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"Vivenciar o luto foi muito difícil, doloroso, tinha muita vontade de ser mãe, ao mesmo tempo que o medo tomava conta de mim".
Engravidei pela primeira vez em março de 2020, uma expectativa grande, considerando o desejo de ser mãe. Em uma consulta do pré-natal, em dezembro do mesmo ano, após uma escuta realizada pela equipe da Unidade Básica de Saúde, descobri que meu bebê estava morto.
Meu mundo desabou. Às pressas, dei entrada na emergência da Maternidade Escola Januário Cicco, onde foi feito o parto e curetagem.
A dor e o medo tomaram conta de mim, não conseguia ter forças para seguir com o sonho de ser mãe.
Dias após a triste perda, conheci o Grupo de Apoio à Perda Gestacional e Neonatal da MEJC, e passei a participar dos encontros e compartilhar a minha história com outras mães que vivenciaram o luto. Foi assim, que me senti acolhida e fortalecida a dar continuidade ao meu desejo pela maternidade.
Nem sempre as pessoas de fora, que não passaram por uma situação de perda, entendem a nossa dor, o momento difícil que estamos vivendo. É como se nós não tivéssemos sentimento e isso, não ocorre dentro do grupo de perdas.
Ansiedade e medo
Através do grupo, venci a minha ansiedade e o medo de engravidar. Foi no grupo que recebi as orientações, fui encaminhada para atendimentos médicos, tratamentos e, tudo isso, me ajudou a engravidar novamente.
Não foi fácil. Acho que vivi mais aqui na MEJC do que na minha própria casa. Após engravidar novamente, foi um local que me senti acolhida por todos. Passei a fazer o meu pré-natal aqui; todos os profissionais são atenciosos e cuidadosos e, poder estar aqui, fazendo uso de toda essa estrutura, foi fundamental para o sucesso da minha gravidez.
Hoje me sinto realizada. Sou a mulher mais feliz do mundo! Sei que o luto ficará guardado para sempre em meu coração, mas a superação fala mais alto e ter tido a minha pequena Melina, no dia do meu aniversário, foi um presente de Deus.
Agradeço a todos da MEJC, principalmente a equipe que compõe o Grupo de Apoio a Perdas e as mães que fazem parte, foi muita dedicação e muito esforço da minha parte e de todos.
A fé, a perseverança e o apoio dos profissionais da MEJC foram fundamentais, agradeço de coração.
Depoimento de Glaucia Gomes de Lima, 37 anos,
Mãe de anjo e agora mãe da pequena Melina.