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JULHO VERDE
Pacientes que passaram por laringectomia total se apresentam no HUAC como parte da programação da campanha Julho Verde
Nesta terça-feira (30), o Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC-UFCG) da Universidade Federal de Campina Grande e vinculado à Rede Ebserh teve uma manhã emocionante. Quem estava no Centro de Assistência Especializada de Saúde e Ensino do HUAC (Caese), pôde presenciar a apresentação do coral Bela Voz, composto por pacientes do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa, que passaram por uma laringectomia total.
O coral, que veio ao HU a convite do Chefe de Cirurgia Geral, Uirá Coury, começou como um grupo de apoio, e é organizado pelos fonoaudiólogos do Napoleão Laureano que ajudam os pacientes na reabilitação da fala: Vivian Lisboa, Vinícius Costa, Dhébora Heloísa e Raphaela Cruz.
“O que é a laringectomia total? É uma cirurgia de grande porte, em que é retirada toda a laringe do paciente, e, por consequência, eles perdem a voz por completo”, explicou Vivian Lisboa. “Existem três meios para se reabilitar esses pacientes: temos a laringe eletrônica, temos a voz esofágica e prótese traqueoesofágica”, comentou.
Vivian também falou sobre a importância de ações como essas para seus pacientes. “Eles se sentem mais importantes, sentem que ainda têm muita coisa para fazer na vida”.
O evento fez parte da programação do hospital em alusão à campanha Julho Verde, que objetiva a conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço.
Na ocasião, também foi realizado mutirão de consultas, com a finalidade de adiantar o atendimento de pacientes com patologias possivelmente cirúrgicas em cabeça e pescoço, homens e mulheres de meia idade, tabagistas e etilistas. Segundo o médico Uirá Coury, foram atendidos 52 pacientes, sendo possível diagnosticar tumores precoces de boca, tireoide, pele e laringe. Por terem sido descobertos inicialmente, esses pacientes terão maiores chances de cura.
Em 27 de julho foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, porém, a campanha Julho Verde, com o slogan “O câncer tá na cara, mas ás vezes você não vê”, tem o intuito de conscientizar sobre a prevenção dessas doenças, durante todo o mês.
LARINGECTOMIA TOTAL
O que é uma Laringectomia total?
A Laringectomia total é a retirada da laringe.
Por que a Laringectomia total tem que ser feita?
A Laringectomia total é necessária por existir um tumor que afeta as cordas vocais (ou partes da laringe).
Após a laringectomia, há uma modificação dos caminhos da condução do ar e da alimentação: a inspiração do ar passa a ser feita pelo traqueostoma (orifício no pescoço). Os aparelhos respiratório e digestivo tornam-se separados e independentes.
Por que tem que haver uma abertura no pescoço?
Essa abertura, chamada traqueostoma, é necessária para a entrada e saída de ar dos pulmões. Após a laringectomia o ar não poderá circular nem pela boca nem pelo nariz, como acontecia antes.
Existe alguma maneira que permita aos pacientes falar novamente?
Sim, pois não se perde a fala nem a linguagem e, sim, a voz laríngea. Através da voz esofágica, da laringe eletrônica e da prótese traqueosofágica é possível que o laringectomizado total se comunique.
Que profissional ajuda no aprendizado da voz esofágica?
Um fonoaudiólogo dará as orientações adequadas para a reabilitação da voz. A reabilitação total é um trabalho coletivo no qual todos devem colaborar, inclusive os familiares.
O que é a voz esofágica? Como é produzida?
É uma alternativa para a ausência de voz laríngea. A voz esofágica é produzida pela expulsão do ar que vem do esôfago que, ao fazer vibrar as suas paredes, emitem um som. Este som se transforma em sílabas, palavras e frases até o domínio total da fala. É importante lembrar que o ar que vem dos pulmões (sai pelo traqueostoma) segue um caminho diferente do ar que vem do esôfago (vai para a boca). Depois da laringectomia total estas estruturas ficam independentes.
Quanto tempo se leva para aprender a falar com a voz esofágica?
É difícil estimar o tempo. Os resultados dependem de cada paciente, de sua facilidade de emitir o primeiro som e de uma prática constante.
(Com informações do Instituto Nacional do Câncer – INCA)
Camila Monteiro
Jornalista HUAC-UFCG