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Dengue e chikungunya, uma possível nova epidemia
Apesar de serem mais comuns em períodos chuvosos, os casos de dengue e chikungunya têm se espalhado pelo país, trazendo à tona uma possível epidemia. De acordo com o infecto patologista e professor do Departamento de Anatomia Patológica da Faculdade de Medicina da UFMG, Marcelo Pascoal, a transmissão das doenças é cíclica, ou seja, acontece com períodos epidêmicos entre 3 a 5 anos, e os fatores condicionantes de uma nova epidemia são muito variados. No primeiro momento, há uma redução da imunidade da população e isso favorece a infecção provocada pelo vírus.
Contudo, para que haja transmissão, o seu vetor, nesse caso o Aedes Aegypti, tem que disseminar também nas localidades e esse é o ponto mais crítico. “Toda vez que tem um período chuvoso muito intenso, esse mosquito (o vetor) consegue procriar mais e assim o tempo dele se desenvolver coincide, geralmente, com o final desse período mais chuvoso e esse mosquito está segurando e transmitindo, quando ele é infectado”, pontua o professor.
Ainda que o mosquito seja o transmissor, tanto da dengue, quanto da chikungunya, ele nasce sem o vírus, porém, ao se alimentar de sangue de pessoas contaminadas, ele adquire o vírus e assim começa a transmissão de pessoa para pessoa. Existem circunstâncias, nas quais, para o combate do Aedes Aegypti as ações são muito intensificadas, o que reduz a quantidade de mosquitos espalhados. Entretanto, após um período de cuidados, há uma redução das medidas e o mosquito volta a crescer.
“Se ele volta a crescer, infecta-se na população e essa população, ela já está com a queda dos seus anticorpos, isso favorece uma nova transmissão populacional”, observa.
Dengue
A dengue nada mais é que a arbovirose mais comum em todo o mundo. Arboviroses são grupos de doenças causadas por vírus, cujo vetor é um artrópode, ou seja, um inseto. A doença, do ponto de vista de classificação sorológica, é dividida em quatro sorotipos, sendo: dengue 1, 2, 3 e 4. E esses quatro tipos da doença já são identificados no Brasil, porém, os mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2, que circulam em maior escala no país.
Apesar disso, de acordo com o especialista, Marcelo Pascoal, os tipos não se diferenciam por gravidade, pois a dengue está muito relacionada à questão imunológica. “Se a pessoa tem uma imunidade recente, essa pessoa está mais protegida. Agora, se ela ficar um longo tempo sem o contato com o vírus, independente do sorotipo, ela pode desenvolver uma dengue grave”, afirma. Embora seja dividida entre sorotipos, a dengue pode ocorrer de forma mais leve, também conhecida como dengue clássica, ou se desenvolver em maior gravidade, no caso da dengue hemorrágica.
A dengue clássica é uma infecção viral muito típica, cuja manifestação clínica mais importante é a febre alta, geralmente, superior a 38°C, que se prolonga entre 5 a 7 dias. Além disso, a pessoa contaminada pode apresentar também dor de cabeça, dor muscular, dor atrás dos olhos, sensação de mal estar.
Já no caso da dengue hemorrágica, apesar de muito parecida com a dengue clássica, quando a pessoa apresenta alguns sinais, geralmente, a partir do terceiro dia, como dor abdominal, sangramentos na pele ou na gengiva, ela pode estar desenvolvendo uma complicação da doença. Em ambos os casos, recomenda-se procurar as unidades de saúde em qualquer sinal de suspeita da doença para diagnóstico e tratamento, principalmente por estarmos em um momento de possível epidemia.
“O esperado para a dengue clássica é a febre, mais dor muscular, dor atrás dos olhos e mal estar, a percepção de sangramento, dor abdominal, deve-se orientar ao paciente para procurar as unidades de atendimento”.
Chikungunya
Similar à dengue, a chikungunya também se trata de uma arbovirose, que inclusive, é transmitida pelo mesmo mosquito, o Aedes Aegypti. Apesar de serem semelhantes na transmissão, a chikungunya é um vírus de uma outra família.
