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Equipe de cirurgia cardiovascular pediátrica realiza 1ª cirurgia de Jatene no HC-UFMG
Uma criança nascida no Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, prematura e com baixo peso foi submetida, após um mês de vida, a uma cirurgia de Correção de Transposição das Grandes Artérias (TGA), também conhecida como Cirurgia de Jatene. Foi a primeira vez que esse tipo de procedimento foi realizado na instituição. O paciente já teve alta e passa bem.
A TGA é uma das cardiopatias mais comuns do período neonatal, sendo caracterizada por duas circulações em paralelo. Em uma delas, o sangue sistêmico chega ao átrio direito, vai ao ventrículo direito e volta para o corpo, enquanto na outra o sangue proveniente dos pulmões chega ao átrio esquerdo, vai ao ventrículo esquerdo e volta ao pulmão. Nessa condição, não há como sobreviver.
O tratamento definitivo é a Cirurgia de Jatene, que deve ser realizada nas primeiras semanas de vida para que o ventrículo esquerdo não se adapte à baixa pressão da circulação pulmonar, pois isso diminui sua capacidade de suportar a circulação sistêmica. O procedimento realizado pela primeira vez no HC-UFMG/Ebserh durou 6 horas e foi executado por uma equipe formada pelos cirurgiões cardiovasculares Matheus Ferber e Marcus Tito, pelo anestesiologista Luiz Amancio e por enfermeiros perfusionistas e instrumentadores.
“O tratamento consiste na correção cirúrgica do defeito anatômico, por meio da desconexão das artérias aorta e pulmonar e reconexão desses vasos em suas raízes opostas, incluindo a translocação das artérias coronárias para a neoaorta. Essa é a cirurgia de Jatene, ou switch operation, mundialmente conhecida por revolucionar o tratamento dessa cardiopatia”, explicou o cirurgião cardiovascular do HC-UFMG, Matheus Ferber. Segundo ele, esse procedimento é realizado com bom resultado em poucos centros no país e demonstra o amadurecimento clínico e cirúrgico do Hospital das Clínicas.
O pós-operatório do recém-nascido foi conduzido pela equipe da Cardiopediatria formada pelos médicos Sandra Castilho, Henrique Tonelli, Adriana Furletti e Hebe Flávia, além de toda a equipe da Neonatalogia. Após a correção cirúrgica, em quase todos os casos, a criança segue uma vida normal.
Redação: Luna Normand (Jornalista do HC-UFMG/Ebserh)