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AVANÇOS ASSISTENCIAIS
Tecnologia e saúde pública lado a lado
Uma grande preocupação nos núcleos de avaliação de tecnologias em saúde (NATS) é desmistificar seu papel principal. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a avaliação de tecnologias em saúde não se limita à análise de equipamentos. Trata-se de uma abordagem sistemática que abrange questões que impactam diretamente a vida e o bem-estar das pessoas, como o acesso e a equidade no fornecimento de equipamentos, tratamentos e intervenções mais seguros e eficazes. Isso implica na distribuição justa desses recursos, evitando desigualdades no acesso à saúde.
Foi com essa perspectiva ampliada que o Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS) do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), promoveu, em 26 de março, a apresentação do Parecer Técnico-Científico sobre o uso da toxina botulínica no tratamento da bexiga hiperativa em adultos e idosos. A atividade, realizada presencialmente na sala de Medicina Tropical da Gerência de Ensino e Pesquisa, reuniu profissionais da saúde, gestores, docentes, alunos e residentes para debater os resultados do documento elaborado pelo NATS.
A contribuição do parecer se destaca por oferecer bases sólidas para decisões que envolvem saúde pública. Segundo a chefe da Unidade de Gestão da Inovação Tecnológica em Saúde (UGITS) e coordenadora do núcleo, Maria Paula Custódio, a incorporação da toxina botulínica tipo A se mostra promissora para pacientes com bexiga hiperativa que não respondem aos tratamentos convencionais. “Ao apontar a eficácia da toxina botulínica tipo A na redução da incontinência urinária, no aumento da capacidade cistométrica máxima e na diminuição da pressão detrusora máxima, o estudo reforça os benefícios clínicos do tratamento”, explicou. Para ela, o acesso ampliado a essa tecnologia pode melhorar significativamente o cuidado e promover mais justiça no sistema de saúde.
A avaliação de tecnologias em saúde também tem um papel ético fundamental na gestão pública. Membro do NATS e coordenadora do Comitê de Ética em Pesquisa do HC-UFTM, Karoline Faria, destacou que os pareceres gerados orientam decisões com base em critérios técnicos e imparciais. “A ATS garante autonomia para tomar decisões baseadas em informações claras e confiáveis, pois proporciona aos pacientes e prestadores de saúde a possibilidade de compreender as implicações de suas escolhas ao considerar a tecnologia a ser incorporada”, afirmou. Karoline lembrou ainda que os resultados são públicos, favorecendo a análise crítica da sociedade e promovendo maior transparência na alocação de recursos.
A adoção de tecnologias inovadoras no SUS também favorece o ambiente de formação e pesquisa nos hospitais universitários. Para a chefe da Unidade de Terapia Renal, Andrea Tirones, disponibilizar a toxina botulínica para casos de maior complexidade amplia as possibilidades terapêuticas, especialmente em instituições de ensino. “Essa tecnologia é muito eficaz nos casos que não respondem aos tratamentos convencionais, e traz melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, reduzindo sintomas como urgência e incontinência e aumentando a autonomia”, afirmou. Andrea também ressaltou o potencial formativo e inovador que essa prática pode agregar à rotina hospitalar, ao oferecer novas abordagens centradas nas necessidades dos pacientes.
Mais do que um parecer técnico, o evento revelou como o conhecimento científico pode se transformar em instrumento de transformação concreta no sistema de saúde. Ao reunir dados, especialistas e perspectivas interdisciplinares, o NATS do HC-UFTM reafirma seu papel na construção de um SUS mais resolutivo, justo e eficiente para todos.
Sobre a Ebserh
O Hospital de Clínicas da UFTM faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro