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O papel dos Probióticos em Ginecologia e Obstetrícia é debatido em Simpósio da Maternidade
Na última sexta (7), a Maternidade Escola Januário Cicco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN), realizou o I Simpósio de Probióticos em Ginecologia e Obstetrícia, cujo objetivo foi apresentar o novo olhar científico dos lactobacilos no tratamento das infecções vaginais.
Na Europa e nos Estados Unidos tem-se utilizados probióticos para o tratamento de infecções do trato urinário e do trato gastrointestinal. Recentemente, os estudos para a prevenção de infecções vaginais vêm sendo aprimorados com o uso de lactobacilos, que protegem a mucosa contra a colonização e o crescimento de micro-organismos patogênicos.
A chefe de Pesquisa e Inovação Tecnológica da MEJC, Janaína Crispim, esclarece a importância de estudos duplos-cegos que sugerem amplo papel dos probióticos na saúde da mulher. “Ensaios clínicos randomizados, publicados em 2017, apontaram uma ampla ação dos probióticos no diabetes mellitus gestacional, em síndromes hipertensivas gestacionais, na profilaxia de infecções bacterianas do trato urogenital, no tratamento da vaginose bacteriana e na prevenção de partos prematuros. Esses estudos abrem o campo para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas na saúde da mulher e nos desfechos perinatais”, salienta.
Uma vagina humana normal, na menacme – período fértil da mulher que vai da primeira à última menstruação –, tem 90% da sua flora vaginal composta por lactobacilos, que permitem os micro-organismos viverem pacificamente e em harmonia, sendo responsáveis pela manutenção da homeostase vaginal e ainda por fazerem uma espécie de limpeza no meio vaginal, se alimentando de matéria orgânica e de patógenos.
“O uso de probióticos tem sido utilizado para equilibrar e limpar o meio vaginal de patógenos. Os lactobacilos são semelhantes aos que a mulher já tem na sua flora vaginal normal. Eles ajudam a prevenir e tratar infecções causadas por bactérias e, pelo fato de sua rápida reprodução, não permitem a sobra de nutrientes para as bactérias causadoras de doenças”, explica a médica e professora do Departamento de Tocoginecologia, Ana Katherine Gonçalves, que abordou em sua palestra o papel dos Probióticos na Ginecologia e Obstetrícia.
Quando o assunto é gravidez, a flora vaginal provoca o aumento da concentração dos lactobacilos, em virtude do estimulo hormonal elevado. Ana Katherine ressalta que fatores hormonais e imunológicos podem causar certo desequilíbrio desses lactobacilos, ocasionando doenças. “Pelo fato de ocorrer esse decréscimo de lactobacilos, as mulheres ficam mais vulneráveis às infecções vaginais, podendo acarretar em inflamações pélvicas e no recém-nascido, além da esterilidade e do aumento do risco de aquisição do vírus HIV”, comenta.
O Simpósio organizado pela Gerência de Ensino e Pesquisa da MEJC, que contou com a presença de alunos, residentes e profissionais da saúde, ainda teve em sua programação a palestra do médico Ricardo Cobucci, o qual falou das evidências científicas do uso de probióticos, e da médica chefe da Unidade de Graduação e Ensino da maternidade, Michelly Monteiro, trazendo o panorama das vulvoginites.
Sobre a Ebserh
Desde agosto de 2013, a Mejc-UFRN é filiada à Ebserh, estatal vinculada ao Ministério da Educação, que administra atualmente 39 hospitais universitários federais. O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
O órgão, criado em dezembro de 2011, também é responsável pela gestão do Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais (Rehuf), que contempla ações nas 50 unidades existentes no país, incluindo as não filiadas à Ebserh.