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SAÚDE PÚBLICA
Tuberculose: Um problema de saúde pública que não deve ser ignorado
Belém (PA) – Doença infectocontagiosa causada pela micobactéria Mycobacterium tuberculosis (MTB), a tuberculose ainda é um sério problema de saúde pública. Os sintomas mais comuns são tosse com ou sem escarro, perda de peso, febre e sudorese noturna. A doença afeta prioritariamente os pulmões, mas pode acometer outros órgãos. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamento por meio da rede pública de saúde. Os hospitais universitários administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), possuem serviços de referência e especialistas para o atendimento aos usuários do SUS.
O dia 24 de março celebra o Dia Mundial de Combate à Tuberculose. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 10,8 milhões de pessoas foram acometidas pela doença em todo o mundo, no último ano. “No Brasil, além do alto número de casos, a tuberculose afeta principalmente populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua, presidiários e pacientes com HIV”, disse o médico infectologista Carlos Alberio, coordenador do Ambulatório de Tuberculose Multirresistente do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA).
A transmissão da tuberculose acontece por via respiratória, pela tosse, fala ou espirros de um paciente infectado. Por isso a prevenção da doença envolve medidas de higiene respiratória, tratamento precoce dos casos positivos e boas condições de saúde e sociais da população, já que o adoecimento por tuberculose está diretamente relacionado ao grau de imunidade.
A tuberculose é uma doença mais prevalente em países pobres e por isso considerada negligenciada. Desde a década de 90, a OMS lançou uma estratégia de enfrentamento com objetivos que são renovados com certa periodicidade. Existem estudos em andamento com novas drogas para tratamento e novos métodos diagnósticos, mas ainda estamos longe do ideal quando falamos de inovação no âmbito da tuberculose.
Prevenção e tratamento
No Brasil, a vacina BCG é obrigatória para menores de um ano, pois protege contra as formas graves da doença na infância.
Caso a pessoa apresente sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima da sua residência para avaliação e realização de exames. Hoje existe um arsenal importante para o diagnóstico e tratamento da doença que envolve métodos baseados em biologia molecular para identificação de cepas de MTB e padrão de resistência, bem como testes substitutivos ao teste tuberculínico, para diagnóstico de infecção tuberculosa. Essas inovações têm contribuído e dado celeridade ao diagnóstico da doença e facilitado medidas preventivas para se evitar o adoecimento.
O tratamento padrão da tuberculose, hoje, é composto por quatro medicações em comprimido que são fornecidas gratuitamente pelo SUS, e que o tempo total de tratamento é de seis meses para as formas não complicadas da doença.
“Para que a cura seja alcançada, é essencial que o paciente siga o tratamento até o fim”, explica o médico do Barros Barreto, Carlos Alberio. Segundo ele, isso evita a recaída da doença e impede que a tuberculose se torne resistente aos medicamentos. “A interrupção do tratamento pode levar a formas mais graves e de difícil controle, colocando a vida do paciente e de outras pessoas em risco. O paciente só é considerado curado após completar o esquema medicamentoso e apresentar exames negativos para a doença”, completa.
Desafios e conquistas na luta contra a doença
Para o médico Carlos Alberio, os desafios para erradicar a tuberculose estão ligados não apenas à saúde, mas também à fatores socioeconômicos. Segundo ele, a falta de acesso ao diagnóstico precoce, as condições precárias de moradia e a baixa adesão ao tratamento ainda são barreiras a serem superadas. Ele aponta avanços na luta contra a doença: novos métodos de diagnóstico, como testes moleculares rápidos; desenvolvimento de novos medicamentos e esquemas de tratamento, reduzindo o tempo necessário para a cura; aprimoramento de programas de saúde, ampliando o acesso ao diagnóstico e ao tratamento; e capacitação de profissionais de saúde, garantindo um atendimento mais eficiente.
O pneumologista explica que, apesar dos avanços, a tuberculose ainda é vista com preconceito por parte da sociedade: “Por ser uma doença transmissível e, em alguns casos, deixar sequelas incapacitantes, muitas pessoas acometidas enfrentam discriminação no ambiente de trabalho e no convívio social. Essa estigmatização pode dificultar o diagnóstico e afastar os pacientes dos serviços de saúde, comprometendo o controle da doença”.
Carlos Alberio também destaca que o suporte da família é fundamental para que o paciente consiga completar o tratamento: “Muitos portadores da doença precisam se afastar temporariamente do trabalho, o que pode impactar sua renda e qualidade de vida. Por isso, além do suporte dos profissionais de saúde, é essencial que familiares ofereçam apoio emocional e prático para garantir que o paciente não abandone o tratamento”.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.