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Superação
Após vencer quadro crítico de Covid-19 na gestação, mãe comemora alta da filha
Foto: João Pedro Vicente/HC-UFTM
O dia 1.º de junho proporcionou uma alegria especial para a auxiliar de cozinha Ariane dos Reis Martins, de 30 anos, e o repositor de mercadorias Jaime Luciano Pires, de 35 anos. Nessa data, a primeira filha do casal recebeu alta do Hospital de Clínicas da UFTM, após quase dois meses de internação, entre terapia intensiva (UTI) e cuidados semi-intensivos.
Chegava ao fim, de forma vitoriosa, uma luta pela vida que começou no início de abril, quando Ariane, então na 29.ª semana de gestação, deu entrada no HC em estado grave, provocado pela Covid-19. Antes da transferência para o Hospital de Clínicas, ela chegou a respirar com ajuda de aparelhos durante quatro dias, em um hospital na cidade de Araxá, onde vive com o marido.
Devido ao quadro crítico de Ariane, foi necessário realizar uma cesárea de emergência logo após a admissão. A bebê prematura, que recebeu o nome de Mariane, nasceu pesando 1,1 kg e medindo 40 cm. Logo após o parto, a mãe foi intubada na UTI Covid-19. Já a filha precisou de reanimação cardíaca, e foi também intubada, na UTI Neonatal.
A recém-nascida testou negativo para infecção pelo novo coronavírus, mas necessitou de muitos cuidados devido à imaturidade extrema. Nas semanas seguintes, Jaime acompanhou pessoalmente, durante as manhãs e tardes, a evolução do quadro da filha. A esposa, entretanto, permanecia em área de isolamento. As notícias sobre ela eram repassadas pela equipe médica por telefone, diariamente.
“Foi um período de muita angústia, devido ao medo de um desfecho ruim para uma das duas. Me dividia entre acompanhar minha filha, na UTI, e levar informações e conforto para a família, em Araxá”, recorda ele, que trabalha na área de hortifrúti de um supermercado e teve apoio do empregador para poder se ausentar, por meio da antecipação de férias e abono de faltas.
O tratamento de Ariane foi bem-sucedido, e o quadro de baixa saturação e comprometimento pulmonar, gradualmente revertido. Em seis dias foi possível retirar a intubação. A internação em área isolada, contudo, continuaria até o fim de abril. “Minha primeira lembrança, quando acordei, foi de antes da internação em Araxá. De repente não sabia onde estava, quanto tempo havia passado. A equipe me explicou, e então eu quis notícias sobre minha mãe. Imaginei que ela deveria estar no mesmo lugar que eu, pois teve Covid-19 no mesmo período, e também foi internada, em Araxá”, relembra.
Junto com a informação de que a mãe não precisara de transferência, a equipe assistencial contou a Ariane sobre o parto de emergência e o andamento da recuperação da filha, na UTI Neonatal. O primeiro encontro entre as duas aconteceria somente na véspera do Dia das Mães. Naquele momento, Ariane já havia recebido alta para casa, e Mariane evoluíra para a unidade de cuidados semi-intensivos.
“Após a Covid-19 ainda passei por um longo período de muito cansaço. Para qualquer tarefa simples, ainda é preciso fazer pausas de descanso. Então as viagens a Uberaba para estar com a bebê também se tornaram muito desgastantes, apesar da proximidade entre as cidades”, explica Ariane, que segue em fisioterapia motora e respiratória, em Araxá, e relata dificuldades com a memória recente.
Com a melhora de Mariane, que alcançou 2,8 kg, o casal pode finalmente retomar os planos de vida, após o período que definem como de grande aprendizado e de transformação. Para Ariane, a história por ela vivida deve servir de alerta para que todos respeitem as regras de prevenção, não negligenciem o risco potencial da Covid-19.
Jaime, por sua vez, destaca que a hospitalização da esposa e da filha representaram um ensinamento sobre a fragilidade da vida e a interdependência entre todas as pessoas. “É uma situação extrema que nos humaniza. Quando corremos de perto o risco de perder alguém, tudo adquire um novo ponto de vista. Nunca devemos perder as esperanças, mesmo no momento mais difícil. Esse é o conselho que eu daria para quem estiver passando por algo assim na própria família”, diz.
Sobre o acolhimento e a assistência prestados pelo Hospital de Clínicas, Jaime revela ter se surpreendido com a dedicação e o carinho dos profissionais com quem teve contato. “Desde o pessoal de portaria, até o apoio dos psicólogos e a segurança transmitida pela equipe que trata diretamente o paciente, tudo fez a diferença para me ajudar a passar por esse momento. O cuidado com cada criança, não só minha filha, é algo que eu não vou esquecer”, afirma.
Após a alta, Mariane continuará o acompanhamento periódico no Ambulatório de Pediatria do Hospital de Clínicas. Na unidade de cuidados intermediários, recuperam-se ainda outras duas crianças cujas mães, a exemplo de Ariane, foram internadas durante a gestação e venceram quadros graves de Covid-19 no HC-UFTM.
Unidade de Comunicação HC-UFTM