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UM DIA ESPECIAL
Ação de humanização viabiliza festa para criança internada há mais de 5 anos no HULW
Acolhimento, interação entre paciente e equipe multiprofissional, cordialidade e respeito a quem está sendo cuidado. Na teoria, esses são alguns elementos que compõem a humanização na saúde. Na prática, se traduz em ações cotidianas ou iniciativas realizadas em dias especiais. Como foi o que ocorreu na tarde de quinta-feira, 9, no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh), em João Pessoa, com o pequeno João Lucas.
Internado desde maio de 2014 no HULW, quando tinha apenas 4 meses de vida e foi diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME), uma doença rara e degenerativa, o garoto ganhou uma festa com o tema do Rei Leão para festejar o sexto ano de vida. João Lucas ficou quatro anos e oito meses na Unidade de Terapia Intensiva do hospital, e esta é a primeira comemoração do seu aniversário desde que ele está na clínica pediátrica.
“Eu estou me sentindo realizada. A preparação envolveu a gente, pais, e a equipe também se empenhou de uma forma sem igual, para fazer tudo o que está aqui”, declarou a mãe de João Lucas, Sonali Rodrigues, na companhia do marido, Waldir Ribeiro Carvalho Júnior. Ela disse que sempre comemorou o aniversário do filho na UTI do Hospital Universitário, mas numa proporção bem menor, principalmente pelas restrições do espaço. “Acho que ele está feliz hoje”, complementa.
A mãe de João Lucas também deixa uma mensagem para pais e mães. “Nunca devem deixar de acreditar, de sonhar. Tudo na vida tem um propósito, o que a gente não pode é parar a vida. Tem que seguir da forma que Deus nos designou. Aceitar a nossa realidade, como eu aceito a realidade de João”.
DESCONTRUINDO PROGNÓSTICOS
Além da decoração caprichada, a festividade contou com guloseimas, encenação teatral e música. Tudo organizado pelos familiares com apoio dos colaboradores do hospital. “Desde o Dia das Crianças, quando Sonali viu a decoração, ela ficou com o sonho de comemorar o aniversário dele, e a gente disse que iria colaborar. Graças a Deus, conseguimos a concretização desse sonho, com ajuda da brinquedoteca, da pediatria, dos residentes, dos profissionais e da família dela também”, afirma a enfermeira Daniela Karina Antão, que é coordenadora da brinquedoteca.
“João é um menino muito especial. Ele não se expressa com palavras, mas a gente sente a interação dele com o ambiente. Quando ele vem para a brinquedoteca, ou quando vai para a área externa, você sente que ele interage. E eu acho que ele está entendendo que está acontecendo algo diferente para ele hoje”, acrescenta.
A fisioterapeuta Eliza Juliana explica que, mesmo com a limitação do quadro de João Lucas, como a fraqueza muscular progressiva e a fraqueza respiratória, ela tem procurado novas possibilidades para o cotidiano do paciente.
“João é uma criança dependente de ventilação mecânica, tem traqueostomia, então, a gente tenta possibilidades mesmo com as limitações dele. Ele faz fisioterapia convencional no leito, mas a gente busca a cada dia descontruir as barreiras, como realizar passeios de sol quando é possível. Até esse momento de festa, com uma celebração de uma forma que ele nunca teve, é uma realização para a família. Então, a gente acaba desconstruindo os prognósticos e os medos”, explica.
Conforme a fisioterapeuta, o que a família consegue proporcionar a João Lucas transmite um conforto e uma confiança muito grande. “Dentro do quadro dele, ele está tendo o melhor que ele pode. Esse momento é de muita alegria para todos nós, foi muito empenho. A mãe, Sonali, e o pai, Júnior, são pessoas extremamente carinhosas. Eles conseguem trazer um amor incondicional a esse filho, e eu tenho certeza que ele se sente muito amado”, comenta a fisioterapeuta.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Lauro Wanderley da Universidade Federal da Paraíba (HULW-UFPB) integra a Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) administra atualmente 40 hospitais universitários federais.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.