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ÓBITO FETAL
A dor da perda nos últimos meses de gestação: entenda os fatores que podem levar ao óbito fetal
Recife (PE) – Quantos sonhos cabem no coração de um casal à espera de um bebê? Essa é uma pergunta cheia de significado para quem aguarda a chegada de uma nova vida. Quando essa desejada espera é interrompida nos últimos meses de gestação, levanta a discussão sobre os fatores que levam ao óbito fetal e a fase do luto perinatal da família. O tema foi aceso com o caso da perda do bebê da apresentadora Tati Machado, da TV Globo, que estava na fase final da gestação.
A perda gestacional costuma ser uma complicação comum da gravidez, na qual cerca de 20% das gestações acabam evoluindo para interrupção espontânea, por vezes, com a formação completa do feto. As principais causas de uma perda no terceiro trimestre, fase final da gravidez, vão desde alterações genéticas a doenças, como infecção, trombofilia, hipertensão, diabetes, uso de drogas ilícitas, alterações placentárias e do cordão umbilical e, ainda, as doenças autoimunes.
O obstetra e ginecologista do Hospital das Clínicas da UFPE Agostinho Machado Júnior esclarece que, na fase final da gestão, a probabilidade da perda do bebê é menor, porém, uma gravidez com transcorrência saudável ainda corre o risco de apresentar intercorrências. “A gestação costuma ser um evento fisiológico, de risco habitual, em cerca de 90% dos casos, mas existem intercorrências como sangramentos/hemorragias, síndromes hipertensivas, infecções, ruptura prematura de membranas, entre outras”, disse.
Agostinho Machado destaca os cuidados básicos que devem ser tomados na fase final da gravidez, como o seguimento da agenda pré-natal proposta, hábitos de vida saudáveis, evitar tabagismo e fazer suplementação vitamínica. O profissional ressalta, ainda, os sinais de alerta quando a saúde do bebê está em risco na barriga da mãe, a exemplo do sangramento genital, perda de líquido pela vagina, diminuição ou ausência de movimentação fetal.
Medicações corretas na vigência da necessidade e a observação cuidadosa da mulher em relação a sinais e sintomas diferentes que possam acontecer, além da escuta qualificada da equipe de saúde no momento da consulta são estratégias valiosas para prevenção da morte fetal.
O luto perinatal
A intensidade do luto perinatal independe do tempo de gestação. De acordo com o médico Agostinho Machado, a intensidade do luto perinatal está mais ligada à expectativa do quanto a mulher vem sonhando com a gestação e gerando o feto. “Um abortamento pode ser uma experiência bem intensa e traumática. Agora, quanto mais próximo ao parto for a descoberta de um óbito fetal intrauterino, pode-se ter um adicional ou agravante de dor pela concretude dessa maternidade tão iminente”, explica. O médico ressalta que uma assistência pré-natal de qualidade é condição imprescindível para minimizar as complicações obstétricas, embora possam surgir situações imprevisíveis.
Sobre a Ebserh
O HC-UFPE faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Aline Freitas, com apoio de Wesley Prado e edição de Alexsandra Jácome e Vitória Galvão
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica da Ebserh para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadoria de Comunicação Social