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ASSISTÊNCIA SEGURA
HC-UFMG/Ebserh apresenta primeiros resultados de projeto para fortalecimento de ações para prevenção de microrganismos multirresistentes
Belo Horizonte (MG) – Nesta segunda (24) e terça-feira (25), o Hospital das Clínicas da UFMG, integrante da Rede Ebserh, reuniu as equipes assistenciais das unidades de terapia intensiva do Pronto Socorro (UTPI-PS) e do 8º Norte, serviço de higienização, laboratório de microbiologia, Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e lideranças para apresentar os primeiros resultados de um projeto desenvolvido na instituição com ações voltadas para prevenção da disseminação de microrganismos multirresistentes emergentes no Brasil. A iniciativa integra o Programa Nacional de Fortalecimento do Sistema Brasileiro de Vigilância Sanitária e é liderada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em parceria com o Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC), sediado em Atlanta (EUA).
Fundamentado nos pilares higiene das mãos, adesão às precauções, limpeza ambiental e vigilância microbiológica, o projeto, que teve início no HC-UFMG/Ebserh em junho de 2023, tem como objetivo verificar a adesão dos profissionais de saúde de duas unidades, UTI-PS e 8º Norte, às medidas de prevenção da disseminação de bactérias multirresistentes. Por meio dos resultados encontrados, a ideia é que essas iniciativas, já conhecidas por todos os profissionais de saúde, sejam reforçadas visando a redução da resistência microbiana aos antimicrobianos.
De acordo com os dados preliminares, apresentados em solenidade nesta segunda-feira (24), a higienização das mãos dos profissionais de saúde antes de tocar o paciente aparece como uma das maiores fragilidades em ambas as unidades. Os microorganismos foco do projeto são a Acinetobacter Baumannii e a Klebsiella Pneumoniae, ambos resistentes aos carbapenêmicos
O Gerente de Atenção à Saúde do HC-UFMG, professor Vandack Alencar Nobre Júnior, disse que as medidas de prevenção de infecções hospitalares são, em um primeiro olhar, simples e de custo baixo, mas implementá-las representa um enorme desafio. “Mudar hábitos, rotina e formas de trabalhar é muito difícil. Exige campanhas e programas como esse que estamos vendo aqui”, disse ele, ressaltando que a cada dia surgem novas formas de resistência “desafiadoras e com dificuldades terapêuticas”.
Na prática
Com os resultados parciais em mãos, a equipe da Unidade de Vigilância em Saúde, que está conduzindo o projeto no HC-UFMG/Ebserh em parceria com as equipes da UTI-PS e do 8º norte, além do Setor de Higienização, já deu início à implementação de ações que possam contribuir com a redução da resistência microbiana aos antimicrobianos. Até agosto, a ideia é conscientizar os colaboradores sobre a importância de atividades diárias no combate às bactérias multirresistentes. Para isso, iniciativas como campanhas de educação em saúde com foco na higienização das mãos, mudança de hábitos, treinamentos e simulações realísticas estão sendo realizadas.
O superintendente do HC-UFMG, professor Alexandre Rodrigues Ferreira, ressaltou a importância desse projeto para a instituição. “Ele chegou em um momento importante, de retomada dos nossos processos, principalmente os que envolvem segurança do paciente, logo após uma pandemia. Sabemos que temos que melhorar muito, temos muitos desafios a vencer. Somos uma instituição com vários cursos de graduação, muitos residentes, equipe multiprofissional diversa e a interação desses públicos é o nosso maior desafio”, afirmou durante o encontro.
Também estiveram presentes na solenidade a Coordenadora de Segurança do Paciente e Controle de Infecções da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, Nádia Aparecida Campos Dutra; as especialistas do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, que é o principal financiador do projeto, Amélia Keatan, Maria Inês Staneloni e Danielle Lower; a especialista em regulação e vigilância sanitária da Anvisa, Luciana Cruz; a consultora na Coordenação Geral de Laboratórios do Ministério da Saúde, Renata Tigulini; as especialistas do projeto, as infectologistas Viviane Carvalho Dias e Ana Cristina Gales, além de lideranças do HC-UFMG, equipes assistenciais, coordenadores médico e de enfermagem, chefias das unidades envolvidas (Setor de higienização, Laboratório de Microbiologia e CCIH) e bolsistas do projeto lotadas na CCIH.
Exemplo
O Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh e Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) são os únicos participantes da iniciativa liderada pela Anvisa. A ideia é que as instituições se tornem modelos nesta área de abrangência para outras unidades de saúde do país.
Sobre o HC-UFMG
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação e revisão: Luna Normand
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