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Plano de Contingência: importante aliado no gerenciamento de crises
Imprevistos acontecem, certo? E em instituições de saúde, o tempo de resolução de problemas técnicos ou situações inesperadas é fundamental para que os danos sejam evitados ou minimizados. Na última semana, um princípio de incêndio dentro da câmara subterrânea da Cemig deixou a Ala Leste do Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh sem luz. Foram quase 25 horas sem fornecimento de energia por parte da concessionária, mas o Plano de Contingência para Falta de Energia Elétrica do HC (PL-028) foi fundamental para o hospital minimizar o impacto desse incidente na qualidade da assistência.
O documento é um planejamento de ações estratégicas e operativas que auxiliam o hospital a contornar, da forma mais rápida possível, situações inesperadas ou circunstâncias remotas indesejáveis envolvendo a falta de energia. Nele são definidas as responsabilidades, a estrutura, os contatos, as providências a serem tomadas, dentre outras ações.
Segundo explicou o chefe do Setor de Infraestrutura do HC-UFMG, Pedro Paulo Sousa Cardoso, o PL-028 ajudou a apontar as ações a serem realizadas e a definir as responsabilidades de cada profissional para o enfrentamento da crise. “Inicialmente, fomos tomados pela emoção. Ninguém sabia ao certo o que estava ocorrendo. Porém, o fato de termos um plano consolidado nos ajudou a resolver o problema de forma racional”, disse.
Como foi
A instituição possui três geradores de energia que foram acionados durante o ocorrido. Em uma ação preventiva, dois geradores extras foram locados. Além disso, os equipamentos médico-assistenciais de suporte à vida possuem baterias que garantiram o seu funcionamento a curto prazo.
Por isso mesmo, o impacto na assistência foi pequeno. “No momento da queda de energia, haviam procedimentos em curso no centro cirúrgico e na hemodinâmica que puderam ser continuados graças ao gerador de energia”, disse a chefe do Setor de Diagnóstico e Terapêutica, Lismar Isis Campos.
Um Comitê de Crise, composto por chefias e representantes de unidades consideradas estratégicas, foi instaurado para discussão da situação e tomadas de decisão, além de concentrar as informações e melhorar a comunicação entre as equipes. “Fica uma lição: a importância trabalho em equipe. Independentemente da função e responsabilidade de cada um, o que vi foi uma onda de solidariedade entre os trabalhadores, que foram solidários às funções do outro. Além disso, a importância do treinamento, da capacitação das equipes foi fundamental”, finalizou Pedro.
Simulações e manutenções preventivas
Para garantir que tudo saia como planejado no plano de contingência, são realizadas, periodicamente, simulações de falta de energia e manutenções preventivas nos geradores e equipamentos médico-hospitalares. Trata-se de uma ação necessária para a garantia da segurança das instalações e realizada na instituição há muitos anos. Ela é preconizada pelos manuais da qualidade, inclusive pelo Programa Ebserh de Qualidade e pelo Manual da Joint Commission International (JCI).
“Temos um programa de manutenção preventiva que inclui testes periódicos de baterias e substituição das mesmas, quando necessário. Quando ocorreu o ‘apagão’, estávamos preparados”, disse o chefe do Setor de Engenharia Clínica, Alexandre Maia, que conduziu os trabalhados da equipe técnica da engenharia. Durante todo o incidente, engenheiros e equipe técnica da engenharia acompanharam de perto o desempenho dos equipamentos médico-hospitalares de todo o complexo hospitalar para garantir o seu pleno funcionamento.
Assistência preservada
Para minimizar o impacto da falta de energia na assistência aos pacientes, as unidades assistenciais do HC atuaram preventivamente. Leitos de retaguarda para pacientes da terapia intensiva na Ala Leste foram organizados em outras áreas para dar suporte em caso de imprevisto com o gerador. Durante todo o período do incidente, os procedimentos classificados como urgentes foram viabilizados e os eletivos, após reavaliação, foram postergados. “O maior desafio, no entanto, foi a articulação com hospitais parceiros para a esterilização dos nossos materiais, que já estavam se esgotando. Mas no final, a parceria foi um sucesso”, disse Lismar Campos.
As equipes de enfermagem atuaram imediatamente na avaliação dos pacientes e dos possíveis impactos assistenciais. Providências de transferências entre alas para outros leitos com energia elétrica disponível, incluindo o remanejamento de pessoal de enfermagem entre áreas, foram naturalmente realizadas. Os pacientes foram orientados e tranquilizados quanto às ações que a instituição estava adotando para resolver a situação. "Muitos profissionais, inclusive dos ambulatórios, estiveram na Divisão de Enfermagem para se colocar à disposição para ajudar como fosse necessário, em grande manifestação de compromisso e responsabilidade com o trabalho. Felizmente, não identificamos registro de intercorrências em razão da falta de energia elétrica, exceto a interrupção de procedimentos cirúrgicos", afirmou a chefe da Divisão de Enfermagem, Paula Vasconcelos.
Importância da segurança e qualidade
A avaliação interna de requisitos da qualidade é um dos pilares do Programa de Melhoria da Qualidade do HC-UFMG, sendo importante estratégia para a identificação de oportunidades de aperfeiçoamento e um guia para a implementação de ciclos de melhoria contínua em todo o complexo hospitalar. No último dia 7, a Comissão de Avaliação Interna - Avaqualis retomou as avaliações permanentes nas áreas.
O incidente com o fornecimento de energia pela Cemig reforçou a importância da cultura de melhoria contínua dos serviços, por meio de indicadores de qualidade, avaliações periódicas associadas a ciclos de melhoria, treinamentos e adesão a programas de acreditação ou certificação externos.
No HC-UFMG, o Programa de Qualidade teve início no ano de 2001, quando foi nomeada a comissão de Gestão pela Qualidade na Saúde (GESQUALIS), atual Unidade de Gestão da Qualidade e do Risco, formada por uma equipe multiprofissional responsável pelo planejamento e execução das ações necessárias à implantação do programa.
Redação: Luna Normand (Jornalista do HC-UFMG/Ebserh)