Notícias
SEGURANÇA DO PACIENTE
Palestras ressaltam prevenção e riscos da sepse
Com o objetivo de despertar a reflexão nos profissionais, residentes e acadêmicos sobre a sepse, uma das principais causas de morte nas UTIS, o Hospital Universitário da UFMA (HU-UFMA), promoveu uma manhã de palestras enfatizando o tema. O evento aconteceu na última quinta-feira, 13, data em que é comemorado oficialmente o Dia Mundial da Sepse.
A iniciativa é da Divisão de Enfermagem e do Setor de Vigilância em Saúde e Segurança do Paciente do HU-UFMA, em parceria com o Conselho Regional de Enfermagem do Maranhão (Coren-MA). Entre os palestrantes convidados estavam o médico infectologista Fabrício Silva Pessoa, que apresentou o tema “Sepse Neonatal”, e o enfermeiro Raphael Costa Marinho que enfocou “Atuação do Enfermeiro na Prevenção da Sepse”.
A sepse é uma situação clínica causada por diversos micro-organismos, entre elas, as mais frequentes são as bactérias que proporcionam uma resposta inflamatória no indivíduo, como produto de uma infecção. Essa infecção normalmente pode ser adquirida tanto no meio comunitário como também no meio hospitalar. Este último é o mais preocupante, pois geralmente são causados por micro-organismos multirresistentes.
O médico infectologista, Fabrício Silva Pessoa, destaca as medidas para se evitar a evolução para a sepse. “Se falarmos no âmbito comunitário, a precaução está associada basicamente às medidas de prevenção das patologias de base, por exemplo, uma pneumonia em uma criança. Temos hoje a estratégia da vacinação contra germes comunitários, como pneumococo que é uma das principais causas de pneumonia na infância, ou já na forma adulta, fazer além da vacinação, uma boa alimentação e praticar exercícios físicos, justamente para evitar fatores de riscos que possam proporcionar o adoecimento e levar a sepse.”
Ele acrescenta que no meio hospitalar, pode-se tentar combater as infecções através da medida simples e altamente eficaz, como a higienização das mãos. Isso traz um impacto na redução das infecções hospitalares, o que leva a sepse, que hoje ocasiona em torno de 40 mil óbitos por ano só no Brasil.
O infectologista explica também a necessidade em focar na sepse neonatal. “A abordagem da sepse neonatal é justamente porque sabemos que a mortalidade infantil no país voltou a aumentar e um dos principais públicos afetados pela sepse é o neonatal. A mortalidade perinatal é hoje a principal causa de óbitos de crianças no nosso país e sempre foi um enfoque muito deixado de lado. É importante que nós possamos fazer essa conscientização para os profissionais e acadêmicos para que tenhamos uma boa condução e uma boa assistência dos bebês e dos prematuros”.
O enfermeiro Raphael Costa Marinho que atua na Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia do HU-UFMA destaca a importância da atuação do enfermeiro na prevenção da sepse. “A principal preocupação é a rápida identificação, pois temos hoje dois tipos de sepse: sepse e sepse grave. E estamos identificando-a muito tardiamente, quando a sepse tem uma maior probabilidade de levar o paciente a óbito. Focar na rápida identificação da sepse é muito importante porque você diminui a probabilidade de óbito desse indivíduo. Quanto mais rápido se identificar a sepse, maior a probabilidade desse indivíduo ter cura e de ser implementado as medidas essenciais. E o profissional enfermeiro tem uma importância significativa nesse processo em todo o mundo” finaliza.
O que é a sepse?
A sepse é uma condição de risco de vida que surge como resposta do corpo a uma infecção, danificando os seus próprios tecidos e órgãos. Ao invés de uma infecção local causar uma inflamação local, que seria a resposta apropriada a uma infecção, agora temos uma resposta inflamatória sistêmica à infecção. A sepse é a principal causa de morte por infecção em todo o mundo, apesar dos avanços da medicina moderna, como vacinas, antibióticos e cuidados intensivos. Milhões de pessoas ao redor do mundo morrem de sepse todos os anos.
Como essa 'inflamação' pode resultar em morte?
Esta resposta inflamatória pode levar a alterações circulatórias como, por exemplo, a queda da pressão arterial e desidratação. Isto pode comprometer a capacidade do sistema circulatório de oferecer, adequadamente, oxigênio e outros suplementos para os tecidos. Tal comprometimento pode resultar na disfunção de órgãos, como o pulmão, coração, rins e cérebro. Pode ainda levar ao choque, falência de múltiplos órgãos e, consequentemente, à morte, principalmente se não for reconhecida e tratada precocemente.
Quais infecções podem causar sepse?
Qualquer infecção, seja comunitária ou adquirida em hospitais, pode levar a essa resposta inflamatória exacerbada e à disfunção orgânica. Os focos envolvidos com maior frequência são os pulmões, as infecções intra-abdominais e do trato urinário. Outras causas comuns são endocardite, meningite, tecidos/partes moles, artrite e feridas cirúrgicas. Com relação aos agentes, a sepse pode ser causado por bactérias, tanto gram-positivas como gram-negativas, fungos ou vírus.
Por Danielle Morais com informações do Instituto Latino Americano de Sepse