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SAÚDE
Uso racional de antibióticos e articulação multiprofissional são pontos decisivos para enfrentar a sepse
Lagarto (SE) – O que parece ser uma ‘‘simples’’ infecção pode evoluir para uma emergência grave. Com a sepse é assim: ela começa silenciosa e, em poucas horas, pode comprometer os órgãos. Entre os sintomas da doença estão a alteração do nível de consciência, a dificuldade respiratória, a queda da pressão arterial, a redução da produção de urina e alterações de coagulação. A forma mais grave, que é o choque séptico, ocorre quando a pressão arterial tem uma queda muito relevante e os órgãos começam a falhar.
No mês de conscientização sobre a doença, o médico infectologista João Paulo Fonseca, do Hospital Universitário de Lagarto, da Universidade Federal de Sergipe (HUL-UFS), unidade da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), explica que a expressão “infecção generalizada” sugere que o microrganismo tenha se espalhado por todo o corpo, o que não é necessário para que ocorra a sepse. “Na verdade, a sepse ocorre quando uma infecção localizada, como no pulmão, trato urinário, pele ou abdômen, desencadeia uma resposta desregulada do organismo, capaz de provocar disfunção grave em órgãos vitais”, descreve.
Ele afirma ainda que diferentes fatores, como o local onde a infecção ocorre, o ambiente em que o paciente está, o uso prévio de antibióticos que podem provocar uma resistência, a presença de dispositivos invasivos, cirurgias recentes, além de condições clínicas como imunossupressão e comorbidades, podem levar à sepse.
João Paulo esclarece que algumas bactérias são mais comuns nos casos de sepse, especialmente aquelas associadas a infecções de pele, pneumonia e trato urinário. Porém, a sepse pode surgir a partir de praticamente qualquer tipo de infecção. “Seja urinária, respiratória, abdominal, cutânea, fúngica ou até viral. Mas o ideal para a prevenção é manter hábitos saudáveis de vida, evitar automedicação e ficar atento aos sinais. Se uma doença infecciosa tiver qualquer sinal de evolução, busque auxílio médico”, orienta.
Agilidade no tratamento
A sepse exige a capacidade de fazer um diagnóstico correto e fornecer um tratamento imediato. Evidências mostram que o início do antibiótico, na primeira hora de atendimento, é fator importante para o controle da doença, e a recomendação é que pacientes com sepse tenham acesso à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dentro das primeiras seis horas. A agilidade no tratamento também está relacionada a um cuidado multiprofissional atento, a exemplo da liberação automática da primeira dose de antibiótico pela Farmácia.
Sobre a Ebserh
O HUL-UFS faz parte da Rede Ebserh desde 2017. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitas vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.