A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV), da família Togaviridae e do gênero Alphavirus, já a dengue e a zika são causadas por um vírus pertence à família Flaviviridae, do gênero Flavivírus.
Uma das principais características do vírus da chikungunya, que inclusive deu origem ao nome da doença, é que ele provoca, quando a pessoa é infectada, uma febre súbita que aumenta muito a temperatura rapidamente, passando, às vezes, de 40°C e acompanhada de dor nas articulações. Por causa disso, a junta pode ficar inchada, quente e mais avermelhada, e em alguns casos, pode levar um maior período de tempo para que se revolva, permanecendo a dor, ou até mesmo, a limitação de movimento.
“A chikungunya é um vírus que vem de uma origem de febre quebra ossos, alguma coisa no sentido de dor articular, uma febre muito alta, porque é um outro tipo de vírus, que tem facilidade de entrar nos tecidos das articulações”, explica o professor Marcelo.
Ainda que se tratem de vírus diferentes, a chikungunya entra no mesmo caso da dengue, quando falamos de auxílio médico. Em qualquer caso de sintomas, que tornem suspeita da doença, deve-se procurar ajuda médica, para receber o diagnóstico e o tratamento adequado.
Diferença entre dengue, chikungunya e zika
Apesar das três doenças terem sintomas semelhantes e serem transmitidas pelo mesmo artrópode, no caso do Aedes Aegypti, existem algumas questões que as diferenciam entre si, como, por exemplo, no caso da febre, que na dengue e chikungunya são de altas temperaturas, enquanto na zika, costuma ficar em torno dos 38°C, de forma mais “amena”.
Sintomas Dengue Chikungunya Zika Febre Alta (39° a 40°) que começa subitamente Alta (39° a 40°) que começa subitamente Leve (até 38°C) ou até inexistente em alguns casos Dores Cabeça, atrás dos olhos, nos músculos e nas articulações Inchaço nas articulações e dores intensas (que muitas podem interferir em atividades básicas) Dores menos intensas nas articulações. Inflamação nos olhos (conjuntivite) Manchas Vermelhas Sim, às vezes com coceira Sim, às vezes com coceira Sim, às vezes com coceira Complicações Pode haver comprometimento de órgãos como: pulmões, fígado, rins, coração e sistema nervoso central Persistência da dor nas articulações por meses (ou até anos) em alguns casos Comprometimento neurológico, que provoca debilidade muscular. Possibilidade de reação autoimune, como a Síndrome de Guillain-Barré. Cuidados e prevenção
Em relação a prevenção e os cuidados a serem tomados com o mosquito transmissor das doenças, é sempre importante lembrar de não deixar água parada e, principalmente após períodos chuvosos, de verificar os possíveis criadouros da larva do Aedes Aegypti (vasos de plantas, garrafas, entre outros recipientes que podem acumular água). Além disso, evitar o contato com locais de surto das doenças, e caso necessário, utilizar roupas que minimizem a exposição da pele, como blusas de manga e calça.
“Fundamentalmente, o alerta é para evitar a exposição ao transmissor. Então, repelentes, blusas com manga comprida, calças, isso evita o contato do mosquito com a perna ou braço. Mas ficar atento aqueles ambientes onde há maior circulação do vírus, evitar a exposição. Caso não seja possível evitar a exposição, utilizar repelentes ou a raquete elétrica, isso funciona muito bem”, indica o especialista.
A dengue nada mais é que a arbovirose mais comum em todo o mundo. Arboviroses são grupos de doenças causadas por vírus, cujo vetor é um artrópode, ou seja, um inseto. A doença, do ponto de vista de classificação sorológica, é dividida em quatro sorotipos, sendo: dengue 1, 2, 3 e 4. E esses quatro tipos da doença já são identificados no Brasil, porém, os mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2, que circulam em maior escala no país.
