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EXPERIÊNCIA SENSITIVA
Grupo Teatro-dança envolve crianças no Materno Infantil
O setor de Humanização do Hospital Universitário (HU-UFMA), em parceria com a Fundação Josué Montello e a Associação Cultural Grupo Teatro Dança, promoveu nesta segunda, 8, e na sexta-feira, 5, um espetáculo de teatro-dança destinado às crianças e aos bebês da unidade de pediatria do Materno Infantil. A montagem objetiva exercitar a condição sensível do corpo, tem coreografia de Júlia Emília e musicalização de Eline Cunha. A iniciativa é uma ação do Projeto ‘Popotitodó’ (neologismo criado a partir do nome hipopótamo), trabalha várias linguagens artísticas de forma integrada, incorporando literatura, dança, cena, drama e música.
Júlia Emília explicou o propósito do espetáculo e os benefícios para a criança. “No mundo contemporâneo a gente observa uma emergência das situações violentas e, na condição do sensível que nós vamos encontrar a ternura, o aconchego, a criatividade, as novas proposições para um mundo melhor e isso precisa ser exercitado”, ressalta.
Eline Cunha justificou o nome do espetáculo e como a música ajuda a desenvolver os sentidos. “Pensamos na música e como o bebê se comporta em relação à fala e as pessoas. A questão do Popotitodó é um ‘tatibitati’, ou seja, você tenta falar a palavra e ela não vem corretamente. Toda a música do espetáculo vai por esse caminho, do popotitodó que é como as crianças chamam o hipopótamo e, os gestos e sentidos desse universo infantil”, esclarece.
José Neres, chefe de Humanização do HU-UFMA, ressaltou a importância de compreender as necessidades humanas e integrar unidade hospitalar, comunidade local e usuários. “Nós, da Humanização, entendemos que trazer esse tipo de atividade para o hospital provoca aspectos que vão muito além do cuidado com a saúde física, já que cuidamos também da saúde do ser social. Então, trazer teatro, dança, música, é promover a saúde num aspecto global. A arte é transformadora, transforma vidas, amplia horizontes e aproxima as pessoas”, destaca.
O espetáculo contou com a participação de aproximadamente 25 pessoas, entre médicos, enfermeiras, servidores, mães e bebês que estavam na Unidade de Pediatria. Dona Zélia Ferreira, mãe da Rebecca Emilly, 3, expressou seu encantamento com o espetáculo. “É a primeira vez que minha filha participa de uma atividade assim, destinada a bebês. Ela ficou tão feliz e animada. Na verdade, ela sempre foi muito participativa, mas hoje estava doente e pra baixo, que bom que viemos aqui”, celebrou.
O Grupo Teatrodança
Em sua formação, o grupo passou pelos pressupostos do Teatro Ventoforte e da Faculdade Angel Vianna, que se opõe a lógica racionalista em suas poéticas corporais libertárias, e apresenta sua criação intitulada “Popotitodó”, corruptela da palavra hipopótamo vinda dos laboratórios de criação quando Eline Cunha, musicista-atriz-dançarina e diretora de sonoridades do Teatrodança, narrou fato que ouvia na infância em sua cidade maranhense: havia um hipopótamo que habitava a praça.
A proposta cênica cuida de meios hábeis para contemplar, cuidar e dialogar com o ser gerado que está no mundo, bebês interessados no movimento, nas sonoridades e plasticidades. As encenações trabalham a infância corporalmente pela conscientização, colocando bases da idade do corpo, do sonho e da ternura, onde as vias sensoriais são o caminho, principalmente o toque, e buscando posturas em germe, com imagens do corpo-casa, acolhedor e confortável.
Por Beatriz Abrantes