Notícias
Saúde
Diagnóstico precoce permite evitar a progressão da doença renal crônica, alerta nefrologista do HC-UFTM
A doença renal crônica caracteriza-se pela existência de lesão nos rins por período superior a três meses e acomete 10% dos brasileiros, geralmente sem provocar sintomas nos estágios iniciais, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN). Com o objetivo de sensibilizar a população para a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado para a doença, celebra-se na segunda quinta-feira de março (9) o Dia Mundial do Rim.
Em 2023, o slogan adotado pela SBN para a campanha alusiva à data é “Saúde dos rins e exame de creatinina para todos”. O foco para o ano está no alerta necessário aos mais vulneráveis, considerando como principais grupos de risco pessoas com hipertensão, sobrepeso, histórico de doença renal na família, diabetes, idosos e fumantes.
O chefe da Unidade de Sistema Urinário do Hospital de Clínicas da UFTM, Fabiano Bichuette, reforça que a maioria dos doentes renais descobrem a enfermidade apenas em fases avançadas, por terem desenvolvido quadros inicialmente assintomáticos. “Se o diagnóstico é tardio, não restam muitas alternativas para deter a perda de função dos rins. O diagnóstico precoce, entretanto, tem se mostrado barato e simples, por meio de exames como o de creatinina no sangue e o de albuminúria na urina, que podem ser feitos nas redes de saúde pública ou privada”, contextualiza.
Segundo o nefrologista, os grupos de risco devem procurar uma unidade básica de saúde para que seja feito o pedido desses exames, que são suficientes para determinar o diagnóstico, sem a necessidade de ultrassom ou outros de maior complexidade. Mesmo que os resultados estejam dentro da normalidade, o profissional recomenda àqueles com maior risco repetir as coletas a cada seis meses, como forma de evitar eventuais diagnósticos tardios.
“Se a doença renal é descoberta cedo, é possível tratar e evitar a progressão que levaria a uma necessidade de diálise ou transplante, possibilitando ao paciente uma vida praticamente normal. Nos últimos anos novos medicamentos têm surgido, conseguindo retardar melhor a progressão, desde que haja o diagnóstico precoce”, Bichuette ressalta.
Entre as medidas preventivas, o médico destaca o controle da pressão e do diabetes, evitar qualquer automedicação, principalmente com anti-inflamatórios, abandonar o tabagismo e combater o sobrepeso. Os sintomas da doença renal, quando se manifestam, podem ser inchaço nas pernas e rosto, anemia sem causa aparente, fraqueza, mal-estar e alterações digestivas.
“Dor nos rins não faz parte dos sintomas e o volume de urina só diminui na fase em que já é necessária a diálise. Ou seja, é possível estar urinando normalmente e se sentindo bem, enquanto a função renal declina rapidamente. Daí a relevância do exame para detecção da doença em tempo hábil, para permitir intervenções mais efetivas”, o nefrologista adverte.
O Hospital de Clínicas da UFTM contabiliza em média 200 consultas ambulatoriais na especialidade de Nefrologia, todos os meses. Os pacientes são referenciados pelos serviços de atenção básica à saúde dos 27 municípios da macrorregião Triângulo Sul de Minas Gerais. O complexo hospitalar realiza, também, hemodiálise em 45 pacientes crônicos, três vezes por semana, e transplantes renais desde 1981.
Unidade de Comunicação Regional 19