Notícias
GESTAÇÃO E PÓS-PARTO
Miocardiopatia periparto: conheça doença silenciosa que ameaça gestantes e puérperas
A miocardiopatia periparto ainda é um termo pouco discutido entre gestantes e puérperas. Trata-se de uma enfermidade que causa o aumento do tamanho dos ventrículos do coração. A doença cardíaca considerada rara pode ocorrer durante a gravidez ou no pós-parto, principalmente no fim da gestação ou nos primeiros cinco a seis meses do pós-parto.
A especialista da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC-UFRN), da Rede Ebserh, Maria da Guia de Medeiros, explica que a miocardiopatia periparto é uma forma pouco frequente de insuficiência cardíaca de causa desconhecida, que pode se manifestar no fim da gestação ou nos meses seguintes ao parto. “É mais frequente em mulheres negras, multíparas e acima de 30 anos, em geral ocorre em mulheres saudáveis, sem doença cardíaca”, explica a ginecologista da MEJC.
Possíveis causas
As causas da doença não são completamente definidas. “Há evidências de envolvimento de fatores genéticos, inflamatórios, hipertensão arterial crônica ou induzida pela gestação e resposta anormal ao estresse oxidativo”, disse o obstetra e ginecologista do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), Jedson F. de Castro.
De acordo com o médico especialista em cardiologia e ecocardiografia do Hospital Universitário Professor Edgar Santos da Universidade Federal da Bahia (Hupes-UFBA/Ebserh), José Magalhães Filho, em termos estatísticos, a miocardiopatia periparto é considerada incomum. “Nos países em desenvolvimento, predominam as doenças valvares, sobretudo valvopatia reumática, como causa de morte materna obstétrica indireta. Nos países desenvolvidos, há um predomínio das cardiopatias congênitas. Esses são casos de doenças crônicas que já se apresentavam antes da gestação”, explica o profissional.
Sintomas
Os sinais e sintomas se caracterizam por uma insuficiência cardíaca, com disfunção do ventrículo, “daí os sintomas serem inespecíficos”, enfatiza a médica Maria da Guia. Cansaço, fadiga, taquicardia e dor no peito são sintomas mais visíveis da doença. “Por vezes, o diagnóstico é tardio. Como não se associa diretamente à doença, buscam-se outros diagnósticos e, só posteriormente, pensa-se na miocardiopatia”, enfatiza a ginecologista.
De acordo com o obstetra e ginecologista do HUPAA, Jedson F. de Castro, em casos graves da doença, pode haver choque cardiogênico e edema agudo de pulmão. “A miocardiopatia periparto é uma das principais causas de morte cardiovascular na gestação”, destaca o médico.
A mortalidade pela doença é considerada alta, o óbito ocorre por insuficiência cardíaca, eventos tromboembólicos. Com relação à prevenção, a ginecologista da MEJC, Maria da Guia, explica que é difícil prevenir, porém, é essencial ter um pré-natal de boa qualidade e adotar cuidados adequados na gestação, como dieta saudável, evitar fumo e álcool, praticar atividade física e tratar de alguma doença pré-existente.
Prevenção
De acordo com a médica ginecologista e obstetra do Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN/Ebserh), Letícia de Medeiros Jales, é importante identificar fatores de risco, como mulheres com histórico de hipertensão, diabetes gestacional ou doenças cardíacas prévias. “As pacientes com gestação múltipla (gemelar, por exemplo) e que engravidaram com idade mais avançada também fazem parte do grupo de risco. Um pré-natal adequado é a principal arma que a gestante tem para sua saúde”, disse a profissional. Durante o acompanhamento do pré-natal é possível identificar alterações de forma mais precoce e realizar orientações sobre alimentação saudável e controle de peso.
Letícia de Medeiros também pontua sobre a importância de investir na qualidade de vida, com a prática de atividade física adequada conforme orientação médica, redução de estresse e suporte psicológico. “Por fim, e não menos importante, controlar todas as comorbidades da paciente, como pressão alta e diabetes”, orienta a ginecologista e obstetra do HUAB.
Tratamento
A Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC-UFC/Ebserh) conta com estrutura para diagnosticar e tratar miocardiopatia periparto, sendo referência no atendimento a gestantes de alto risco. A maternidade segue os protocolos das principais diretrizes internacionais para miocardiopatia periparto. “A MEAC-UFC está preparada para atender gestantes com miocardiopatia periparto, garantindo diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento especializado para reduzir riscos e melhorar o prognóstico das pacientes”, disse o cardiologista e ecocardiografista da MEAC-UFC, o Octavio Alencar.
O HUAB-UFRN realiza o tratamento inicial dessas pacientes, identificando a doença, estratificando o risco e definindo a conduta. “No nosso serviço, temos ambulatório de cardiologia que também consegue fornecer o seguimento dessa paciente”, disse a ginecologista e obstetra da unidade de Santa Cruz, Letícia de Medeiros. No Hupes-UFBA, há ambulatórios de insuficiência cardíaca e de miocardiopatias que podem realizar o acompanhamento de pacientes.
Encaminhamento
Para serem atendidas nas maternidades da Rede Ebserh, as pacientes precisam, necessariamente, ser encaminhadas pela Central de Regulação das secretarias municipais de saúde.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.