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GARANTIA DE DIREITOS
HU-Unifap promove ação de saúde para estudantes indígenas
Macapá (AP) - O Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), vinculado à Rede Ebserh, realizou nesta quinta-feira (09) uma ação de saúde e acolhimento aos estudantes indígenas que integram o curso de Licenciatura Intercultural Indígena - Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor Equidade). Participaram do evento 70 acadêmicos de diferentes povos situados no Estado do Amapá e norte do Pará, como Apalai, Wayana, Tiriyó, Kaxuyana, Wajãpi, Galibi-Marworno, Karipuna, Palikur e Galibi Kali'na, oriundos das Terras Indígenas Uaçá, Juminã e Galibi, na região de Oiapoque, da Terra Indígena Wajãpi e do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque.
Além deles, estiveram presentes colaboradores do HU-Unifap, estudantes de outros cursos, docentes e servidores da Unifap. A ação priorizou mulheres gestantes, pessoas com deficiência e aqueles que apresentam demandas específicas relacionadas à saúde. A iniciativa desempenha um papel essencial no acolhimento aos estudantes indígenas, especialmente porque muitos estão ingressando pela primeira vez em um curso de graduação. “Esse evento promove a ambientação dos alunos, permitindo que se sintam mais seguros e integrados ao ambiente acadêmico”, afirma a enfermeira da Gerência de Ensino e Pesquisa do HU-Unifap, Sarah Giulia Felipe.
Segundo a profissional, a ação valoriza a diversidade cultural e cria um espaço de troca de conhecimentos e experiências. Ao abordar temas de saúde de forma adaptada às especificidades culturais, a palestra também fortalece o vínculo entre os estudantes e os serviços de saúde, incentivando o autocuidado e contribuindo para a redução das desigualdades no acesso à saúde.
Ronaldo Manassés, coordenador-geral do Parfor-Unifap, destaca que alguns estudantes não tinham nenhuma vez saído dos seus espaços de aldeia para a cidade. “A gente sabe que quando esses povos têm contato com outros espaços que não são os seus, é preciso que a gente dê esse amparo e, de fato, oriente como que eles podem agir no período que estarão aqui, para evitar qualquer contaminação, doenças que são oportunistas para pessoas que estão com uma imunidade diferente da nossa”, explica.
Para José Carlos Tavares, gerente de Ensino e Pesquisa do HU-Unifap, o acolhimento serve justamente para eles terem o primeiro contato com a unidade hospitalar. “Ao entender os processos, eles podem inclusive reivindicar uma assistência hospitalar indígena específica e de qualidade. A Licenciatura Intercultural Indígena abrange diversas áreas, não é só a área da educação, eles têm também uma pequena formação dentro da área da saúde”, defende.
Os estudantes também receberam informações sobre Alimentação Saudável com ênfase na cultura indígena. “A introdução de alimentos industrializados e a diminuição do consumo de alimentos tradicionais, devido à falta de acesso a alimentos frescos e saudáveis, pode levar a carências alimentares, como a falta de proteínas e micronutrientes, e o surgimento de doenças relacionadas à alimentação, como obesidade, diabetes, hipertensão e desnutrição”, evidencia Milena Pinto Chaves, nutricionista da Unidade Multiprofissional.
Sarah Giulia Felipe destaca que a ausência de acesso aos cuidados com a saúde resulta em diagnósticos tardios, agravamento de condições de saúde preveníveis e aumento das desigualdades em saúde. “Isso impacta negativamente a qualidade de vida, reduz a expectativa de vida e pode comprometer a permanência e o desempenho acadêmico dos estudantes indígenas”, aponta a enfermeira da Gerência de Ensino e Pesquisa do HU-Unifap
Novas perspectivas
O estudante indígena Araimare Wajãpi-Wayana considera a graduação como a oportunidade de um futuro melhor para seu povo e para quem virá depois dele. Ele afirma que esta primeira turma indígena chegando na universidade do Amapá é uma grande conquista das lideranças e do movimento social que representa. “A gente precisa que no futuro também os indígenas possam ocupar esse espaço, mas não somente formação dos professores, mas também que seja na área da saúde. E temos outros cursos que poderão nos capacitar, formar os próprios indígenas para atuarem na área da saúde, nas diversas áreas que nós precisamos”, declara.
O HU-Unifap oferece aos estudantes sua infraestrutura, como o auditório e o Centro de Pesquisa Clínica, além de mobilizar uma equipe multiprofissional capacitada para realizar consultas, orientações e atendimentos individualizados, respeitando as particularidades culturais dos estudantes indígenas e promovendo um atendimento humanizado e inclusivo.
Saiba mais
As principais políticas públicas existentes para garantir o acesso à saúde para as comunidades indígenas são:
- O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI), coordenado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI);
- O Plano Nacional de Saúde Indígena, que prevê ações específicas para comunidades indígenas;
- E o Parfor Equidade, que visa formar professores em licenciaturas específicas para atendimento da rede pública de educação básica ou das redes comunitárias de formação por alternância, que oferecem educação escolar indígena, quilombola e do campo, assim como educação especial inclusiva e educação bilíngue para pessoas surdas.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap) faz parte da Rede Ebserh. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação de Neurizete Duarte, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação da Ebserh