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Estudo do microbioma intestinal desenvolvido no Hospital das Clínicas da UFMG é premiado
Belo Horizonte (MG) – Um estudo desenvolvido no Hospital das Clínicas da UFMG, integrante da Rede Ebserh, e pioneiro na avaliação taxonômica – quando se deseja descrever, identificar e nomear os seres vivos - do microbioma intestinal em uma amostra constituída exclusivamente por brasileiros sadios recebeu o Prêmio João Galizzi, um dos mais importantes da gastroenterologia mineira. O reconhecimento foi concedido ao melhor trabalho científico apresentado no Gastrominas 2024, que aconteceu entre os dias 7 a 10 de agosto em Belo Horizonte.
A pesquisa, intitulada “Estudo comparativo entre o microbioma intestinal de brasileiros sadios e o produto RBX 2660”, utilizou uma técnica de sequenciamento genético de alto rendimento, chamada shallow shotgun, para realizar o mapeamento do microbioma intestinal em uma amostra de indivíduos brasileiros sadios, além de comparar a sua composição taxonômica de microorganismos com a do produto RBX2660, suspensão de microbiota fecal obtida a partir da doação de indivíduos americanos sadios.
Os participantes do estudo incluíam trabalhadores do Hospital das Clínicas da UFMG dos setores administrativo e assistencial, além de acadêmicos da Faculdade de Medicina da UFMG. Eles doaram amostras fecais que foram armazenadas no Banco de Tumores e Tecidos do Instituto Alfa de Gastroenterologia do HC-UFMG.
“Esses indivíduos foram analisados quanto a estilo de vida e dados do histórico médico, além de serem submetidos à avaliação dietética e nutricional, relevantes no contexto do estudo diante da grande influência da dieta na composição microbiana”, explicou a gastroenterologista e uma das autoras do trabalho, Raquel Torga.
Os pesquisadores descobriram que a microbiota intestinal dos brasileiros sadios é composta por cinco filos: Firmicutes, Bacteroidetes, Actinobacteria, Proteobacteria e Verrucomicrobia, com predomínio da classe Clostridia, da família Lachnospiraceae e do gênero Blautia. A comparação com o produto RBX2660 evidenciou composição semelhante com diferença apenas na classe predominante: Clostridia na amostra brasileira e Bacteriodia no produto norte-americano.
“A avaliação dietética e nutricional evidenciou achados semelhantes a de outros estudos envolvendo a população brasileira, padrão frequentemente encontrado em outras sociedades industrializadas. O percentual significativo do consumo energético total proveniente de alimentos processados ou ultraprocessados, considerado indicador de má qualidade da dieta, além da ingestão deficitária de fibras encontrados no estudo, podem ser relevantes para explicar os resultados encontrados“, afirmou a pesquisadora.
Por ser inédito no país, o estudo desenvolvido no Hospital das Clínicas da UFMG pode ser utilizado como referência para outras pesquisas na área, contribuindo para o conhecimento do microbioma intestinal em indivíduos sadios. “A grande maioria das pesquisas nesse campo é realizada em outros países. Diante da variabilidade de microbioma encontrado em diferentes regiões geográficas, é ainda mais relevante o estudo de microbioma no Brasil, pois esse apresenta uma combinação de extensa distribuição demográfica com diversidade de climas, dietas e costumes”, destacou a pesquisadora.
Sobre a Ebserh
O Hospital das Clínicas da UFMG faz parte da Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação e revisão: Luna Normand
Tags: #microbioma intestinal, #gastroenterologia, #HC-UFMG, #Ebserh