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Hospital Universitário João de Barros Barreto realiza cirurgia inédita no Pará
Belém (PA) - Uma cirurgia inédita no Pará, com adoção de técnicas de medicina regenerativa, foi realizada pelo Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB-UFPA/Ebserh), beneficiando uma paciente de 77 anos acometida por erisipela bolhosa no membro inferior esquerdo. Esse foi o primeiro caso no HUJBB de realização de um enxerto autólogo com gordura microfragmentada, lipoaspirada e preparada, seguindo técnicas de medicina regenerativa para fechamento de feridas refratárias.
A cirurgia foi realizada no dia 24 de maio, pelo chefe da Unidade do Sistema Cardiovascular (USC), Victor Guerreiro, com o apoio das chefias do Setor de Farmácia e do Centro Cirúrgico, Aline Ribeiro e Edileuza Lima, respectivamente. O procedimento contou com orientação do cirurgião vascular Eliud Garcia, do Espírito Santo, médico speaker que tem difundido a técnica no Brasil e que estava em Belém participando do Congresso Norte/Nordeste de Cirurgia Vascular. Eliud Garcia é referência no Brasil em cuidados de ferida.
“A semente da medicina regenerativa foi plantada em nosso hospital. Foi um momento de aprendizado e, talvez no futuro, essa técnica possa ser incorporada ao arsenal terapêutico do HUJBB no tratamento de feridas. Com a realização dessa cirurgia, vimos que o uso dessa técnica é factível e que dá para trabalhar no Barros Barreto nesse nível de excelência”, afirmou Victor Guerreiro.
Logo após o procedimento, chamou a atenção da equipe assistencial o fato de que foi verificado um maior controle da dor na paciente. “Ela sofria com dores no membro e, no dia seguinte, não tinha mais dor. Foi uma resposta muito satisfatória no pós-operatório”, acrescentou o chefe da USC, ressaltando que a paciente já teve alta.
Entenda o Procedimento
A cirurgia com uso de enxertos de gordura, realizada no Hospital João de Barros Barreto, envolveu a retirada de gordura profunda do abdome da própria paciente, uma mulher de 77 anos que estava sofrendo com feridas refratárias (lesões de difícil cicatrização).
Após a aspiração de gordura abdominal, foi feito um preparo microfragmentado do tecido adiposo (nome técnico da gordura). No processo, o material aspirado é decantado e precipitado. Depois, uma fração da gordura é descartada, sendo usada no procedimento apenas a gordura microfragmentada que interessa à medicina regenerativa e que será usada como enxerto na própria pessoa — daí o nome enxerto autólogo. Na execução da microfragmentação, é utilizado um kit específico, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
No HUJBB, a técnica de medicina regenerativa foi aplicada em quatro lesões da pele da paciente (com injeções nas lesões e aplicação da substância sobre as feridas), visando a um maior estímulo da cicatrização. O tecido adiposo retirado de camadas subcutâneas mais profundas da região abdominal é rico em células especializadas, que têm a capacidade de auxiliar na cicatrização de lesões. Atualmente, o uso de enxertos de gordura mais utilizado é o AMAT (Autologous Microfragmented Adipose Tissue).
Sobre a Rede Ebserh
O Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), pertence à Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.