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DIA INTERNACIONAL DA EDUCAÇÃO
HDT fortalece a formação em saúde ao integrar ensino e cuidado no SUS
A trajetória do médico Marciairo Kumbuessa ajuda a ilustrar como o ensino em saúde ganha forma no cotidiano do Hospital de Doenças Tropicais (HDT-UFNT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Natural de Lubango (Angola), ele integra, desde junho de 2025, o Programa de Residência Médica em Infectologia da instituição, vivência que ganha ainda mais significado no contexto do Dia Internacional da Educação, celebrado em 24 de janeiro, data que reforça o papel dos hospitais universitários como espaços estratégicos de formação e qualificação profissional no Sistema Único de Saúde (SUS).
Para o residente, a experiência no HDT ultrapassa o aprendizado técnico. “Minha experiência como residente estrangeiro no HDT tem sido extremamente enriquecedora, tanto do ponto de vista profissional quanto humano. Atuar no hospital significa estar inserido em um ambiente onde o ensino, a prática clínica e o cuidado ao paciente acontecem de forma integrada e contínua, especialmente na residência de Infectologia, devido ao perfil dos pacientes e ao ritmo real da assistência”, afirma.
Ensino e cuidado
Essa integração entre ensino e cuidado é parte da missão institucional do hospital universitário, que atua simultaneamente na assistência à população e na formação de profissionais qualificados para o SUS. No HDT, projetos de ensino, pesquisa e inovação conectam o saber acadêmico à prática clínica, incorporando tecnologias e estratégias educacionais que fortalecem a qualidade do atendimento e o compromisso social da instituição.
Segundo a gerente de Ensino e Pesquisa do HDT, Danielle Barros, a educação é um eixo estruturante do hospital. “Como hospital universitário, o HDT tem a missão de formar profissionais qualificados ao mesmo tempo em que oferece assistência à população. Ensino e cuidado são indissociáveis e caminham juntos no nosso dia a dia, fortalecendo práticas baseadas em evidências e contribuindo para um SUS mais resolutivo e humano”, destaca.
Qualificação profissional
Danielle ressalta que a qualificação profissional desenvolvida no hospital ultrapassa fronteiras e áreas do conhecimento. “Integramos ensino, pesquisa e inovação por meio de iniciativas que dialogam diretamente com a assistência, como o uso de peças anatômicas impressas em 3D, que apoiam o ensino-aprendizagem, auxiliam a prática clínica e fortalecem a relação médico-paciente, além da produção de órteses e próteses para reabilitação de pacientes com hanseníase e outras sequelas neurológicas”, explica.
No campo da inclusão e da comunicação acessível, o hospital desenvolve projetos voltados à Língua Brasileira de Sinais (Libras), tanto no ambiente hospitalar quanto nas redes sociais, fortalecendo o atendimento humanizado e a equidade no acesso à informação em saúde. O uso de plataformas digitais, como Instagram e WhatsApp, amplia o alcance das ações de educação em saúde, da vigilância epidemiológica e de campanhas direcionadas à população.
Cooperação internacional
Outro eixo relevante é a cooperação internacional. O HDT integra o Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola e atualmente acolhe profissionais angolanos em estágio na modalidade fellowship (programa de pós-graduação avançado e especializado, focado em aprofundamento prático e teórico). Essa troca contribui para uma formação em saúde solidária, de caráter global e alinhada aos princípios do SUS.
Para Marciairo Kumbuessa, esse ambiente formativo se reflete diretamente na prática cotidiana. Ele destaca o acolhimento institucional e o trabalho em equipe como diferenciais. “Desde o início, fui muito bem acolhido pela equipe multiprofissional, o que facilitou a adaptação e a troca de conhecimentos entre diferentes realidades. O contato diário com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, técnicos e outros profissionais mostra que o trabalho em equipe é valorizado e impacta diretamente na qualidade da assistência”, avalia.
O residente também aponta o papel dos preceptores no processo de formação. “Há um acompanhamento próximo, com estímulo ao raciocínio clínico, à tomada de decisões responsáveis e ao olhar crítico sobre cada caso. Sempre há espaço para discussão, orientação e aprendizado. Não estamos aqui apenas para executar tarefas, mas para nos formar como profissionais comprometidos com o cuidado e com o SUS”, conclui.
Sobre a Ebserh
O Hospital de Doenças Tropicais (HDT) faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Rafael Chaves, com revisão de Alexsandra Jácome
Coordenadoria de Comunicação Social/ Ebserh