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INOVAÇÃO
Sistema HERA “é o desenvolvimento da ciência humanitária”, diz coordenador do LAIS
Pioneiro no Brasil na promoção da inovação tecnológica em saúde, o Laboratório de Inovação Tecnológica (Lais) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), através da sua Escola de Programação, lançou na manhã de ontem (18) o sistema HERA, software desenvolvido exclusivamente para os serviços de triagem neonatais (teste da linguinha e da orelhinha) realizados por profissionais de fonoaudiologia em hospitais e maternidades públicas no Brasil.
O sistema que faz alusão à deusa grega da maternidade começará a ser utilizado próxima semana na Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC), uma das três unidades hospitalares da UFRN no Estado, administradas pela Rede Ebserh, local que foi objeto de estudo das pesquisas desenvolvidas pela aluna do Mestrado de Gestão e Inovação em Saúde e também fonoaudióloga da MEJC, Luiza Aline Costa Monteiro e que deu origem ao sistema.
“Mesmo propondo mudanças no fluxo de atendimentos e nas ferramentas que já utilizávamos no serviço, era necessário o desenvolvimento de algo mais audacioso, com ganhos seguros ao serviço, uma base de informações consolidadas e que proporcionasse um grande impacto na saúde”, lembra a especialista.
Sobre a importância da triagem neonatal a especialista explica que a detecção precoce de problemas relacionados a audição e mobilidade de língua podem resultar em melhor qualidade de vida. “Os testes da orelhinha e da linguinha, realizados no primeiro mês de vida, tem papel fundamental, sendo a melhor forma de minimizar as consequências de uma deficiência ou comprometimento”, explica.
Segundo o professor e coordenador do Lais, Ricardo Valentim, trabalhar com tecnologia em saúde é muito mais que desenvolver softwares é fazer uso da ciência para promover o bem-estar e a satisfação do usuário da saúde pública. “Quando trabalhamos com inovação tecnológica, principalmente na saúde, estamos pautando a ciência em valores afetivos, dando um olhar humano para os processos e o sistema HERA é muito mais que tecnologia é o desenvolvimento dessa ciência humanitária”, afirma.
Através do sistema será possível realizar todo o cadastro do recém-nascido e do responsável, fazer agendamento dos exames e lançar informações dos resultados, permitindo um mapeamento e cruzamento de dados preciso e identificando o perfil de atendimento de cada unidade hospitalar. A intenção é concentrar em um mesmo ambiente virtual informações importantes que possam auxiliar no tratamento precoce de problemas fonoaudiológicos.
Além disso, o HERA dispõe de ferramentas de comunicação como a secretária eletrônica, que envia mensagens de áudio para os pacientes e o recurso de videoconferência, possibilitando a realização de reuniões virtuais entre os profissionais e os gestores públicos da saúde.
O software será disponibilizado gratuitamente para Rede Ebserh e terá uma versão mobile, ainda em fase de desenvolvimento.
O evento contou com a presença do superintendente do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), Stenio Gomes da Silveira, o coordenador do Centro de Ciências da Saúde da UFRN, professor Ênio Ferreira de Miranda, além de acadêmicos, professores, diretores e profissionais de saúde.
Estatísticas Mundiais
Estudos realizados pela Organização Mundial da Saúde (ONU) revelam que cerca de 360 milhões de pessoas, aproximadamente 5% da população mundial, vivem com deficiência auditiva incapacitante e quase 32 milhões delas são crianças. No Brasil são 15 milhões.
Estima-se que mais de 60% destas perdas auditivas possam ser evitadas através de medidas preventivas.
A anquiloglossia, conhecida popularmente por “língua presa”, tem uma prevalência de 1,9% a 4,8% e seu impacto para a saúde infantil ocorre devido às alterações nas funções orais: sugar, engolir, mastigar, falar.
Para a doutora e orientadora da dissertação, Joseli Soares Brazorotto, diante do cenário faz-se importante e necessária a busca por inovações em processos e produtos que permitam maior agilidade e resolutividade, que impacte na cobertura da triagem neonatal, bem como no gerenciamento dos dados e dos casos identificados, tendo em vista as consequências das deficiências para a sociedade.
“O Sistema HERA tem potencial para otimizar a funcionalidade e a qualidade do processo de triagem fonoaudiológica neonatal, com contribuições à saúde da população infantil de nosso país”, ressalta.
Sobre a Ebserh
Desde agosto de 2013, a Mejc-UFRN é filiada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), estatal vinculada ao Ministério da Educação que administra atualmente 40 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.
Por João Pedrosa