletroneuromiografia e ultrassonografia, visando instituir quimioprofilaxia para infectados e tratamento para os casos precoces da hanseníase”, conclui.
Programação
Durante todo o mês de janeiro, O HC-UFU promove ações de conscientização e combate à hanseníase, entre elas, a capacitação dos alunos de Medicina da unidade e oficinas de diversos temas, como educação de higiene oral e exame clínico dos pacientes; aspectos de prevenção; e tratamento medicamentoso da doença.
Confira a programação dos próximos dias:
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23/01 |
24/01 |
26/01 (Dia H) |
28/01 |
30/01 |
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9h – Sala de espera Odontologia: Educação de higiene oral e exame clínico dos pacientes |
9h – Sala de espera Odontologia: Educação de higiene oral e exame clínico dos pacientes |
9h às 12h –Caminhada Janeiro Roxo no Parque do Sabiá (Quiosque Multiuso) |
7h – Sala de espera: Serviço Social |
13h – Sala de espera: Serviço Social |
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10h – Sala de espera Farmácia: Tratamento medicamentoso de hanseníase/Respostas às dúvidas/Seleção de pacientes para construção dos Relatórios de Medicamentos em uso |
9h30 – Sala de espera Fisioterapia: Orientações de cuidado com os pés e calçados adequados |
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12h – Sala de espera Psicologia: Prevenção ao isolamento social, combate ao estigma, importância do cuidado mente e corpo, educação e conscientização sobre hanseníase |
10h – Sala de espera Farmácia: Tratamento medicamentoso da hanseníase/Respostas às dúvidas/Seleção de pacientes para construção dos Relatórios de Medicamentos em uso |
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13h – Sala de espera TO: Autocuidado no dia a dia da pessoa em tratamento de hanseníase, a importância da avaliação sensitiva motora no tratamento |
13h - Sala de espera Odontologia: Educação de higiene oral e exame clínico dos pacientes |
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13h30 – Sala de espera Odontologia: Educação de higiene oral e exame clínico dos pacientes |
14h – Sala de espera Farmácia: Tratamento medicamentoso da hanseníase/Respostas às dúvidas/Seleção de pacientes para construção dos Relatórios de Medicamentos em uso |
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14h – Sala de espera Farmácia: Tratamento medicamentoso da hanseníase/Respostas às dúvidas/Seleção de pacientes para construção dos Relatórios de Medicamentos em uso |
Rede Ebserh
O HC-UFU faz parte da Rede Ebserh desde maio de 2018. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.