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Ação e prevenção
Setembro Amarelo reforça acolhimento e combate à violência autoprovocada
HUL-UFS reforça a mensagem da campanha. - Foto: Canva
O Hospital Universitário da Universidade da UFS em Lagarto (HUL-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), participa da campanha Setembro Amarelo, movimento nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Criada em 2015, a mobilização se tornou a maior ação do tipo no Brasil, chamando atenção para a importância de abrir espaço para o diálogo, combater preconceitos e incentivar a busca por ajuda profissional.
De acordo com dados oficiais, o Brasil registra mais de 30 internações por dia em decorrência de tentativas de suicídio. Esse cenário revela a urgência de campanhas que estimulem o acolhimento, a solidariedade e a construção de redes de apoio.
Especialistas lembram que o sofrimento psíquico raramente é resultado de um único fator. Ele surge da interação de aspectos biológicos, sociais e familiares que se acumulam ao longo do tempo — como angústias, violência doméstica, abusos, dificuldades financeiras, medo, vergonha ou falta de perspectivas. Por isso, a prevenção exige sensibilidade, empatia e disposição para ouvir.
Segundo Ana Luiza Prado, gestora da Unidade de Atenção Psicossocial do HUL-UFS/Ebserh o Setembro Amarelo “deve alertar a população em geral para a necessidade de não negligenciar pessoas em sofrimento, não negligenciar a dor do outro”. Em paralelo, a data atenta para a necessidade de pensar na saúde mental de uma forma ampla, considerando a disponibilidade de políticas públicas. “Quem tenta suicídio, o faz porque sente uma dor muito intensa na alma, esta dor decorre de sofrimento que leva a adoecimento. O sofrimento, no contexto de saúde pública, está intimamente relacionado à baixa qualidade de vida, a exposição a contextos de violência, desemprego, pobreza, isolamento social”, esclarece a profissional.
Outro aspecto ressaltado pela campanha é a necessidade de quebrar tabus e preconceitos em torno das doenças mentais. O estigma ainda impede muitas pessoas de procurar ajuda, seja por medo de discriminação, seja pela crença de que falar sobre suicídio pode aumentar o risco. Ao contrário, mostrar que é possível pedir apoio sem ser julgado é uma das formas mais eficazes de salvar vidas.
Nesse sentido, o Setembro Amarelo também tem um papel fundamental para os profissionais da área, lembrando-os da importância de se prepararem para acolher pessoas em sofrimento, respeitando suas dores e fortalecendo a esperança. “Os profissionais de saúde precisam estar atentos a prestar cuidados destituídos de preconceito, entender que tentar suicídio não se trata de mera escolha, mas sim que é uma condição de adoecimento e que necessita de cuidados”, complementa Ana Luiza.
Acolhimento como prática no Hospital Universitário de Lagarto
No HU de Lagarto, a Unidade Psicossocial adota um protocolo específico para o atendimento dessa demanda. O trabalho é realizado por uma equipe multidisciplinar, que acolhe o sofrimento dos pacientes e promove os encaminhamentos necessários para garantir a continuidade do cuidado após a alta hospitalar. Parte dos usuários já é acompanhada pela rede básica de saúde, enquanto outros são direcionados para o ambulatório da Universidade Federal de Sergipe (UFS), no campus de Lagarto, que conta com psiquiatras e profissionais de psicologia. Ana Prado ressalta, entretanto, que o cuidado em saúde mental deve ser entendido de forma ampla, indo além do acompanhamento psiquiátrico e psicológico.
Ao longo de setembro, o HUL-UFS reforça a mensagem da campanha: a saúde mental não é motivo de vergonha, e a prevenção do suicídio é responsabilidade coletiva. Falar, escutar e acolher podem transformar silêncio em diálogo, solidão em vínculo e angústia em esperança.
Sobre a Ebserh
O HUL-UFS faz parte da Rede Ebserh desde 2017. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Felipe Monteiro com colaboração local de Diego Martin
Unidade de Comunicação Regional 2