Apesar disso, de acordo com o especialista, Marcelo Pascoal, os tipos não se diferenciam por gravidade, pois a dengue está muito relacionada à questão imunológica. “Se a pessoa tem uma imunidade recente, essa pessoa está mais protegida. Agora, se ela ficar um longo tempo sem o contato com o vírus, independente do sorotipo, ela pode desenvolver uma dengue grave”, afirma. Embora seja dividida entre sorotipos, a dengue pode ocorrer de forma mais leve, também conhecida como dengue clássica, ou se desenvolver em maior gravidade, no caso da dengue hemorrágica.
A dengue clássica é uma infecção viral muito típica, cuja manifestação clínica mais importante é a febre alta, geralmente, superior a 38°C, que se prolonga entre 5 a 7 dias. Além disso, a pessoa contaminada pode apresentar também dor de cabeça, dor muscular, dor atrás dos olhos, sensação de mal estar.
Já no caso da dengue hemorrágica, apesar de muito parecida com a dengue clássica, quando a pessoa apresenta alguns sinais, geralmente, a partir do terceiro dia, como dor abdominal, sangramentos na pele ou na gengiva, ela pode estar desenvolvendo uma complicação da doença. Em ambos os casos, recomenda-se procurar as unidades de saúde em qualquer sinal de suspeita da doença para diagnóstico e tratamento, principalmente por estarmos em um momento de possível epidemia.
“O esperado para a dengue clássica é a febre, mais dor muscular, dor atrás dos olhos e mal estar, a percepção de sangramento, dor abdominal, deve-se orientar ao paciente para procurar as unidades de atendimento”.
Chikungunya
Similar à dengue, a chikungunya também se trata de uma arbovirose, que inclusive, é transmitida pelo mesmo mosquito, o Aedes Aegypti. Apesar de serem semelhantes na transmissão, a chikungunya é um vírus de uma outra família.
A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV), da família Togaviridae e do gênero Alphavirus, já a dengue e a zika são causadas por um vírus pertence à família Flaviviridae, do gênero Flavivírus.
Uma das principais características do vírus da chikungunya, que inclusive deu origem ao nome da doença, é que ele provoca, quando a pessoa é infectada, uma febre súbita que aumenta muito a temperatura rapidamente, passando, às vezes, de 40°C e acompanhada de dor nas articulações. Por causa disso, a junta pode ficar inchada, quente e mais avermelhada, e em alguns casos, pode levar um maior período de tempo para que se revolva, permanecendo a dor, ou até mesmo, a limitação de movimento.
“A chikungunya é um vírus que vem de uma origem de febre quebra ossos, alguma coisa no sentido de dor articular, uma febre muito alta, porque é um outro tipo de vírus, que tem facilidade de entrar nos tecidos das articulações”, explica o professor Marcelo.
Ainda que se tratem de vírus diferentes, a chikungunya entra no mesmo caso da dengue, quando falamos de auxílio médico. Em qualquer caso de sintomas, que tornem suspeita da doença, deve-se procurar ajuda médica, para receber o diagnóstico e o tratamento adequado.
Diferença entre dengue, chikungunya e zika
Apesar das três doenças terem sintomas semelhantes e serem transmitidas pelo mesmo artrópode, no caso do Aedes Aegypti, existem algumas questões que as diferenciam entre si, como, por exemplo, no caso da febre, que na dengue e chikungunya são de altas temperaturas, enquanto na zika, costuma ficar em torno dos 38°C, de forma mais “amena”.
Sintomas Dengue Chikungunya Zika Febre Alta (39° a 40°) que começa subitamente Alta (39° a 40°) que começa subitamente Leve (até 38°C) ou até inexistente em alguns casos Dores Cabeça, atrás dos olhos, nos músculos e nas articulações Inchaço nas articulações e dores intensas (que muitas podem interferir em atividades básicas) Dores menos intensas nas articulações. Inflamação nos olhos (conjuntivite) Manchas Vermelhas Sim, às vezes com coceira Sim, às vezes com coceira Sim, às vezes com coceira Complicações Pode haver comprometimento de órgãos como: pulmões, fígado, rins, coração e sistema nervoso central Persistência da dor nas articulações por meses (ou até anos) em alguns casos Comprometimento neurológico, que provoca debilidade muscular. Possibilidade de reação autoimune, como a Síndrome de Guillain-Barré. Cuidados e prevenção
Em relação a prevenção e os cuidados a serem tomados com o mosquito transmissor das doenças, é sempre importante lembrar de não deixar água parada e, principalmente após períodos chuvosos, de verificar os possíveis criadouros da larva do Aedes Aegypti (vasos de plantas, garrafas, entre outros recipientes que podem acumular água). Além disso, evitar o contato com locais de surto das doenças, e caso necessário, utilizar roupas que minimizem a exposição da pele, como blusas de manga e calça.
