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FOLIA SEGURA
Carnaval exige atenção redobrada para prevenção das ISTs
Santa Cruz (RN) – O Carnaval é um dos períodos mais aguardados do ano, marcado por festas, viagens e intensa interação social. Mas, junto com a folia, também cresce o risco de transmissão das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). A infectologista do Hospital Universitário Ana Bezerra (Huab-UFRN), da Rede Ebserh, Vanessa Melo, alerta que o contexto típico do período favorece situações de maior vulnerabilidade.
“São momentos de férias, viagens, festas e maior interação social, o que aumenta a chance de encontros casuais e relações sexuais. Além disso, o consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas deixa a população em uma situação de maior vulnerabilidade”, explica a médica.
ISTs mais frequentes e sinais de alerta
Entre as ISTs mais diagnosticadas atualmente, a especialista destaca a sífilis e a gonorreia, mas chama atenção também para outras infecções que muitas vezes passam despercebidas. “As ISTs mais frequentemente diagnosticadas incluem sífilis e gonorreia, mas ficamos atentos também à clamídia e ao próprio HIV”, afirma.
Os sinais podem variar, mas alguns sintomas merecem atenção. “Corrimento genital ou secreção anal, dor ao urinar, feridas ou bolhas na região genital ou oral, manchas na pele e febre sem causa aparente são sinais importantes. No entanto, muitas infecções podem não apresentar sintomas perceptíveis”, alerta Vanessa Melo.
Preservativo segue sendo essencial
O uso da camisinha continua sendo a principal forma de prevenção contra a maioria das ISTs. “O preservativo ainda é a forma mais eficaz de proteção”, reforça a infectologista. Ela destaca, porém, que hoje existem estratégias complementares importantes. “Além da camisinha, podemos citar a vacinação contra HPV, hepatite A e hepatite B, o uso da PrEP e da PEP para o HIV e a doxiPEP, que tem sido estudada como estratégia adicional de prevenção para algumas infecções”, explica.
A testagem regular é outra ferramenta fundamental na prevenção e no controle das ISTs.
“A testagem é um ato de autocuidado e de cuidado com o outro. Como muitas ISTs são silenciosas, a única forma de saber se está com a infecção é testando”, destaca. Segundo a médica, o diagnóstico precoce faz toda a diferença. “Isso permite iniciar o tratamento mais cedo, interromper a cadeia de transmissão e reduzir o risco de complicações”, completa.
Álcool, drogas e risco aumentado
O consumo de álcool e outras drogas durante o Carnaval também merece atenção especial. “Essas substâncias podem reduzir a percepção de risco e deixar a pessoa mais vulnerável, favorecendo comportamentos sexuais desprotegidos”, alerta Vanessa Melo.
Em casos de exposição sexual sem proteção, a orientação é procurar rapidamente um serviço de saúde. “A pessoa pode procurar uma unidade de saúde para avaliação da PEP, a profilaxia pós-exposição ao HIV, que deve ser iniciada em até 72 horas, além de realizar testagem para ISTs e acompanhamento médico”, orienta.
Prevenção ainda é a melhor escolha
A infectologista reforça que, apesar dos riscos aumentados no período festivo, é possível curtir o Carnaval com responsabilidade. “A prevenção ainda é a melhor opção contra as ISTs. Hoje existem várias formas de estar protegido além do uso da camisinha, e a informação é uma grande aliada”, conclui. Com conscientização, acesso aos serviços de saúde e adoção de medidas preventivas, a folia pode ser aproveitada com mais segurança e cuidado com a saúde.
Sobre a Ebserh
O Huab-UFRN faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.