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DIA DA MULHER
Quando quem cuida precisa ser cuidada
No Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/Ebserh), a técnica em enfermagem Denise Trigueiro, de 45 anos, viveu os dois lados da mesma experiência. Depois de atuar por seis meses na assistência a pacientes oncológicos na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), ela recebeu, em outubro de 2024, o diagnóstico de câncer de mama.
Com 11 anos de trabalho no hospital, Denise já havia passado por diferentes setores de internação até chegar à oncologia em 2023. A vivência ao lado de mulheres em tratamento mudou sua forma de enxergar o câncer e o próprio cuidado com a vida.
“Na Unacon eu vi dor e limitações, mas vi principalmente muita vontade de viver. Aprendi que, mesmo diante do câncer, a alegria, o cuidado com a autoestima e o amor-próprio fazem diferença no processo”, conta.
Quando recebeu o diagnóstico, o conhecimento técnico não eliminou os sentimentos que acompanham a descoberta da doença. “Eu já conhecia o caminho, mas saber não tornou tudo mais fácil. Também senti medo e insegurança, porque cada pessoa vive o processo de forma única.”
Denise iniciou o tratamento cerca de 45 dias após o diagnóstico. Foram seis meses de quimioterapia e, um mês depois, a realização da mastectomia. Atualmente, ela aguarda a cirurgia de reconstrução mamária e segue trabalhando no hospital, com rotina adaptada no setor de internação do Posto 3.
Para ela, continuar ativa foi essencial durante a recuperação. “É muito importante se sentir útil. Ficar em casa dá uma sensação de incapacidade. Aqui no hospital eu tive apoio para voltar aos poucos, respeitando meus limites, e isso faz muita diferença.”
Autoestima e qualidade de vida no tratamento
A experiência na oncologia também mudou a forma como Denise entende o cuidado com a autoestima.
“Eu vi o quanto o trabalho de bem-estar é importante. Coisas que parecem simples, como maquiagem e autocuidado, fazem diferença para a mulher que está enfrentando o câncer. A gente aprende a se respeitar, aceitar os limites e valorizar a vida”, afirma.
Segundo ela, pequenas atitudes ajudam a manter a autoestima durante um momento tão delicado. “Mesmo quando eu não estou bem, coloco um blush, um batom. É simples, mas eu aprendi que todo dia eu tenho que construir a mulher que eu quero ser hoje.”
Projeto trata saúde íntima de mulheres após câncer
Durante o tratamento, Denise participou de um projeto desenvolvido no Ambulatório de Saúde da Mulher do HU-UFPI que utiliza radiofrequência para tratar alterações na saúde íntima de mulheres que passaram por tratamento oncológico.
A quimioterapia pode provocar queda abrupta de hormônios e mudanças fisiológicas importantes no organismo feminino, causando sintomas como ressecamento vaginal, desconforto urinário, infecções recorrentes e perda de lubrificação.
Denise foi uma das pacientes atendidas na primeira etapa da iniciativa, realizada no último trimestre de 2025, durante a programação do Outubro Rosa no hospital.
“Fez muita diferença para mim. Mudou muita coisa e trouxe uma luz no fim do túnel. Muitas vezes as pessoas acham que a mulher com câncer só precisa agradecer por estar viva, mas eu quero viver — e viver em sua totalidade”, relata.
De acordo com a médica ginecologista e chefe da Unidade de Saúde da Mulher do HU-UFPI, Michelle Rodrigues, a saúde feminina envolve diferentes aspectos que podem ser afetados pelo tratamento contra o câncer.
“A saúde da mulher também inclui o bem-estar íntimo e sexual. Tecnologias não hormonais têm sido utilizadas para ajudar na recuperação dessas pacientes. O laser é uma das opções, mas ainda tem custo elevado para o sistema público. A radiofrequência surge como uma alternativa mais acessível e tem apresentado bons resultados”, explica.
Segundo a médica, o protocolo inclui três aplicações mensais. Após essa etapa inicial, as pacientes passam a realizar sessões de manutenção a cada seis meses.
A primeira fase do projeto foi direcionada principalmente a mulheres com câncer de mama acompanhadas pela Unacon.
Como o equipamento e os insumos possuem custo elevado, o atendimento ocorre em etapas. A próxima fase terá início em 21 de março, com dez novas pacientes encaminhadas pela oncologia do hospital.
Sobre o HU-UFPI
O HU-UFPI faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) desde novembro de 2012. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Maria Carvalho Costa com revisão de Ludmila Wanbergna
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