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Pessoas com doenças hepáticas devem monitorar risco para câncer de fígado, advertem médicas do Hospital de Clínicas
Uma doença silenciosa e bastante negligenciada pela população brasileira (e mundial), a ponto de ser objeto de campanhas de esclarecimento e prevenção no país e no exterior. Para chamar a atenção a respeito dessa enfermidade, celebrou-se em outubro o Mês de Conscientização sobre o Câncer no Fígado – campanha que dá destaque à importância do rastreamento para diagnóstico desse tipo de tumor.
No Hospital de Clínicas da UFTM, as médicas Geisa Perez Medina Gomide (hepatologista e gastroenterologista) e Ana Flávia Carrijo Chiovato (gastroenterologista) trabalham em conjunto atendendo a pacientes com cirrose e hepatite B, no Ambulatório de Nódulos Hepáticos. A unidade foi criada no início de 2020, suspensa devido à pandemia de covid-19 e retomada em maio de 2021, com o intuito de diagnosticar o tumor precocemente. O atendimento funciona às quartas-feiras, juntamente com o Ambulatório de Cirrose do HC.
“Este tipo de câncer não avisa quando já está agindo no corpo. Todavia, duas evidências acendem o alerta, ter cirrose ou hepatite B”, alerta Gomide, que complementa a respeito das doenças hepáticas que podem evoluir para a neoplasia: “Não basta apenas tratar, tem de fazer o acompanhamento. Por isso, é importante que a população fique atenta aos hábitos e, caso necessário, busque tratamento o quanto antes”.
Segundo a profissional, o paciente cirrótico grave tende a frequentar o consultório com regularidade, e isso facilita o rastreamento do câncer hepático. O risco maior estaria no indivíduo com cirrose ou quadros de hepatite menos graves, resultando em acompanhamento ambulatorial pouco frequente. “Esse é o perigo: apesar de ter problema no fígado, a pessoa se consulta no médico uma vez e acha que não tem problema de saúde. Casos assim são de difícil cura, pois chegam tardiamente ao atendimento, e isso faz com que o nódulo aumente consideravelmente e não seja mais tratável”, adverte.
Para a hepatologista, a hepatite B deve ser entendida como traiçoeira, pois há pacientes nos quais a forma de manifestação da doença não requer tratamento, afastando o portador dos retornos agendados. “Quem tem cirrose ou o vírus da hepatite B, mesmo se sentindo assintomático, precisa fazer os exames periódicos”, enfatiza.
A necessidade da vacinação
“A hepatite B é uma importante causa do tumor no fígado, e é preciso reforçar a vacinação, principalmente na população adulta acima de 40/50 anos”, avalia Chiovato, justificando que essa faixa etária não teve acesso ao benefício quando criança ou mais jovem. “O Ambulatório de Pediatria do HC-UFTM aplica a vacina contra a doença. E qualquer pessoa pode chegar num PS e pedir para fazerem a aplicação, e assim, ficar protegida contra duas doenças causadoras do câncer de fígado”, orienta.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Patologia, o alcoolismo é uma causa de cirrose, assim como a obesidade acompanhada de diabetes e de pressão alta são fatores que predispõem a condições que podem evoluir para cirrose. “São várias causas que a gente investiga no Ambulatório, sejam familiares (genéticas), infecciosas, por hábito. Ressalte-se a seriedade das equipes de outras especialidades do Hospital com relação ao trato desta doença. Ao menor sinal de dúvida, entram em contato com o Ambulatório de Nódulos Hepáticos e encaminham o paciente para checagem”, Gomide ressalta.
Sobre o fluxo de atendimento Chiovato, por sua vez, pontua que o principal objetivo é fazer o diagnóstico, diferenciando se existe uma lesão benigna ou maligna. A depender do estágio da doença, há diferentes tipos de tratamento a serem oferecidos, com maior chance de cura nos casos precoces. “Por isso é importante a conscientização daquele paciente que já tenha uma doença no fígado, para que a gente possa fazer a detecção o mais rápido possível”, finaliza.
O dado mais atual emitido pelo Atlas da Mortalidade por Câncer, levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), se refere ao período entre 2018 e 2019, apontando a ocorrência de 21,4 mil óbitos no Brasil por câncer de fígado e vias biliares intra-hepáticas. Desse total, 58,2% das mortes foram de homens.
Unidade de Comunicação HC-UFTM