“Fundamentalmente, o alerta é para evitar a exposição ao transmissor. Então, repelentes, blusas com manga comprida, calças, isso evita o contato do mosquito com a perna ou braço. Mas ficar atento aqueles ambientes onde há maior circulação do vírus, evitar a exposição. Caso não seja possível evitar a exposição, utilizar repelentes ou a raquete elétrica, isso funciona muito bem”, indica o especialista.
Quando se trata de diagnóstico e tratamento das doenças (dengue, chikungunya e zika) a premissa é a mesma para todos os casos. Em casos de suspeita de qualquer arbovirose é necessário procurar ajuda médica para realização de exames, diagnóstico e tratamento. O tratamento das arboviroses é de suporte, no qual se recomenda o uso de medicamentos sintomáticos, que não prejudicam as funções de órgãos e do sangue, principalmente. Bem como, a hidratação é um fator de extrema importância durante o cuidado das doenças, e sempre estar atento aos sinais de alerta, como no caso da dengue, em relação a possíveis sintomas de dengue hemorrágica.
Além disso, existem medicamentos que precisam ser evitados em caso de arboviroses, para que o sangue mantenha suas funções dentro dos vasos sanguíneos em sua fase líquida, não pode coagular e nem extravasar para não gerar hemorragia. Por isso, recomenda-se evitar o uso de medicamentos que interfiram na função das plaquetas, como no caso de alguns anti-inflamatórios, em especial os não esteroidais (também conhecidos como corticoides, corticosteróides ou glicocorticóides).
”Existe um papel muito importante das plaquetas que estão no sangue, de modo que medicamentos que interferem na função delas favorecem o sangue não se organizar na forma líquida nos vasos e ele extravasa, muito conhecido como sangue raleado ou sangue ralo. De modo geral, alguns anti inflamatórios, em especial os não esteroidais, que interferem na função da plaqueta devem ser evitados, podendo-se utilizar outros antitérmicos, remédios para reduzir a febre, que não interferem na função das plaquetas, como por exemplo, o paracetamol e derivados”, observa.
O programa de rádio Saúde com Ciência desta semana conversa sobre a dengue, chikungunya e zika, trazendo mais informações sobre a transmissão, diagnóstico e tratamento das arboviroses, além dos cuidados e prevenção das doenças.
O Saúde com Ciência é produzido pelo Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG e tem a proposta de informar e tirar dúvidas da população sobre temas da saúde. Ouça na Rádio UFMG Educativa (104,5 FM) de segunda a sexta-feira, às 5h, 8h e 18h. Também é possível ouvir o programa pelas principais plataformas de podcasts .
Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina da UFMG
A dengue nada mais é que a arbovirose mais comum em todo o mundo. Arboviroses são grupos de doenças causadas por vírus, cujo vetor é um artrópode, ou seja, um inseto. A doença, do ponto de vista de classificação sorológica, é dividida em quatro sorotipos, sendo: dengue 1, 2, 3 e 4. E esses quatro tipos da doença já são identificados no Brasil, porém, os mais comuns são o tipo 1 e o tipo 2, que circulam em maior escala no país.
Uma das principais características do vírus da chikungunya, que inclusive deu origem ao nome da doença, é que ele provoca, quando a pessoa é infectada, uma febre súbita que aumenta muito a temperatura rapidamente, passando, às vezes, de 40°C e acompanhada de dor nas articulações. Por causa disso, a junta pode ficar inchada, quente e mais avermelhada, e em alguns casos, pode levar um maior período de tempo para que se revolva, permanecendo a dor, ou até mesmo, a limitação de movimento.