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ESTRUTURA
Hospital Dia oferece atendimento humanizado para tratamentos sem internação
Residente em atendimento de paciente pediátrico com mucopolissacaridose. Foto: João Pedro Vicente/HC-UFTM
Devido a uma crescente demanda de tratamento/procedimentos de baixa complexidade, com tempo de permanência de no máximo 12 horas, foi criado em 14 de maio de 2007 o Hospital Dia do HC-UFTM. Desde então, mais de vinte mil pacientes já passaram pelo setor.
Entre suas finalidades estão reduzir os custos dos tratamentos, evitando a internação contínua, permitir a realização de procedimentos intermediários entre internação e ambulatório, realizar procedimentos cuja complexidade exija suporte hospitalar, dar continuidade aos tratamentos iniciados, reduzindo o tempo de internação, o risco de infecção e o estresse do paciente, assim como aumentar a oferta de leitos para internações de maior gravidade.
O Hospital Dia fica no terceiro andar do HC-UFTM e atende das 6h30 às 18h30, de segunda a sexta-feira. “Inicialmente, os pacientes do Hospital Dia eram majoritariamente da Hematologia, encaminhados para tratamento quimioterápico. Após a inauguração da Central de Quimioterapia, o Hospital Dia passou a receber pacientes de outras clínicas, para vários procedimentos”, relembra a enfermeira responsável técnica pelo setor, Irene Marília da Trindade Pereira.
Procedimentos e medicações
Hoje, no setor, trabalham três técnicos em enfermagem, uma auxiliar de enfermagem e uma escriturária. Os médicos que encaminham os pacientes passam durante o dia para acompanhar a evolução dos casos.
São oferecidos seis leitos. Segundo a estatística de atendimentos de setembro de 2015, naquele mês foram 262 pacientes e 313 procedimentos nas áreas de hematologia, reumatologia, infectologia, gastroenterologia, cirurgia geral, coloproctologia, obstetrícia/ginecologia, pediatria, nutrologia, urologia, cirurgia do aparelho digestivo, gastro-pediatria e neurologia.
No Hospital Dia são realizadas paracentese diagnóstica e de alívio, biópsia de medula óssea, mielograma, biópsia hepática percutânea, endoscopia digestiva alta, colonoscopia, lavagem esofágica e punção lombar.
São aplicados, também, antibióticos, antimicóticos, pulsoterapias, reposições enzimáticas, imunoglobulinas, soluções hidratantes, albumina humana, medicamentos biológicos e outros.
Mucopolissacaridose
A enfermeira responsável técnica pelo setor, que atua no Hospital Dia desde sua criação e está no HC-UFTM há 23 anos, destaca que os casos que mais marcaram sua trajetória profissional são os de duas crianças que fazem aplicações semanais de enzimas para tratar a mucopolissacaridose, doença genética do metabolismo.
“É uma doença rara, temos apenas dois casos no HC-UFTM. Esses pacientes precisam de injeções semanais de enzimas para sobreviver, uma tratamento importado, de altíssimo custo, pago pelo Ministério da Saúde e governo de Minas Gerais. A cada aplicação são usadas de quatro a cinco ampolas, com custo de 1,5 mil dólares cada uma”, Pereira explica.
Por se tratar de uma doença rara, os enfermeiros do Hospital Dia realizam anualmente curso de atualização sobre a enfermidade e seu tratamento, oferecido pela empresa que importa a medicação dos Estados Unidos. Mãe de um paciente de nove anos de idade, que trata a mucopolissacaridose no Hospital de Clínicas há seis, Simone Galdino da Silva conta que o filho inicou o tratamento em Belo Horizonte, mas que com a criação do Hospital Dia foi possível passar a fazer as aplicações em Uberaba.
“Isso facilitou demais a possibilidade do tratamento, pois estamos na nossa cidade. É muito importante o tratamento humanizado oferecido pelo Hospital de Clínicas, as visitas dos residentes (Residência Multiprofissional em Saúde/Linha Criança e Adolescente) que alegram a permanência dele com jogos e atividades enquanto ele recebe o medicamento, que é forte, é um tratamento difícil para ele. Aqui a gente se sente em casa, é um setor do Hospital sobre o qual quase não se ouve falar a respeito, mas que é muito importante e muito acolhedor”, afirmou Simone Galdino da Silva, enquanto o filho brincava de jogo da velha com uma residente de Educação Física e preparava cartões de Natal com lápis de colorir.