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REDE DE APOIO
Acolhida de pacientes de Manaus no HULW envolveu redefinição de fluxos e redistribuição de leitos
Dezessete de janeiro de 2021, tarde da noite. Tudo está pronto para o Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh) receber pacientes de Manaus-AM com covid-19. De repente, começam a chegar ao centro de saúde vários pacientes da cidade que foram picados por escorpiões. Problema para o desenvolvimento da ação solidária? Nenhum. O atendimento a esse tipo de situação estava previsto no planejamento do hospital, que se uniu a outros hospitais universitário federais em uma força-tarefa organizada pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh/MEC). A rede de apoio foi criada pela estatal após o colapso registrado no sistema de saúde do Amazonas.
Tanto a situação com os escorpiões quanto o atendimento a situações de emergência envolvendo gestantes (o que de fato ocorreu na noite de 17 de janeiro) estavam entre os cenários desenhados pelo HULW-UFPB. Dentre as ações realizadas, houve redefinição de fluxos, reorganização das equipes, redistribuição de leitos, simulações de assistência e planejamento do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), além de tratativas com outras instituições, como a Prefeitura de João Pessoa, que colocou dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) como retaguarda, e o governo do Estado da Paraíba, que cedeu as ambulâncias responsáveis pelo translado dos pacientes.
“O superintendente foi acionado na noite de quinta-feira e, logo cedo de manhã, a gente fez uma reunião com a Governança e começou a planejar como iria receber esses pacientes”, relata Analyane Braga, chefe da Divisão de Gestão do Cuidado do HULW. Nesse primeiro encontro, foram discutidas questões relacionadas ao espaço físico (onde os pacientes iriam ser alocados), equipe da assistência à disposição e estoque de insumos disponível.
Para o êxito da missão, foram acionados profissionais de diversos setores do Hospital Universitário, como Superintendência, Gerência de Atenção à Saúde, Divisão de Gestão do Cuidado, Divisão de Enfermagem, Divisão Médica, Unidade de Apoio Operacional, Infraestrutura e Infectologia.
“Além da reorganização física dos espaços e dos equipamentos necessários para o tratamento dos amazonenses contaminados pelo coronavírus, fizemos o dimensionamento de pessoal da assistência (enfermagem, medicina e fisioterapia) e de profissionais de serviços de apoio, como lavanderia, nutrição e higienização”, afirma Analyane Braga.
A equipe do Lauro Wanderley ainda desenhou todo o fluxo de entrada e saída dos pacientes, fluxo de acesso ao elevador e por onde as ambulâncias iriam entrar e sair do hospital. “Nós desenhamos um fluxo em que o paciente tanto poderia ser admitido durante o dia, com o hospital todo em atividade, quanto durante a noite, como de fato ocorreu”, explica.
Voluntariado e organização
Foram alocados para o momento da recepção dos 15 pacientes amazonenses no HULW: nove médicos, incluindo residentes e outros médicos da instituição, além dos infectologistas que iriam atender os pacientes; seis enfermeiros; nove técnicos de enfermagem; e quatro fisioterapeutas.
Além disso, vários profissionais da instituição que não estão envolvidos diretamente no enfrentamento da covid-19 se uniram à equipe para atuar como voluntários no momento da recepção dos pacientes oriundos de Manaus. “Reunimos esse pessoal para que o momento de recepção fosse o mais dinâmico possível e não causasse nenhum dano ao paciente, porque já vinham debilitados da viagem longa, com circunstâncias adversas”, explica Ana Caroline Escarião, chefe da Divisão de Enfermagem.
“O que foi proposto para a recepção dos pacientes foi aceito e, em menos de uma hora, os 15 pacientes estavam internados na unidade, sem nenhum dano”, comenta Caroline Escarião, que integra os quadros do HULW-UFPB/Ebserh há cinco anos e nunca havia participado de uma ação desse tipo no hospital. “Já participei de algo aparecido em outras unidades em situações de desastres naturais, mas não com tanta organização e estrutura tão bem montada e planejada, como foi essa operação para atender os pacientes de Manaus”, diz.
Logo após a chegada dos pacientes, vários colaboradores também se mobilizaram para entrar em contato com os familiares dos amazonenses, para transmitir informações sobre o estado de saúde de quem acabara de ser internado no HULW-UFPB. “A gente conseguiu fazer tudo o que havia planejado, inclusive com pessoas assumindo funções diferentes das que assumem na instituição em prol dessa causa. Toda vez que se quer fazer algo em que há adesão das pessoas é possível. Mesmo sendo em um hospital público, mesmo com todas as dificuldades, quando se quer se consegue”, afirma Analyane Braga.
Para ela, a experiência deixou uma importante lição. “Nós podemos fazer muito mais do que a gente faz”. Já para Ana Caroline Escarião, o legado está diretamente ligado ao planejamento. “A organização, com responsabilidades bem distribuídas e reconhecidas, foi o êxito da operação. Assumimos papeis diferentes do que estávamos acostumadas a fazer habitualmente, mas tudo foi um sucesso”, declara.
Angélica Lúcio - Jornalista HULW-UFPB/Ebserh