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CIÊNCIA
Sinal de Cecin completa oito anos de divulgação
Reitora Ana Lúcia de Assis Simões outorgou o título de professor emérito a Hamid Alexandre Cecin, em sessão pública solene do Conselho Universitário, realizada em novembro de 2016. Foto: Marco Clemente/UFTM
O professor Hamid Alexandre Cecin publicou, na edição de janeiro/fevereiro de 2010 da Revista Brasileira de Reumatologia artigo em que descreve o chamado “sinal de Cecin”. Trata-se de um método para diagnóstico de hérnia de disco lombar a partir da observação clínica em consultório, dispensando exames complementares de alto custo.
Em março de 2011, o artigo figurou como o mais procurado na lista de buscas do BioMedLib - agregador internacional de informações provenientes da literatura científica. A partir da repercussão, Cecin ministrou palestras em países como China, Japão, Itália, Turquia e Egito.
“Durante o atendimento a um paciente com hérnia aguda, em 1993”, relembra o pesquisador, “ao lhe pedir que fizesse a flexão da coluna, ele, por acaso, teve uma crise de tosse com acentuada piora da dor no trajeto do nervo ciático. Naquele momento surgiu a hipótese de que a tosse ou o espirro poderiam ter valor preditivo no diagnóstico da afecção”.
Entre 1999 e 2007, Cecin validou a técnica com 66 indivíduos de 21 a 83 anos. Desse total, 45 apresentavam hérnia lombar sintomática. Os outros 21 fizeram parte do grupo de controle, com doenças degenerativas crônicas também caracterizadas pela dor lombar.
O método propõe que o paciente, de pé, flexione a coluna e tussa ou espirre. O sinal é considerado positivo se houver acentuação da dor nas nádegas, trajeto do nervo crural ou do nervo ciático. O “sinal de Cecin” apresentou valor preditivo positivo maior que 97%. Superou, inclusive, a especificidade do tradicional “sinal de Lasègue”, que utiliza a posição deitada, com extensão da perna para avaliação da dor.
"A Reumatologia é uma especialidade sistêmica"
Professor titular emérito da UFTM, Hamid Alexandre Cecin graduou-se pela Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro em 1966. Desde 1977, integra o quadro docente da Instituição. Já atuou como consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq -, é membro titular emérito da Academia Brasileira de Reumatologia e supervisor no Programa de Residência Médica da UFTM.
“Mesmo aposentado na docência desde 1996, gosto de manter contato com os residentes, discutindo artigos e casos clínicos. São vínculos afetivos”, conta Cecin, aos 77 anos. “Estar com os estudantes faz com que nos mantenhamos ativos intelectualmente. Calculo que já tive mais de quatro mil alunos. Muitos deles ainda fazem parte da minha vida, agora como amigos, sempre aprendendo juntos".
A Reumatologia é uma das especialidades mais sistêmicas da Medicina, na avaliação de Cecin. "Apesar de todo o avanço tecnológico atual, é preciso ouvir o paciente, conversar, para investigar com profundidade. Uma artrite ou deficiência nas unhas podem ser interpretadas como sintomas de alguma outra doença. Já tive caso em que a hipertrofia das falanges era uma manifestação de tumor pulmonar”, exemplifica.
Versatilidade
Durante sete anos, Cecin, que também é jornalista profissional, entrevistou médicos de diversas especialidades em seu programa na TV Universitária (Ponto de Vista - Medicina). Ao longo da carreira, escreveu três livros, 27 artigos e 37 capítulos, recebendo prêmios como o Torres Homem, da Sociedade Brasileira de Reumatologia, prêmio Du Pont de Saúde Ocupacional e prêmio Professor Pedreira de Freitas.
Esse último, resultou de sua contribuição para a descoberta da imunidade naturalmente adquirida contra o tétano. “Nos anos 60 e 70, tratando casos da doença em Uberaba, notei que as manifestações em moradores da área urbana eram mais graves que as ocorridas com os que viviam no campo. Partindo dessa constatação, demonstramos uma resistência ao tétano desenvolvida após sucessivos ferimentos pequenos, característicos do trabalho com a terra”, resume.
Em 2015, Cecin editou, com Antonio Carlos Ximenes, o “Tratado Brasileiro de Reumatologia”, publicado pela editora Atheneu. A obra foi uma das finalistas da 58.ª edição do Prêmio Jabuti, na categoria Ciências da Saúde. A primeira edição está esgotada.