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CONSCIENTIZAÇÃO
Carnaval acende alerta para ISTs: médicos orientam sobre sinais na pele e cuidados no pós-folia
Teresina (PI) - O Carnaval é sinônimo de alegria, encontros e celebração, mas também exige atenção redobrada com a saúde. O período costuma registrar aumento significativo nos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), muitas delas com sinais visíveis na pele e na região íntima, que não devem ser ignorados após a folia.
Segundo a dermatologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI/Ebserh), Lívia Martins, verrugas, bolhas, feridas e manchas na pele podem indicar doenças como HPV, herpes e sífilis. “Após o Carnaval, qualquer lesão diferente deve ser avaliada por um profissional de saúde para diagnóstico e tratamento adequados”.
Lesões visíveis: quando a pele dá sinais de alerta
A dermatologista destaca que algumas ISTs se manifestam claramente por alterações cutâneas. “O HPV é uma infecção viral que surge, principalmente, com o aparecimento de verrugas na região genital ou anal, geralmente após contato íntimo. Essas verrugas são um sinal importante para procurar atendimento médico”, orienta.
O herpes simples, também de origem viral, aparece na forma de vesículas — pequenas bolhas agrupadas e dolorosas — que podem se romper e evoluir para feridas. “Uma característica do herpes é a recorrência das lesões, que tendem a reaparecer no mesmo local, especialmente em períodos de baixa imunidade”, explica a dermatologista.
Já a sífilis, na fase inicial, costuma se manifestar como uma ferida única, indolor e de bordas endurecidas, conhecida como cancro duro. “Sem tratamento, a doença pode evoluir para a fase secundária, com manchas pelo corpo, inclusive nas palmas das mãos e plantas dos pés, além de complicações graves nas fases mais avançadas”, ressalta Martins.
Aumento das ISTs no período carnavalesco
A infectologista Thallyta Antunes, do HU-UFPI/Ebserh, afirma que o Carnaval está diretamente associado ao aumento dos casos de ISTs. “Observamos crescimento nos diagnósticos de sífilis, gonorreia e clamídia, que são infecções tratáveis, além de doenças sem cura, como o HIV”.
Ela chama atenção para o fato de muitas ISTs apresentarem período de incubação prolongado e, especialmente nos homens, serem assintomáticas no início. “A pessoa pode estar infectada sem perceber. Isso reforça a importância do uso do preservativo, já que métodos contraceptivos evitam a gravidez, mas não protegem contra ISTs”.
A infectologista também esclarece os limites da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). “A PrEP não substitui a camisinha. Ela protege apenas contra o HIV. O preservativo, por ser um método de barreira, também reduz o risco de sífilis, gonorreia e HPV. Além disso, a PrEP exige uso contínuo e acompanhamento médico para ser eficaz”, enfatiza.
Beijo e sexo oral também oferecem riscos
Embora menos comum, o beijo pode transmitir algumas infecções. “Herpes e mononucleose podem ser transmitidos pelo beijo, especialmente quando há lesões na boca”, explica a infectologista. O sexo oral, anal e vaginal são formas reconhecidas de transmissão de diversas ISTs. “Lesões orais facilitam a transmissão durante o sexo oral, e o HIV pode ser transmitido por meio de secreções”, completa.
Atenção à saúde da mulher no pós-folia
Durante o Carnaval, as mulheres também ficam mais suscetíveis à infecção urinária (cistite), devido ao calor, à menor ingestão de água, ao consumo de álcool e ao hábito de segurar a urina por longos períodos.
A ginecologista Andressa Castro, do HU-UFPI/Ebserh, orienta medidas preventivas. “É importante urinar com frequência, beber bastante água, urinar após a relação sexual, manter a higiene íntima correta — sempre da frente para trás — e evitar roupas apertadas ou tecidos sintéticos”.
Ela também alerta para a prevenção da candidíase. “Evite calcinhas que não sejam de algodão, roupas muito justas, produtos perfumados na região íntima, duchas vaginais e o uso excessivo de protetores diários. Higiene é importante, mas sem exageros”.
Relação desprotegida: o que fazer?
Após uma relação sexual sem proteção, a orientação é buscar atendimento o quanto antes. “A contracepção de emergência pode ser utilizada até cinco dias após a relação, com maior eficácia nas primeiras 72 horas”, explica a ginecologista.
Além disso, ela reforça a importância da vigilância. “Corrimento, ardência, feridas ou dor devem ser investigados. É fundamental realizar exames e avaliação médica, especialmente quando não se conhece o status sorológico do parceiro”.
No pós-Carnaval, sintomas como corrimento com odor ou coloração alterada, coceira,
ardência, dor ao urinar, sangramento fora do período menstrual e surgimento de feridas ou lesões na pele ou região íntima exigem atenção. “Diante de qualquer sinal, a recomendação é procurar um profissional de saúde”, conclui Castro.
Sobre o HU-UFPI
O HU-UFPI faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) desde novembro de 2012. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Maria Carvalho Costa, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh