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ENTREVISTA
Neurologista fala sobre transtornos do sono e dá dicas para dormir melhor
O Dia Mundial do Sono, comemorado em 13 de março, é uma oportunidade para refletirmos sobre a qualidade do nosso sono, algo que influencia diretamente na nossa saúde e bem-estar. A Unidade de Comunicação Social entrevistou a neurologista do HC-UFPE, Clélia Franco, sobre o assunto. “Sono bom é aquele natural e espontâneo”, resumiu. Na entrevista, a médica explicou as consequências de dormir mal sistematicamente, quantidade de horas que devemos dormir e quando é hora de procurar ajuda de um especialista. No vídeo, você confere as orientações para dormir melhor.
Existe uma quantidade ideal de horas que devemos dormir?
Existe uma média de horas para a população, definida de acordo com a faixa etária. A média dos adultos é de sete horas. Crianças e adolescentes, nove. Idosos, a partir dos 70 anos, em torno de seis. Mas isso é apenas uma média. Há pessoas que dormem quatro horas e ficam satisfeitas.
Dizemos que a quantidade ideal de horas é aquela em que você se acorda disposto e passa o dia bem, fazendo as suas atividades. Dormir demais também não é bom porque desregula nosso sistema metabólico.
Então, qual seria o “sono bom”?
O sono bom é aquele natural e espontâneo. Isso não é verdadeiro quando a sonolência é patológica, exemplo hipotireoidismo ou uso de uma medicação que me faz ter sono.
Quais as consequências em não dormir bem?
Quando você dorme mal apenas uma noite, no outro dia, você pode sentir sonolência, fadiga e dor de cabeça. Esses sintomas cessam a partir do momento que você repõe esse déficit. No fim de semana, costumamos dormir mais porque estamos repondo esse déficit de sono.
Só você tem um distúrbio que é recorrente, intrínseco, caso de uma apneia ou parassonia (distúrbios comportamentais durante o sono), ocorre o surgimento de repercussões a médio e longo. Primordialmente, sempre começam com as questões de baixa produtividade mental e física, porque você vai se sentir com baixo rendimento na memória, capacidade física reduzida e pouca disposição.
Dormir mal aumenta o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares; síndromes metabólicas e até eleva o risco de contrair infecções, pois dormir mal baixa a imunidade. Já se provou também o aumento do risco em desenvolver doenças neurodegenerativas, uma vez que é, durante o sono, feita a limpeza de substâncias tóxicas do metabolismo.
Quando devemos procurar ajuda médica?
Quando a gente não está dormindo bem, a gente passa a ter sintomas noturnos ou diurnos. A grande queixa diurna é a sonolência excessiva. Toda vez que a gente está tendo sonolência excessiva, atrapalhando as atividades de rotina, seja em casa ou no trabalho, isso já é uma alerta de que o sono da noite não está sendo suficiente e está invadindo o horário de vigília.
A grande queixa noturna é o ruído (o ronco) ou o sono inquieto. O sono inquieto é quando a pessoa mexe muito as pernas, muda muito de posição e tem muitos despertares que podem ser decorrentes de pausas respiratorias durante o sono (que chamamos de apneia do sono). Também as parassonias podem prejudicar o sono, que são quadros de comportamentos anormais ou não esperados em sono. Vai desde algo simples, como falar dormindo, até algo mais grave, como o caso de pessoas que executam o sonho dormindo.