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EDUCAÇÃO
HU-UFS fortalece educação, inovação e transformação social no SUS
Graduação, pós-graduação e intercâmbio internacional são algumas das possibilidades de aprendizado prático, pesquisa e troca de saberes nos hospitais da Rede Ebserh
Publicado em
23/01/2026 17h05
Aracaju (SE) - Os hospitais universitários federais geridos pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) são ambientes estratégicos para a educação em saúde no Brasil. Nessas unidades, o aprendizado vai além da sala de aula, abrangendo a prática assistencial, a qualificação profissional contínua e o incentivo à produção científica - não apenas na área da saúde, mas também em diferentes campos do conhecimento. Uma dessas unidades é o Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), que, em alusão ao Dia Internacional da Educação (24 de janeiro), destaca vivências práticas de quem ensina e de quem aprende na instituição.
A fonoaudióloga Estér Sales, que cursa a Residência Multiprofissional em Saúde do Adulto e do Idoso no HU-UFS, relata que essa formação foi almejada por ela desde a graduação. “Sempre foi o meu objetivo, porque enxergo a residência como uma formação padrão-ouro dentro das pós-graduações. A gente consegue ver a prática junto com a teoria, e isso agrega muito ao nosso aprendizado enquanto profissional e multiprofissional também. Trabalhamos aqui em equipes multi, com um total de 64 residentes, organizados em grupos de oito profissões diferentes”, contextualiza.
“Aprendemos demais uns com os outros. Coisas que, durante a graduação, eu não aprendi, mas que, ao longo da residência, em momentos de troca com a farmacêutica, a assistente social, a psicóloga e a enfermeira, consigo integrar ao meu conhecimento, enriquecendo ainda mais a atuação conjunta entre as profissões. Isso é muito valioso dentro da residência. Além disso, somos a maior residência do Brasil em Saúde do Adulto e do Idoso, aqui no HU-UFS, com 64 residentes ativos. Isso representa uma grande atuação dentro do Sistema Único de Saúde, o SUS”, afirma Estér.
Ela acrescenta que sua relação com os pacientes no HU-UFS é muito especial. “Hoje estou no segundo ano da residência e consigo enxergar o paciente como um todo. Não olho para ele apenas sob a perspectiva da fonoaudiologia, mas também considerando necessidades psicológicas, sociais, cuidados de enfermagem, entre outras. A residência proporciona esse olhar humanizado dentro do hospital”, comenta.
Para Estér, não existe no Brasil outra formação de pós-graduação mais completa do que a residência. “Temos uma vivência de 60 horas semanais. Passamos mais tempo no hospital, na função de residentes, do que em casa. Vivemos intensamente o serviço e o aprendizado. Ao final desses dois anos, saímos como profissionais totalmente diferenciados para o mercado de trabalho, com uma visão ampla e preparados para atuar em diversos cenários. E, depois disso, temos a grande honra de carregar o título de especialista em saúde do adulto e do idoso”, complementa.
Qualificação profissional ultrapassa fronteiras
A Ebserh participa do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação Internacional, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores. A iniciativa prevê que 38 mil profissionais angolanos passem por treinamentos e especializações no Brasil ao longo de cinco anos, iniciados em 2024.
Os hospitais universitários compartilham suas expertises para fortalecer o sistema de saúde angolano no enfrentamento de doenças infecciosas, epidemias e emergências sanitárias. Atualmente, o Hospital Universitário da UFS conta com quatro profissionais angolanos e deve encerrar 2026 com oito participantes, conforme informa a chefe da Unidade de Gerenciamento de Atividades de Pós-graduação do HU-UFS, Renata Dalseco.
“Esta ainda é a primeira turma, e ninguém concluiu a especialização até o momento. Eles chegaram em abril de 2025. Os novos residentes passarão pelas atividades de acolhimento no início do próximo mês de março, quando, além das boas-vindas, conhecerão algumas características do hospital e de seu funcionamento. Apresentamos temas muito importantes, como prevenção de acidentes, segurança do paciente, normas institucionais, organização interna e o serviço de ouvidoria”, explica Renata.
Para o enfermeiro angolano Adelino Tchilandala, residente de Enfermagem em Assistência ao Adulto e ao Idoso no HU-UFS, vir de Angola para o Brasil com o objetivo de realizar uma residência no Hospital Universitário de Sergipe tem sido uma experiência profundamente transformadora. “Desde o início, esse processo representou um grande desafio, principalmente pela necessidade de adaptação a um novo sistema de saúde, que possui princípios, fluxos assistenciais e organização distintos da realidade angolana. No HU-UFS, tive a oportunidade de vivenciar um ambiente que integra ensino, pesquisa e assistência de forma muito consistente. A residência proporciona contato direto com diferentes níveis de complexidade do cuidado, trabalho multiprofissional e utilização sistemática de protocolos clínicos baseados em evidências científicas, o que contribui significativamente para o aprimoramento do raciocínio clínico e da tomada de decisão”, relata.
Ele destaca que, além dos aspectos técnicos, há um importante processo de adaptação cultural e profissional. “Apesar de a língua portuguesa ser comum aos dois países, existem diferenças na comunicação, nas rotinas institucionais e na dinâmica do trabalho em equipe, o que exige flexibilidade, resiliência e aprendizado constante. Ao mesmo tempo, essa convivência favorece uma rica troca de saberes entre profissionais brasileiros e a experiência prévia que trago de Angola. De modo geral, considero que a residência no Hospital Universitário de Sergipe tem sido fundamental para o meu crescimento profissional. Ela fortalece a minha formação e amplia minha visão sobre a organização dos serviços de saúde”, finaliza Adelino.
Sobre a Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Unidade de Reportagem e adaptada pela Unidade de Imprensa e Informação Estratégica 1 | CCS | Ebserh