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MALFORMAÇÃO
Cirurgia que salvou vida de criança é caso inédito no mundo
Seis meses de luta, persistência e a vitória até aqui podem ter garantido a vida da pequena Ana Laura Rodrigues, internada no Hospital Universitário da UFMA, vinculado a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Ela nasceu em abril deste ano na Maternidade Maria do Amparo, com um quadro gravíssimo e raro, o primeiro caso registrado no mundo. Internada em maio na UTI Neo da Unidade Materno Infantil foi diagnosticada com associação de agenesia de esterno com cardiopatias congênitas. Diante do ineditismo do caso, as primeiras medidas buscaram o tratamento fora de domicílio, sem êxito. Foi o bastante para a equipe multiprofissional envolvida se mobilizar pela sobrevivência da criança.
Onze horas e meia de cirurgia que contou com a participação de sete equipes produziram um resultado pós-operatório animador. Trinta dias após o procedimento a paciente apresenta um quadro estável e evoluindo bem. Inicialmente, foi feito o procedimento cirúrgico de fechamento de comunicação intraventricular (CIV) e de comunicação intra-arterial (CIA), pela equipe de cirurgia cardíaca coordenada pelo cirurgião cardíaco Joseval da Silva Lacerda. A equipe da cirurgia torácica, coordenada pelo cirurgião torácico, Elias Amorim, com a participação fundamental do cirurgião Nilo Antunes de Souza Filho e do médico convidado do Hospital Universitário Lauro Wanderley (PB), Petrúcio Sarmento, fez a toracoplastia, uma vez que a paciente nasceu sem o esterno e sem parte das cartilagens costais. Em outra frente, a equipe da cirurgia plástica realizou o enxerto livre de pele total sob a coordenação do cirurgião plástico Paulo Mocelim.
O cirurgião torácico, Elias Amorim, explica como foi todo o processo até a decisão final para que a cirurgia fosse feita no próprio HU-UFMA. “A paciente representa o primeiro caso registrado no mundo e isso foi algo que mexeu com todos, pois tratava-se de uma situação muito delicada. Os riscos eram iminentes. O caso foi discutido até com profissional em Boston que disse não ter conhecimento de uma situação igual a essa. Mas, graças ao empenho de todos a cirurgia aconteceu na instituição e foi um sucesso”.
Para o cirurgião torácico, Petrúcio Sarmento, que aceitou o convite para vir ao Maranhão e contribuir com a equipe, o desafio era engrandecedor. “Foi uma cirurgia extremamente complexa. Comecei a acompanhar o caso quando ela estava com quatro meses e quatro quilos. Graças a uma interação entre dois hospitais universitários foi possível fazer essa cirurgia complexa que envolveu três especialidades. É uma felicidade saber que ela está se recuperando bem, que a cirurgia foi um sucesso e que nós cumprimos o nosso papel de aplicar o nosso conhecimento e levar a esperança às pessoas que mais necessitam”.
A equipe de anestesiologistas teve a frente Victor Ugo Dorigo de Castilhos. O acompanhamento contou também com demais profissionais na UTI Neo, coordenada pela pediatra e neonatologista, Marynea Vale, e na UTI Pediátrica, coordenada pela médica intensivista, Rejane Karla Santana Albuquerque. A cirurgia foi um sucesso e a criança segue se recuperando na UTI Pediátrica.
A evolução do estado de saúde da pequena Ana Laura é acompanhada com carinho e preocupação constante pelos profissionais envolvidos no caso. A médica Camila Cristina Ramos, da UTI Pediátrica, destaca como a paciente tem reagido. “Ela é uma criança que estava entubada há seis meses, o desmame da ventilação foi lento, mas ela tem progredindo dia-a-dia. Está conseguindo respirar sem os aparelhos. Uma grande vitória. Tudo foi feito com muito cuidado e muito capricho. O empenho de todos trabalhando em conjunto tem se refletido positivamente no caso da Ana Laura. O médico Petrúcio Sarmento, mesmo de longe, também tem acompanhado, pois todos os dias os exames da criança são enviados a ele. Estamos felizes porque ela está evoluindo bem e espero que possa sair em breve da UTI para, finalmente, entregarmos essa criança aos seus pais”.
Radiante de felicidade, a mãe da pequena guerreira, Claudia Rodrigues, diz sentir grande alívio por ver a filha fora de perigo. “Fiz todo o acompanhamento, mas só foi descoberto o problema da minha filha no dia em que ela nasceu. Foi um susto para toda a família. Tivemos que adiar o sonho de tê-la em casa em poucos dias, por uma longa espera para uma cirurgia. Não foi fácil, mas hoje estamos muito contentes por ver a evolução dela”. Claudia, inclusive, faz questão de antecipar seu pedido de Natal. “Gostaria muito que nas festas de fim de ano, minha filha já estivesse conosco em casa”, diz, esperançosa.
Por Danielle Morais
Confira abaixo a matéria sobre o caso veiculada na TV DIfusora/SBT!