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TRABALHO MULTIDISCIPLINAR
Serviço de Reabilitação Bucomaxilofacial do HULW resgata autoestima de pessoas mutiladas
Próteses, feitas de resina ou de silicone, envolvem trabalho artesanal, minucioso e delicado
Ary Duarte, 59 anos, perdeu o globo ocular esquerdo após ter um câncer de pele há duas décadas. Há cinco anos, no entanto, ele foi reabilitado por meio de um serviço oferecido pelo Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB), filial da Ebserh, em parceria com a Escola Técnica de Saúde (ETS) da Universidade Federal da Paraíba.
Pessoa com deficiência, Ary foi levado até o HULW-UFPB pela irmã Nilbe, que é também sua curadora. “É uma felicidade para ele. É como se fosse mesmo o olho dele, como se ele enxergasse tudo. Ele não sabe sair sem a prótese”, afirma.
A exemplo de Ary Duarte, uma média de 15 pacientes é atendida, todos os meses, no Serviço de Reabilitação Bucomaxilofacial do HULW-UFPB. O trabalho é realizado de forma multidisciplinar por professores e alunos integrantes das ações de extensão e pesquisa da ETS, envolvendo também profissionais de outras áreas, como medicina e enfermagem. O agendamento dos pacientes é realizado no Núcleo de Odontologia Social, situado no térreo do HULW.
“Essas pessoas que perderam estrutura da face e que a cirurgia plástica ou reconstrutiva não resolveu, ou aquelas que nasceram com alguma deformidade, serão avaliadas pela nossa equipe de dentistas para tratarmos aquelas que podem ser reabilitadas”, informa a professora e dentista Cacilda Chaves, coordenadora do Laboratório de Prótese Dentária.
As próteses utilizadas no Serviço de Reabilitação Bucomaxilofacial do HULW-UFPB são produzidas no Laboratório de Prótese Dentária da ETS. Por meio da reabilitação facial, os profissionais da ETC resgastam a autoestima de pessoas mutiladas ou com deformidades congênitas e devolvem a qualidade de vida aos usuários do HULW-UFPB.
Cacilda Chaves acrescentou que, geralmente, os pacientes atendidos no Serviço de Reabilitação Bucomaxilofacial são pessoas que foram mutiladas em decorrência de patologias como o câncer ou que foram vítimas de violência urbana. Muitas vezes, elas se escondem atrás de acessórios como óculos escuros e bonés, sendo levadas ao atendimento no HULW por algum membro da família ou por algum amigo.
“Nosso trabalho é resgatar a autoimagem e a autoestima de pessoas mutiladas, em casos que a cirurgia plástica não consegue resolver, como um paciente que perde um globo ocular ou uma pessoa que perde, em virtude de um câncer, as estruturas faciais de pálpebras, cílios e sobrancelhas, ou a estrutura do nariz”, explica.
Como se fosse uma artista plástica, a dentista e professora da UFPB Cacilda Chaves realiza um trabalho artesanal, minucioso e delicado de recriação, a exemplo da pintura da íris do olho ou da colocação dos cílios artificiais na prótese ocular. Ela explicou que as próteses, feitas de resina ou de silicone, são oferecidas aos pacientes com deformidade bucomaxilofacial por meio de ações de extensão e pesquisa desenvolvidas por professores da Escola Técnica de Saúde.
O trabalho realizado pelo Laboratório de Prótese Dentária da ETS já é referência na Paraíba na área de prótese, prestando atendimento gratuito, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), a pacientes encaminhados por unidades de saúde de João Pessoa e do interior do Estado.
Sobre a Ebserh
O HULW-UFPB integra a Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais.
O objetivo é, em parceria com as universidades, aperfeiçoar os serviços de atendimento à população, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e promover o ensino e a pesquisa nas unidades filiadas.
Fonte: Aline Lins - Assessoria de Comunicação da UFPB (com edição de Angélica Lúcio)
Fotos: Angélica Gouveia/Ascom-UFPB