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SAÚDE
Fonoaudiologia vai além dos cuidados com a voz, explicam profissionais
No dia 9 de dezembro comemorou-se o Dia do Fonoaudiólogo, data em que o Hospital de Clínicas da UFTM reservou um espaço intitulado ″Tire suas dúvidas em Fonoaudiologia″, no qual profissionais realizaram atividades de orientação sobre temas relacionados a essa profissão.
Foi atendido fluxo espontâneo de pessoas no ambiente hospitalar, incluindo acadêmicos, profissionais e acompanhantes de pacientes. Junto a esse público foram realizadas ações educativas por meio de conversa informal e entrega de panfletos. A atividade aconteceu das 8h às 18h, no saguão de entrada do HC-UFTM.
Atualmente, o Hospital de Clínicas conta com 11 fonoaudiólogas atuantes em todos os setores do HC e no Centro de Reabilitação. Essas profissionais estão inseridas no ambiente hospitalar como parte da equipe multiprofissional, contribuindo para a redução do tempo de internação e melhora da qualidade de vida dos pacientes.
“O fonoaudiólogo é responsável pelo diagnóstico, orientação, terapia e aperfeiçoamento dos aspectos auditivos, linguagem oral e escrita, voz, fluência, fala e sistema de deglutição”, explica Luciana Cristina Vieira Pinto Oliveira, fonoaudióloga que trabalha no Berçário do HC-UFTM e está na instituição há nove anos.
Atuação
Oliveira destaca que muitas pessoas acreditam que a profissão está ligada apenas a aspectos da fala, desconhecendo o trabalho do fonoaudiólogo nos casos de dificuldade de amamentação e alimentação. “No Berçário, a maior parte dos casos que atendemos é de bebês prematuros ou com lábio leporino, que precisam de adaptação para se alimentarem adequadamente”, relata.
A formação do profissional exige quatro anos de ensino superior, com matérias como anatomia, psicologia do aprendizado, anatomia geral e de cabeça/pescoço, otorrinolaringologia, fala, audição e saúde coletiva, além de estágio na rede de saúde e também na rede escolar.
“Deve-se procurar um fonoaudiólogo em casos de dificuldade na amamentação, dificuldades de fala como gagueira e troca de letras, dificuldades de leitura e escrita, problemas de voz como rouquidão ou voz fina, reabilitação de deficiência auditiva, dificuldades na mastigação e deglutição dos alimentos, uso prolongado de chupeta ou hábito de chupar o dedo”, explica a fonoaudióloga Larissa Cristina de Sousa Lima, que atua na UTI Infantil do HC-UFTM há três anos e meio.
Lima afirma que, dos casos atendidos no HC-UFTM durante sua experiência profissional, o que mais a marcou foi o de uma criança com problemas neurológicos causados por síndrome alcóolica fetal, inicialmente com incapacidade de deglutir, e que depois do trabalho da fonoaudiologia surpreendeu a todos por conseguir se alimentar sem sonda. “Em muitos casos são crianças que usam sonda para alimentação desde o nascimento. Dessa forma, algo natural para os demais precisa ser desenvolvido nesse pacientes: a capacidade de sugar, mastigar e engolir”.
Professora da Língua Brasileira de Sinais - Libras - Lima também cita o caso de uma paciente na adolescência, que impossibilitada de falar devido a uma traqueostomia, aprendeu a língua de sinais, juntamente com sua família, para conseguir se comunicar.
Atenção ambulatorial
No Hospital de Clínicas da UFTM, após receberam alta da UTI ou do Berçário, as crianças com necessidade de acompanhamento fonoaudiológico prolongado são encaminhadas para atendimento ambulatorial no próprio HC, com objetivo terapêutico ligado principalmente à deglutição e alimentação. “Esses pacientes são atendidos em interconsulta com a Nutrição, há montagem de cardápio especial para auxiliar os pais na alimentação de seus filhos”, Lima comenta.
De acordo com a médica Kellen Barbosa Silva, o atendimento ambulatorial pós-alta acontece às segundas, quartas e sextas, com equipe multiprofissional à segundas-feiras. “O cruzamento de saberes característico da equipe multiprofissional é utilizado em benefício dos pacientes, de forma a diminuir reinternações. A equipe debate os casos para estabelecimento da abordagem terapêutica conjunta mais adequada para cada paciente, ao fim do dia”, destaca Silva.
A médica ressalta, adicionalmente, que a humanização caracteriza o atendimento ambulatorial dos egressos da terapia intensiva. “Para evitar viagens desnecessárias, realizamos contrarreferência, mantendo contato direto com profissionais de saúde do município de origem do paciente, para que o tratamento tenha continuidade da maneira mais descomplicada possível. E aqueles que fazem retorno constante são alvo de várias ações, que vão além do aspecto médico. Há muitos casos de pacientes com problemas sociais nas famílias, o que demanda um cuidado especial. Certa vez, houve uma criança cujo comportamento na convivência com outras crianças e com a família foi bastante modificado após o Hospital ter organizado uma festa de aniversário para ela. Medidas como essa, de humanização, fazem toda a diferença. A família relata que depois dessa ocasião, a maneira como a criança se colocava nas relações humanas foi profundamente fortalecida”, Silva relata.