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DEMÊNCIA
Alzheimer: um diagnóstico que atinge o paciente e toda a família
Belo Horizonte (MG) - Se você escutar ou ler alguma coisa sobre demência, provavelmente vai pensar logo em Alzheimer. Essa relação é bastante comum e não acontece por acaso. O Alzheimer é o principal tipo de demência no mundo e é responsável por cerca de 70% dos casos da doença. A estimativa é que cerca de 50 milhões de pessoas vivem com demência, número que deve aumentar nos próximos anos devido ao envelhecimento da população. No Brasil, o Alzheimer afeta 1,2 milhão de pessoas e 100 mil novos casos são diagnosticados por ano.
A pedagoga Maria Aparecida Coutinho, de 64 anos, foi diagnosticada com Alzheimer em maio deste ano. A família começou a notar alguns sinais relacionados ao comportamento, como agressividade e atitudes repetitivas e procurou ajuda no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). “Foi muito difícil receber o diagnóstico, ficamos apreensivos sem saber como será a progressão da doença. Mas, com o início do tratamento, estamos compreendendo e lidando melhor com ela. Estamos adaptando nossa rotina e incluindo nossa mãe nas nossas atividades”, conta o autônomo Thiago Coutinho, filho de Maria Aparecida.
O HC-UFMG tem um ambulatório de neurologia cognitiva e do comportamento que atende cerca de 20 pacientes com demência por semana, metade com diagnóstico de Alzheimer. A equipe é formada por cerca de 20 profissionais contratados e voluntários, entre neurologistas, psiquiatras, neuropsicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Para ter acesso ao serviço, os pacientes precisam ser encaminhados via regulação.
A neurologista do ambulatório, Elisa Resende, falou sobre a importância do diagnóstico e do tratamento. “Apesar de não ter cura, o Alzheimer pode ser tratado. O diagnóstico precoce e o tratamento são fundamentais para prevenir complicações, retardar a progressão da doença e até diminuir o índice de mortalidade”, afirma. Elisa explica que a família também sofre com a doença: “O diagnóstico de Alzheimer é um momento desafiador e afeta toda a família. O cuidador tem que lidar com mudanças comportamentais do paciente e, muitas vezes, precisa abrir mão da própria vida”.
Pensando nisso, o hospital oferece um grupo de apoio a todos os cuidadores de pacientes com demência, coordenado por uma equipe de terapeutas ocupacionais voluntários. As reuniões acontecem toda sexta-feira à tarde e é possível participar de forma presencial ou online. A terapeuta ocupacional Dolores Santos é voluntária e coordena o grupo desde 2009. “Os familiares têm uma necessidade enorme de receber dicas, trocar experiências e falar das suas angústias. As famílias que superam esse momento se tornam mais unidas, porém muitas se desintegram”, explica Dolores. Para mais informações sobre o grupo, basta entrar em contato pelo telefone (31) 98241-0852 ou (31) 98512-6540.
Sobre a doença
Para conscientizar a população sobre a doença, setembro foi instituído como Mês Mundial do Alzheimer e o dia 21 como Dia Mundial da Doença. Este ano, a campanha tem como tema “Nunca é cedo demais, nunca é tarde demais”. O objetivo é reforçar a importância de identificar e prevenir os fatores de risco, além de adotar hábitos de vida que contribuam para evitar ou retardar o aparecimento da demência.
O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, progressiva e ainda sem cura que afeta, majoritariamente, pessoas acima de 65 anos de idade. Ela pode comprometer diversas funções cognitivas, como memória, linguagem, raciocínio, humor, comportamento e percepção do mundo. Os sintomas são progressivos, o que significa que eles pioram com o tempo, e vão desde esquecimento até a dependência completa em cuidados básicos, como alimentação e higiene. De acordo com sua progressão, ela é dividia em três estágios: inicial, intermediário e avançado.
Os principais fatores de risco da doença são: idade; genética; baixo nível de escolaridade; obesidade; tabagismo; sedentarismo; diabetes; hipertensão e depressão não tratados ao longo da vida; baixa qualidade do sono; isolamento social; abuso de bebida alcoólica; traumatismo craniano; perda auditiva; e poluição do ar. A maioria desses fatores podem ser evitados. Por isso, a estimativa é que é possível prevenir 48% dos casos de Alzheimer evitando o álcool e o cigarro, controlando doenças crônicas, cuidando da saúde mental e adotando um estilo de vida saudável, com a prática de atividade física e uma boa alimentação.
Para identificar o Alzheimer, é preciso estar atento a sinais, como problemas de memória que afetam atividades diárias, dificuldade para se comunicar, desorientação no tempo e no espaço, dificuldade de raciocínio, redução da capacidade de juízo e de crítica, mudanças de personalidade, perda de iniciativa, alterações de humor e de comportamento. O diagnóstico é clínico e considera o conjunto de sinais e sintomas e a exclusão de outras causas.
Embora não tenha cura, o tratamento com medicamentos pode ajudar a aliviar ou retardar a progressão dos sintomas do Alzheimer. Terapias cognitivas e mudanças do estilo de vida também fazem parte do tratamento. Ademais, pacientes e cuidadores precisam se informar sobre a doença e buscar dados confiáveis, já que atualmente existem muitas informações falsas, principalmente na internet. Buscar grupos de apoio e cuidar da saúde dos familiares e cuidadores do paciente também são fatores fundamentais.
Sobre a Ebserh
O HC-UFMG faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.