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DOENÇA CRÔNICA
Obesidade: A prevenção evita complicações futuras na saúde da população
A obesidade segue em crescimento no país.
Brasília (DF) – A obesidade é o excesso de gordura corporal em quantidade que prejudica a saúde. Diabetes tipo 2, hipertensão arterial, sobrecarga nas articulações, apneia obstrutiva do sono, infiltração de gordura no fígado que pode evoluir para cirrose, são alguns dos problemas que o excesso de gordura pode provocar. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2024, 62,6% dos brasileiros adultos estavam com excesso de peso e 25,7% com obesidade, considerando o índice de massa corporal (IMC) igual ou acima de 30 Kg/m². A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial.
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), que administra 45 hospitais universitários federais, atua na prevenção e tratamento da obesidade por meio de serviços assistenciais oferecidos aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
O excesso de peso pode contribuir para o aumento do risco de doença cardiovascular e vários tipos de câncer. “Por isso, combater a obesidade é agir também no controle e prevenção de diversas doenças”, acrescentou o médico João Regis Carneiro, coordenador do Programa de Obesidade e Cirurgia Bariátrica (Prociba) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CH-UFRJ).
Fatores que levam à obesidade
João Regis frisa que o aumento de peso pode ser influenciado por diversos fatores, entre eles, a ação de determinados genes que participam da regulação da ingesta alimentar, saciedade e gasto de energia em um dia. O excesso de ingestão de calorias, encontradas principalmente em alimentos ultraprocessados, além do sedentarismo ou a prática insuficiente de atividade física, são fatores que podem contribuir para o problema.
“Observamos um aumento da prevalência de transtornos do comportamento alimentar (em mais de 30% das pessoas que buscam ajuda para perder peso) e da ansiedade e depressão na população, condições que podem promover o aumento de peso, mas também são alimentadas pela obesidade”, destaca João Regis. Além disso, ele evidencia que alguns fármacos para o tratamento da depressão e outras doenças relacionadas à saúde mental podem implicar no ganho de peso.
Combate à obesidade
O aconselhamento familiar pode auxiliar na prevenção do problema. Segundo João Regis, a ação de profissionais de saúde dedicados ao combate da obesidade deve ser bem mais ampla que apenas intervir quando o problema estiver evidente. Para ele, educação continuada, informação de qualidade, acolhimento, identificação de casos de risco, fazem parte de um conjunto de ações necessárias para reverter o cenário.
“É necessário analisar cada caso de maneira personalizada, pesquisando as causas e as consequências do excesso de peso, por meio de uma abordagem multidisciplinar a fim de proporcionar as melhores alternativas ou ferramentas terapêuticas possíveis ao paciente”, enfatiza o médico.
Obesidade na infância e adolescência
“Uma criança obesa tem grande probabilidade de se tornar um adulto obeso com risco de desenvolver doenças que impactarão sua qualidade e sua expectativa de vida”, evidencia João Regis. Além da genética, fatores ambientais também contribuem, como a alimentação rica em ultraprocessados e bebidas açucaradas, poucos alimentos saudáveis, falta de atividade física, tempo excessivo em frente às telas, qualidade do sono, uso de alguns medicamentos e, em casos mais raros, algumas síndromes.
“O tipo de parto, a falta de aleitamento materno e uso de fórmulas lácteas precocemente e de antibióticos na fase neonatal também influenciam. Além disso, fatores epigenéticos, que incluem o peso excessivo dos pais, o ganho baixo ou excessivo de peso da mãe na gestação, diabetes gestacional, tabagismo, entre outros”, completou Adriane Cardoso, médica e responsável técnica do ambulatório de obesidade da endocrinologia pediátrica do Complexo do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR).
Consequências para as crianças e jovens
Além de pressão alta, colesterol e triglicerídeos elevados, diabetes, já na infância, pode ocorrer o acúmulo excessivo de gordura no fígado, podendo levar à hepatite e à cirrose. Outras consequências são: apneia do sono, dor e problemas articulares e puberdade precoce (especialmente em meninas). A base do tratamento para esse grupo é a mudança do estilo de vida, com uma rotina mais estruturada, refeições mais saudáveis com horário determinado, tempo para brincar e para praticar atividade física, diminuir o tempo de tela, dormir bem, reduzir fatores estressantes e, por fim, nada de dieta radical. Em alguns pacientes, o tratamento ainda inclui a aplicação de medicamentos contra a obesidade, a cirurgia bariátrica com acompanhamento nutricional e psicológico.
“Cuidar da obesidade infanto-juvenil não inclui somente a criança, mas o ambiente familiar”, explica Adriane. “Não deve existir a ‘dieta da criança’ e a ‘comida dos adultos’, nem usar comida como prêmio ou castigo e manter horários previsíveis, e se possível, que todos pratiquem alguma atividade física juntos, passeiem ao ar livre, brinquem. A prevenção é sempre o melhor caminho!”, explica.
Tratamento com cirurgia bariátrica, balão gástrico e “canetas emagrecedoras”
A cirurgia bariátrica (“redução do estômago”) é recomendada para pessoas com IMC maior ou igual a 35 na presença de comorbidades ou maior ou igual a 40, mesmo que sem comorbidades. As novas regulamentações do Conselho Federal de Medicina (CFM) orientam a indicação da cirurgia bariátrica para pacientes com obesidade grau 1 (IMC acima de 30) em algumas condições especiais, como apneia do sono grave, pacientes com doença renal crônica na fila de transplante e pessoas com diabetes descompensada, que são insulino-dependentes.
Já o balão gástrico é indicado para pessoas com sobrepeso (IMC acima de 27) ou obesidade grau 1. O balão promove uma perda de peso menor que a cirurgia bariátrica, em torno de 15% do peso inicial com o uso dele. Com a cirurgia bariátrica, a redução é de 30% a 40%.
“O uso dos medicamentos antiobesidade necessita de orientação médica”, alerta a médica cirurgiã Luciana Siqueira, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE). Seu uso indiscriminado, nas doses inadequadas, pode levar a várias complicações e efeitos colaterais, como pancreatite e outros distúrbios relacionados a doenças do trato digestivo. Luciana enfatiza que mudar o estilo de vida é uma condição indispensável no tratamento da obesidade. Ela lembra que “o paciente é protagonista da sua história” e, portanto, é sua responsabilidade assumir o tratamento e seguir uma vida com mais qualidade e saúde, e com acompanhamento multiprofissional.
“A obesidade não tem cura e exige controle para o resto da vida. Assim, algumas pessoas precisarão usar medicação permanentemente para manutenção do peso. Com a obesidade controlada, aumenta a expectativa de vida do paciente, além de melhorarmos a qualidade de vida, pois sabemos que a obesidade traz limitações físicas para a pessoa”, evidencia a médica do HC-UFPE/Ebserh, hospital referência nacional na especialidade e o primeiro do país a implantar um programa de residência médica em cirurgia bariátrica.
Relato de paciente
O paciente do CHC-UFPR, Jurandir da Silva, passou por cirurgia bariátrica após tentar outras formas de perder peso. Devido a um afundamento de tíbia, ele sentia dores no tornozelo que o impediam de praticar exercício físico. “Estou mais leve. Perdi cerca de 40 quilos e sigo emagrecendo. A cirurgia foi um sucesso! Tudo ocorreu muito bem, graças a Deus!”, relatou Jurandir. Ele continua sendo acompanhado pela equipe médica e nutricionistas do CHC-UFPR.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Rosenato Barreto, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh